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Esqueleto de Triceratops vai a leilão em fase de crescimento do mercado de dinossauros

Fóssil data de há mais de 66 milhões de anos e, entre 17 a 31 de março, vai estar em leilão numa plataforma online criada pelo músico Pharrell Wiliams. Estimativa aponta para os 3,8 a 4,7 milhões.

Agência Lusa
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Um esqueleto de Triceratops que permaneceu num museu do Wyoming durante décadas vai ser leiloado, um caso raro de um dinossauro exposto num museu a ir a leilão precisamente quando o mercado destes gigantes pré-históricos atinge recordes históricos.

O fóssil, apelidado de “Trey”, estará disponível para licitação de 17 a 31 de março na Joopiter, uma plataforma de leilões online fundada pelo artista e produtor vencedor de um Grammy, Pharrell Williams.

A estimativa pré-leilão é de 4,5 a 5,5 milhões de dólares (3,8 a 4,7 milhões de euros, à taxa de câmbio atual), noticiou na segunda-feira a agência Associated Press (AP).

Datado de há mais de 66 milhões de anos, do final do período Cretácico, Trey foi descoberto perto de Lusk, no Wyoming, em 1993, por Lee Campbell e pelo falecido Allen Graffham, um paleontólogo comercial que fez inúmeras descobertas importantes ao longo da sua vida.

O herbívoro de 5,3 metros de comprimento recebeu os visitantes na inauguração do Centro de Dinossauros de Wyoming, em Thermopolis, em 1995, e aí permaneceu emprestado até 2023.

Recentemente vendido numa transação privada, está agora em Singapura, onde pode ser visitado por particulares até ao final de março, de acordo com a Joopiter.

Trey “tem este aspeto cultural que muitos fósseis que vão a leilão hoje em dia simplesmente não têm”, frisou o paleontólogo Andre LuJan, que trabalhou com Joopiter para preparar o fóssil para o leilão.

“Este está ligado às pessoas e, sem dúvida, inspirou as crianças que o viram a seguir uma carreira em paleontologia”, sublinhou.

Outrora domínio de museus e universidades, os fósseis de dinossauros tornaram-se investimentos cada vez mais populares.

Em 2024, os restos mortais de Apex, o estegossauro, foram vendidos em leilão por 44,6 milhões de dólares, batendo o anterior recorde de 31,8 milhões de dólares pagos em 2020 por “Stan”, um esqueleto de Tyrannosaurus rex.

Num sinal de que o mercado de fósseis de dinossauros continua forte, um raro esqueleto de dinossauro jovem ultrapassou a estimativa pré-leilão da Sotheby’s, de 4 a 6 milhões de dólares, em julho, e acabou por ser arrematado por mais de 30 milhões de dólares numa disputa renhida, incluindo taxas e custos.

Caitlin Donovan, diretora global de vendas da Joopiter, afirmou que o crescente interesse reflete uma mudança de paradigma, afastando-se de categorias tradicionais como pinturas de antigos mestres e direcionando-se para objetos que possuem “ressonância cultural”.

“[Os dinossauros] Sempre cativaram a nossa imaginação (…) e as pessoas começam agora a perceber o valor de investir neles como ativos”, realçou LuJan.

Mas o mercado ‘quente’ preocupa alguns paleontólogos, que temem que espécimes importantes possam desaparecer em coleções privadas, privando os cientistas de importantes oportunidades de investigação.

Os museus públicos estão “a ser totalmente excluídos de um mercado em expansão devido aos elevados preços”, alertou Kristi Curry Rogers, paleontóloga do Macalester College, no Minnesota.

LuJan enfatizou que Trey sempre foi propriedade privada e espera que acabe num museu, tal como Apex, que está agora em exposição no Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, depois de o seu comprador ter assinado um contrato de empréstimo de longo prazo permitindo aos cientistas estudá-lo.