(c) 2023 am|dev

(A) :: Guterres pede reabertura das passagens de fronteira para Gaza

Guterres pede reabertura das passagens de fronteira para Gaza

Secretário-geral da ONU pediu esta segunda-feira fim ao bloqueio de todos os pontos de passagem, incluindo Rafah, anunciado por Israel no sábado após ataques ao Irão e represálias iranianas.

Agência Lusa
text

Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente

O secretário-geral da ONU pediu esta segunda-feira a reabertura “o mais rápido possível” dos pontos de passagem para Gaza, após o bloqueio israelita anunciado no sábado, que já está a ter “impacto humanitário”, afirmou o porta-voz de António Guterres.

“Dada a capacidade de armazenamento limitada e a destruição em toda esta zona de guerra, nós e os nossos parceiros estamos a trabalhar arduamente para manter um fluxo de abastecimento sustentável e previsível, apesar das restrições, mas isso não pode continuar com um bloqueio total. É imperativo que todos os pontos de passagem sejam reabertos o mais rapidamente possível“, instou Stéphane Dujarric, em declarações à imprensa.

No sábado, Israel anunciou, como medida de segurança, o encerramento dos pontos de passagem para Gaza, incluindo a passagem de Rafah entre o Egito e o território palestiniano, após o início dos ataques americanos e israelitas contra o Irão, seguido por represálias iranianas.

“As autoridades israelitas fecharam todos os pontos de passagem, incluindo Rafah”, insistiu esta segunda-feira Stéphane Dujarric.

Também “suspenderam as operações humanitárias dentro e ao redor das áreas onde as tropas israelitas ainda estão posicionadas em Gaza”, observou, mencionando ainda o adiamento da rotação de equipas humanitárias, evacuações médicas e o retorno de refugiados ao território.

“Nos últimos dias, os nossos parceiros foram forçados a racionar combustível, priorizar operações para salvar vidas, reduzindo as nossas capacidades ao mesmo tempo que os nossos stocks diminuem“, lamentou o porta-voz de Guterres.

Por sua vez, o COGAT, órgão do exército israelita responsável por assuntos civis nos territórios palestinianos, declarou esta segunda-feira que reabrirá as passagens para a Faixa de Gaza, fechadas desde sábado, “quando a situação de segurança permitir”, argumentando que a guerra com o Irão coloca em risco a vida do pessoal que administra os pontos de acesso.

A agência declarou em comunicado que a medida, que também afeta os postos de controlo na Cisjordânia ocupada, foi tomada em conformidade com o estado de emergência nacional declarado devido à ameaça de mísseis no contexto do conflito em curso.

Segundo o COGAT, as passagens não podem operar com segurança sob fogo, pois abri-las nessas condições colocaria em risco a vida “de pessoas tanto do lado israelita, quanto do lado de Gaza”.

As passagens de fronteira serão reabertas assim que a situação de segurança permitir“, indicou a agência israelita.

O COGAT insistiu que esta “medida temporária” não afetará a situação humanitária na Faixa de Gaza.

Segundo o comunicado, desde o início do cessar-fogo no enclave palestiniano, “dezenas de milhares de camiões carregados de ajuda humanitária” entraram em Gaza, em volumes equivalentes a “quatro vezes as necessidades nutricionais da população”, informação que vem sendo contestada pela ONU.

Essas reservas, destacou a mesma fonte, devem durar “por algum tempo”.

O órgão também negou que Israel esteja a bloquear arbitrariamente a entrada de ajuda humanitária em Gaza.

“Ao contrário das alegações originadas pelo Hamas e divulgadas por partes interessadas que tentam criar a imagem de uma situação catastrófica na Faixa de Gaza, Israel não está a bloquear arbitrariamente a ajuda a Gaza”, referiu.

O COGAT acrescentou que continuará a manter contacto constante com a comunidade internacional e fornecerá atualizações sobre quaisquer novos desenvolvimentos.

Israel reabriu a passagem de fronteira de Rafah, fundamental para a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, a 2 de fevereiro, após ter permanecido fechada por quase um ano desde a sua tomada pelas forças armadas em maio de 2024.

Neste sábado, Israel fechou novamente a fronteira, juntamente com os demais pontos de acesso, após realizar um ataque em grande escala com os Estados Unidos contra alvos em Teerão e outras cidades iranianas, que até agora causou mais de 500 mortes em território iraniano.

O Irão retaliou e atacou bases militares de Washington localizadas no Médio Oriente, e lançou dezenas de mísseis contra Israel, resultando na morte de dez cidadãos israelitas.

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 7 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

[Apesar de um mandado de captura europeu, Gregorian Bivolaru está clandestino em Paris. Lá, o guru continua a receber discípulas para “iniciações secretas”. Ouça o quinto e penúltimo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto]