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Trump acompanhou operação militar contra o Irão numa sala de crise improvisada em Mar-a-Lago, paredes-meias com um baile de gala

Trump esteve num baile de gala antes de acompanhar ataques ao Irão noutra zona da sua propriedade. Na Casa Branca, JD Vance liderou outra sala de crise, mostrando as divisões na administração dos EUA.

Tiago Caeiro
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Noite de sexta-feira na mansão de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. O cenário era de gala: dezenas de convidados, envergando vestidos ou fatos, participavam num baile promovido por uma associação que se dedica a ajudar crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Do outro lado da propriedade, Donald Trump acompanhava, numa sala de crise improvisada, a operação militar levada a cabo pelos EUA no Irão, e que resultou na morte de Ali Khamenei, o líder supremo daquele país.

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Ainda antes de se reunir com os membros do seu gabinete para acompanhar a intervenção militar dos EUA no Médio Oriente, Trump esteve presente no salão de baile, cumprimentando os convidados e agradecendo-lhes a presença no evento de angariação de fundos. Os vídeos captados pelos presentes mostram o presidente norte-americano a dançar ao som da música “God Bless the USA”, de Lee Greenwood. “Divertam-se. Eu tenho de ir trabalhar”, disse Donald Trump, despedindo-se dos convidados.

Por essa altura, já os conselheiros mais próximos de Trump tinham viajado para Mar-a-Lago. O secretário de Estado Marco Rubio, o secretário da Guerra Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto Dan Caine e o diretor da CIA John Ratcliffe deslocaram-se discretamente para a propriedade de Trump, em Palm Beach, durante o dia de sexta-feira, enquanto Trump ainda se encontrava no Texas, onde esteve a promover a economia local.

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Quando Trump chegou, já tinha sido montada uma sala de crise improvisada, de onde os mais importantes membros da administração e dos serviços secretos norte-americanos haveriam de acompanhar a operação militar “Fúria Épica”, contra o Irão. Já sem gravata — mas mantendo o boné com a inscrição “USA” com o qual tinha sido visto no salão de baile de Mar-a-Lago —, as imagens divulgadas pela Casa Branca mostram Trump a falar com a sua chefe de gabinete, Susie Wiles ou, numa outra foto, a olhar para o diretor da CIA, John Ratcliffe.

De acordo com a CNN, o uso da propriedade pessoal de Trump para supervisionar operações militares tem provocado preocupação entre os responsáveis pela segurança e dos serviços secretos dos EUA, devido ao risco de fuga de informações sensíveis por causa da proximidade, no mesmo espaço, de membros do clube e decisores políticos. Só no último ano, Trump esteve em Mar-a-Lago quando os EUA iniciaram uma campanha aérea contra os rebeldes houthis no Iémen; quando mísseis Tomahawk americanos foram disparados contra alegados campos do Estado Islâmico na Nigéria ou aquando da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.

Duas salas de crise para acompanhar ataques ao Irão mostram divisão na Casa Branca

A mais de 1.500 quilómetros de distância de Mar-a-Lago, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e a diretora dos serviços secretos, Tulsi Gabbard, reuniram-se na ‘verdadeira situation room‘, na Casa Branca. Questionada, a Casa Branca não explicou por que razão estavam duas equipas diferentes, em duas salas de crise, a acompanhar o início da intervenção militar dos EUA no Irão. O The Telegraph sugere que a situação demonstrou a divisão existente no seio da administração americana quanto à escalada militar no Médio Oriente.

Tulsi Gabbard tem um longo histórico de oposição à intervenção dos EUA no estrangeiro – tendo afirmado, em julho do ano passado, que não havia provas de que o Irão estivesse a construir uma bomba nuclear, uma declaração que irritou Donald Trump. Embora menos vocal, a posição de JD Vance em relação ao tema não é desconhecida. Em 2023, apoiou a candidatura de Trump à Casa Branca num artigo publicado no Wall Street Journal, no qual defendia que a “melhor política externa” era “não iniciar nenhuma guerra”, criticando a política intervencionista de ex-presidentes norte-americanos, que, argumentou, levou a “catástrofes históricas no Oriente Médio”. Dias antes do ataque ao Irão, JD Vance acreditava que não havia “nenhuma hipótese” de os EUA se envolverem em um conflito prolongado e dizia que Trump ainda poderia ser considerado um “cético em relação a intervenções militares estrangeiras”.

Segundo o New York Times, a divisão no seio da administração Trump em relação à intervenção militar no Irão ficou espelhada na última semana, quando o vice-presidente JD Vance pressionou o diretor da CIA, John Ratcliffe, diretor da CIA, e o chefe do Estado-Maior Conjunto Dan Caine para que recolhessem mais informações sobre os riscos de um ataque ao Irão – contrariando o desejo do presidente de não ser visto como “fraco”.

Também na base de apoio de Donald Trump, onde se inclui o movimento MAGA, grassa a contestação à intervenção militar no Irão, a segunda em pouco mais de oito meses. A ex-congressita Marjorie Taylor Greene veio a público questionar o presidente sobre se tinha perdido de vista o seu lema de colocar a “América em primeiro lugar” e acusou Trump de traição. “Desta vez parece a pior traição porque vem justamente do homem e da administração que todos acreditávamos ser diferente”.

O comentador Tucker Carlson classificou a guerra como o Irão como “maligna” e “repugnante”. Jack Posobiec, um ativista de direita, comentou nas redes sociais: “No ano passado, Charlie Kirk disse-nos que a geração mais jovem de americanos está muito mais interessada em política interna do que em conflitos internacionais, e não nos podemos esquecer disso em um ano de eleições intercalares”.

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