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França. Emmanuel Macron anuncia aumento do número de ogivas nucleares e cooperação mais estreita com outros países europeus

Doutrina de "dissuasão avançada" prevê maior cooperação entre França e países europeus com objetivo de reforçar defesa comum. Envio temporário de forças aéreas francesas para aliados pode ser opção.

Manuel Nobre Monteiro
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O Presidente francês anunciou esta segunda-feira que o país irá aumentar o número de ogivas nucleares no âmbito daquilo que considera ser uma nova doutrina de “dissuasão avançada”, noticiou o Le Monde. Emmanuel Macron afirmou também que, ao contrário do que aconteceu até aqui, não irá comunicar o número concreto do seu arsenal nuclear, nem agora, nem no futuro.

Os novos tempos requerem um endurecimento da doutrina nuclear francesa. Ordenei um aumento no número de ogivas nucleares no nosso arsenal”, disse Macron, acrescentando que o plano de “dissuasão avançada” prevê uma cooperação mais estreita entre França e oito países europeus: Alemanha, Reino Unido, Polónia, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca.

A iniciativa, segundo explicou Macron, passa por “reforçar a defesa, dando-lhe maior alcance” e oferecendo uma “nova convergência estratégica“, ajustada aos atuais desafios de segurança na Europa”.

Os oito Estados poderão, assim, participar no “apoio”, ou seja, na parte convencional do projeto. Isto inclui, de acordo com Macron, “a participação convencional das forças aliadas nas atividades nucleares francesas, que poderão espalhar-se pela profundidade do continente europeu para complicar os cálculos dos nossos adversários.” A ideia permite, assim, “o destacamento temporário de elementos das forças aéreas estratégicas [francesas] para países aliados”.

Segundo os dados disponibilizados pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), Paris terá cerca de 300 ogivas nucleares, o quarto maior arsenal do mundo, ficando atrás da Rússia (4300), dos Estados Unidos (3700) e da China (600). Depois de França está o Reino Unido, com 225 ogivas.

No seu discurso na base de Île Longue, que alberga os submarinos nucleares do país, o líder francês anunciou, ainda, a construção de um submarino de mísseis balísticos movido a energia nuclear. “Uma modernização do nosso arsenal [nuclear] é essencial. O futuro submarino de mísseis balísticos de propulsão nuclear, que ostentará a bandeira francesa, chamar-se-á Invincible e será lançado em 2036”.

“Hoje pode ser dado um novo passo na dissuasão de França. A dissuasão deve permanecer um princípio francês inviolável. Todos aqueles que tiverem a audácia de atacar França sabem o preço insuportável que terão de pagar”, alertou Macron.

O Presidente de França lamentou o enfraquecimento dos acordos internacionais de controlo de armamentos e criticou a postura europeia em matéria de segurança. Segundo afirmou, os europeus habituaram-se a depender de “regras estabelecidas por terceiros”, muitas delas negociadas durante a Guerra Fria sem a sua participação direta.

“O que desejo acima de tudo é que os europeus retomem o controlo do seu próprio destino“, concluiu o Presidente francês, apelando à reconstrução de um novo quadro de regras de segurança em cooperação com os seus aliados.

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