É um dos fenómenos do atletismo nos tempos modernos. Chama-se Armand Duplantis, tem 26 anos e, apesar de ter nascido nos Estados Unidos, em Luisiana, representa a Suécia por influência da mãe, que foi voleibolista. É conhecido por Mondo que, para além de ser a sua alcunha, espelha bem o seu impacto. Afinal, Armand tem o mundo a seus pés. Foi em pequeno que Duplantis, que é ainda filho de Greg, antigo saltador norte-americano, começou a ter contacto com o salto em altura, treinando num campo de transpolins que ficava junto à sua casa. Pouco depois, conquistou a sua primeira medalha num Campeonato do Mundo em 2017, em Doha, quando foi prata com os mesmos 5,97 metros de Sam Kendricks, o medalha de ouro. Em 2020 chegou aos 6,17 e quebrou o recorde do mundo pela primeira vez, superando Renaud Lavillenie, que mantinha o registo desde 1993.
Seguiram-se mais 13 recordes do mundo e uma ascensão até aos 6,30 metros, marca que Duplantis atingiu em setembro, nos Mundiais de Tóquio. Aos 26 anos, o sueco é um autêntico caça medalhas (e recordes) do atletismo, tendo já dois ouros olímpicos, três ouros e uma prata em Mundiais, três ouros em Mundiais de pista coberta, cinco ouros na Liga Diamante e três ouros em Europeus. Contudo, ao contrário do que aconteceu na última década, Mondo Duplantis pode estar prestes a ter um rival à sua altura: Emmanouil Karalis, um grego que é maior (1,86 metros contra 1,81), mais pesado (81 quilos contra 79), mais rápido e mais potente, embora sem atingir os níveis do sueco nestes capítulos.
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Depois de ter sido prata em Tóquio, a 30 centímetros de Mondo (fez 6,00), o atleta, que nasceu em Atenas e é igualmente conhecido como Manolo, voltou a inscrever o seu nome no álbum de feitos do salto com vara. No passado sábado, Karalis chegou aos 6,17 metros nos Campeonatos Nacionais indoor da Grécia, tornando-se no segundo maior saltador de sempre, só superado por Duplantis. Para além disso, bateu o seu recorde pessoal em pista coberta e ao ar livre, e superou alguns dos maiores atletas de sempre da modalidade, como Lavillenie ou Sergi Bubka (chegou aos 6,15). Filho do grego Haris Karalis, que foi atleta do decatlo, e da ugandesa Sarah Mulunga, Manolo está agora a 13 centímetros do sueco e é apontado como o seu grande rival, podendo inclusivamente ombrear consigo no futuro.
“Não sei o que está a acontecer, pessoal. Estou a viver um sonho, não me acordem! Estou muito feliz. Consegui realizar um dos meus sonhos aqui em Paiania, a casa do atletismo… Não consigo imaginar que superei Sergei Bubka e Renaud Lavillenie. Era definitivamente algo que sempre quis fazer, acreditávamos nisso, eu falava disso comigo mesmo, mas alcançá-lo é algo muito grandioso. Todas as pessoas que amo estiveram aqui. Simplesmente não consigo acreditar no que aconteceu. Tenho uma equipa que acredita muito em mim. Ter pessoas a incentivar-me a realizar os meus próprios sonhos também é muito motivador. Não cheguei aos 6,31 porque ainda estava cansado, mas estabeleci a fasquia num recorde mundial, por isso estou feliz com isso. Neste momento, se não fosse o Duplantis, eu era o recordista mundial. Isso mostra o quão alto a nossa competição chegou”, explicou o grego ao gazzetta.gr. Na competição, Karalis colocou a fasquia aos 6,31, mas desistiu depois de duas tentativas inválidas.
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Curiosamente, Karalis e Duplantis nasceram no mesmo ano (1999), separados por… 21 dias. O sueco é ligeiramente mais novo, tendo nascido a 10 de novembro, ao passo que o grego comemora o seu aniversário a 20 de outubro, o que faz com que esta se possa tornar numa rivalidade geracional.