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(A) :: Morte de Ali Khamenei traz "nova esperança" mas risco de instabilidade, avisa Von der Leyen após ataques dos EUA e Israel

Morte de Ali Khamenei traz "nova esperança" mas risco de instabilidade, avisa Von der Leyen após ataques dos EUA e Israel

Chefes da diplomacia dos 27 da UE reuniram em videoconferência de emergência. Presidente da Comissão exige fim do programa nuclear e de mísseis balísticos iranianos na transição.

Agência Lusa
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu uma “transição credível” no Irão após a morte do líder supremo, Ali Khamenei, durante ataques norte-americanos e israelitas, alertando para o risco de escalada.

Os chefes da diplomacia dos 27 países da União Europeia (UE) realizaram discussões de emergência, por videoconferência, sobre os desenvolvimentos no Médio Oriente.

Para Von der Leyen, a morte de Ali Khamenei traz “uma nova esperança para o povo iraniano”.

“Temos de garantir que o futuro lhe pertença e que ele possa moldá-lo”, escreveu a presidente da Comissão nas redes sociais.

Mas “ao mesmo tempo, este momento acarreta um risco real de instabilidade que pode mergulhar a região numa espiral de violência”, adiantou.

“O risco de escalada é real. É por isso que é urgente uma transição credível”, escreveu também.

“Isso deve significar o fim do programa nuclear militar iraniano e do programa de mísseis balísticos, bem como o fim dos atos de desestabilização”, sublinhou ainda.

A presidente da Comissão Europeia indicou ter conversado por telefone com o rei Abdullah II da Jordânia, o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad al-Thani, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, considerou que a morte de Ali Khamenei representava “um momento decisivo na história do Irão”.

“O que se seguirá é incerto”, disse, acrescentando que “agora existe um caminho aberto para um Irão diferente” e que “o seu povo poderá ter mais liberdade para o moldar”.

A NATO, por seu lado, anunciou também que iria ajustar o posicionamento das suas forças para garantir a segurança dos seus 32 Estados membros face a “potenciais ameaças”, tais como mísseis balísticos ou drones provenientes do Irão e da sua região, “ou de outras regiões”.

Já o secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, apelou à união da Europa para travar o conflito no Médio Oriente e pediu respeito pelo direito internacional.

Em comunicado, Alain Berset sublinhou que o conflito que escalou no sábado é também “um teste para saber se a Europa pretende moldar a ordem que está a surgir ou se vai só observar a sua fragmentação”.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.

O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.

Segundo a Cruz Vermelha iraniana, foram registados pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.

Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.