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Greenpeace critica decisão da OPEP+ de aumentar produção de petróleo

Decisão de produzir mais 206 mil barris por dia surge quando Estreito de Ormuz está em risco. ONG defende que só energias renováveis garantem independência dos conflitos geopolíticos.

Agência Lusa
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A Greenpeace considerou este domingo que a decisão da aliança petrolífera OPEP+ em aumentar a produção de petróleo, um dia após o ataque contra o Irão, mostra que a paz estará sempre à mercê da geopolítica devido à dependência petrolífera.

“A reunião da OPEP+ deixa uma coisa clara: enquanto o nosso mundo funcionar com petróleo e gás, a nossa paz, segurança e bolsos estarão sempre à mercê da geopolítica”, criticou o presidente executivo da Greenpeace International, Mads Christensen.

https://observador.pt/2026/03/01/opep-anuncia-aumento-de-producao-em-mais-206-mil-barris-por-dia/

Para o dirigente da associação ambientalista, citado em comunicado, este aumento até poderá aliviar temporariamente a pressão sobre os preços, mas “não resolve a vulnerabilidade estrutural no cerne desta crise recorrente: a dependência contínua do mundo dos combustíveis fósseis”.

A aliança petrolífera OPEP+ anunciou que aumentará a produção de petróleo bruto em mais 206 mil barris por dia, sem mencionar o ataque contra o Irão, que mantém os mercados energéticos em alerta.

A Greenpeace pede que os vários líderes políticos procurem “soluções pacíficas e diplomáticas e garantam o acesso a energia sustentável e acessível para substituir a volatilidade da ordem mundial impulsionada pelos combustíveis fósseis”, considerando que a energia renovável “permite a produção local de energia e não é refém de conflitos geopolíticos”.

Apelando a um cessar-fogo imediato, a organização não governamental lamentou que as pessoas estejam “a sofrer as consequências da violência e dos ataques flagrantes de Donald Trump ao Direito Internacional”.

Com o conflito regional está em risco o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo.

O preço do barril de petróleo Brent, de referência na Europa e para entrega em abril, já tinha incorporado um prémio de risco antes do conflito, atingindo mais de 72 dólares na sexta-feira, e pode subir acentuadamente assim que os mercados reabrirem esta segunda-feira.

No sábado, segundo a Força Naval da União Europeia, a Guarda Revolucionária do Irão avisou via rádio que “não é autorizada” a passagem pelo estreito de Ormuz, rota essencial do comércio mundial de petróleo.

O Estreito de Ormuz (uma estreita passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico) é muito importante para o tráfego de petróleo, mas também de gás natural liquefeito.

Quanto ao Irão, é um dos membros fundadores da OPEP (em 1960) e, em janeiro passado, produziu aproximadamente 3,1 milhões de barris por dia, segundo fontes independentes, cerca de 11% da produção total dos 12 membros do grupo.

Dentro da aliança OPEP+, o Irão era o quarto maior produtor até 2025, atrás de Rússia, Arábia Saudita e Iraque. Já nos últimos meses foi ultrapassado pelos Emirados Árabes Unidos.