No sábado de manhã, o Líder Supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, reuniu-se numa localização secreta com o secretário de Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, e um dos seus conselheiros mais próximos, Ali Shamkani. Depois, seguiu com Shamkani para um encontro no seu gabinete com os seus principais conselheiros militares e políticos. Foi durante essa reunião que Khamenei foi morto, avançaram responsáveis norte-americanos à agência Reuters.
Ali Shamkani também morreu. O conselheiro tinha chegado a ser dado como morto durante a Guerra dos 12 dias, em junho. Desta vez, a sua morte foi confirmada pelos media estatais iranianos, assim como de outros líderes que estavam na mesma reunião. E se Shamkani sobreviveu à guerra em junho, o mesmo não aconteceu aos então Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o líder da Guarda Revolucionária.
Passados oito meses da guerra, os oficiais que ocuparam esses dois cargos depois da guerra com Israel também foram também mortos. A liderança das Forças Armadas estava entregue Abdolrahim Mousavi, enquanto a liderança do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica pertencia a Mohammad Pakpour. A lista de vítimas mortais inclui ainda o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o chefe dos serviços de informação da polícia, Gholam Reza Rezaeian. Ao todo, o Exército israelita diz ter matado 40 comandantes “chave” do regime iraniano.
Para além da cúpula política e militar do regime, os media iranianos também confirmaram a morte de vários familiares do ayatollah: uma das filhas, um neto, o genro e a nora. Ali Khamenei deixa ainda outra filha, quatro filhos e vários netos. O seu segundo filho, Mojtaba, é apontado como um possível sucessor, mas Khamenei ter-se-á oposto a essa possibilidade.
Confirmada a morte de Khamenei pelo regime iraniano, o que só aconteceu no domingo de madrugada, impõe-se agora a questão da sucessão. “Preparámo-nos todos para estes momentos e considerámos todos os cenários”, declarou, numa transmissão televisiva na manhã deste domingo, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano. Essa preparação esteve entregue, em grande parte a Ali Larijani, o conselheiro com que Khamenei se encontro na manhã antes de ser morto.
Coube, portanto, a Larijani anunciar a formação de um conselho de transição logo na manhã deste domingo. Esse conselho já entrou em funções e iniciou trabalhos, sendo composto por três figuras: o Presidente, o responsável pelo poder judicial e um jurista.
O Presidente, Masoud Pezeshkian, é considerado um reformista, com uma posição mais moderada do que o ayatollah. Porém, este domingo, o chefe de Estado reservou a Teerão o “dever e o direito legítimo” de “retaliar e vingar” a morte do Líder Supremo. O líder do poder judicial é Golamhosein Mohseni Eyei, um clérigo que ocupa o cargo desde 2021 e que, antes disto, foi ministro dos Serviços Secretos e procurador-geral. É uma figura alinhada com a ala mais conservadora do regime.
O cargo do jurista foi anunciado posteriormente que tinha sido entregue a Alireza Arafi, um ayatollah “influente no estabelecimento religioso da República Islâmica, mas não um ator político largamente aceite”, descreve a Al Jazeera. Arafi integra o Conselho de Guardiões da Constituição e a Assembleia de Especialistas, responsáveis, respetivamente, por supervisionar o poder legislativo e a escolha do Líder Supremo. Este trio terá como responsabilidade assumir a governação do país até ser escolhido um novo líder.