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(A) :: Já são conhecidos os 10 finalistas do Festival da Canção 2026. Grande final acontece a 7 de março

Já são conhecidos os 10 finalistas do Festival da Canção 2026. Grande final acontece a 7 de março

Dos dez finalistas, sete anunciaram previamente que, se vencerem esta edição, não vão representar Portugal em Viena no 70.º Festival Eurovisão da Canção, por protesto contra a participação de Israel.

António Moura dos Santos
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Decorrida a segunda semifinal do Festival da Canção 2026 este sábado à noite, foram estes os cinco últimos apurados à final: Silvana Peres, com Não tem fim; Bandidos do Cante, com Rosa; João Ribeiro, com Canção do querer; Sandrino, com Disposto a tudo e Gonçalo Gomes, com Doce Ilusão.

Os quatro primeiros foram escolhidos entre os votos dos jurados e do público (50% para cada), tendo o quinto sido escolhido somente pelos votos do público. O júri desta edição é constituído por Lena D’Água, Diana Vilarinho, Joana Espadinha, Tó Cruz (todos eles artistas que já concorreram anteriormente) e pelo jornalista Mário Rui Vieira.

Estes juntam-se assim aos finalistas já apurados: Nunca Mates o Mandarim, que apresentaram Fumo; Marquise com Chuva; Dinis Mota com Jurei; Evaya com Sprint e André Amaro com Dá-me a tua mão. Os dez finalistas vão então apresentar-se no derradeiro certame marcado para 7 de março, com o vencedor a ter a oportunidade de representar Portugal no 70.º Festival Eurovisão da Canção, em maio, sendo realizado em Viena, Áustria.

No entanto, mantém-se uma incógnita se haverá participação portuguesa no famoso concurso musical, visto que a maioria dos participantes desta edição do Festival da Canção assinaram em dezembro um comunicado anunciando a sua recusa em representar o país, em protesto contra a participação de Israel na Eurovisão. Do total de apurados, só André Amaro, os Bandidos do Cante e Sandrino não renunciaram, para já, a uma hipotética participação no evento europeu.

Este ano serão 35 os países a competir na Eurovisão, após desistências de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, devido à participação de Israel no concurso, e regressos à competição da Bulgária, da Roménia e da Moldávia, ao fim de três, dois e um ano de ausência, respetivamente.

Esta segunda semifinal foi conduzida por Filomena Cautela, secundada por Catarina Maia e Alexandre Guimarães, numa cerimónia novamente transmitida pela RTP a partir dos Estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, Oeiras. Sem os sobressaltos técnicos que afetaram a primeira semifinal, esta segunda foi marcada tacitamente pelo conflito em curso no Médio Oriente, com Cautela a apelar ao público que “sejam gentis, porque para crueldade já basta o mundo, que sabe lá Deus como está”.

No que toca às outras atuações que não dos temas a concurso, Edmundo Inácio — que ficou em segundo lugar na edição de 2023 — interpretou Menina do Alto da Serra, de Tonicha. Tema composto por Nuno Nazareth Fernandes a partir de um poema de Ary dos Santos, foi com ele que a cantora venceu a edição de 1971 e representou Portugal na Eurovisão em Dublin, ficando em 9º lugar, o melhor resultado português obtido à data. O cantor algarvio trouxe esta canção para o nosso tempo, dando-lhe uma roupagem pop e fazendo-se acompanhar pelas dançarinas do projeto Questionmark.

https://youtu.be/jLXhl20rSKI?si=OEMt-o0kP_TXTcuU

A palco subiram também Tatanka, Patrícia Antunes e Patrícia Silveira para interpretarem Ele e Ela, de Madalena Iglésias e com composição de Carlos Canelhas, sendo o tema que venceu o Festival da Canção de 1966. O guitarrista e vocalista dos The Black Mamba — que venceram o concurso em 2021 e representaram Portugal na Eurovisão com Love Is On My Side —, infundiu este tema de soul e funk, chegando mesmo a incluir interpolações de Living For the City, de Stevie Wonder, no início e no fim da atuação.

Dos 16 temas a concurso neste 60.º Festival da Canção, oito resultaram de convites feitos pela RTP, seis foram escolhidos de entre as submissões livres, um foi escolhido pelos vencedores do ano passado (no caso, os NAPA, que designaram o tema dos Nunca Mates o Mandarim) e outro chegou via “prova de acesso”, uma novidade que resulta de uma parceria do festival com instituições de ensino artístico.

Estas são as dez canções apuradas para a final:

“Não tem fim”

Silvana Peres

https://youtu.be/tXNpPjW2wZc?si=nmV-P_fFp039UsKT

Da parceria entre a composição de Rita Dias e a interpretação de Silvana Peres nasceram duas canções que vão integrar o próximo álbum da fadista, A Todas As Mulheres. Das duas, Não tem fim apurou-se pelo processo de livre submissão de canções. Não só o tema celebra o feminino como Silvana Peres — fadista de monta que faz parte do elenco residente do Clube de Fado, em Lisboa — apresentou-se também com um vestido que, como comentou durante a emissão, simboliza “todas as feridas sofridas pelas mulheres” ao longo dos tempos.

“Rosa”

Bandidos do Cante

https://youtu.be/r4uiRP4rAbg?si=NhfM7FhmGWvpowfg

Miguel Costa, Duarte Farias, Francisco Raposo, Luís Aleixo e Francisco Pestana formam os Bandidos do Cante, que concorreram a convite da RTP. Oriundo de Beja, o grupo integra a uma nova geração que tem aliado a tradição do cante alentejano a novas abordagens e roupagens pop. A sua popularidade mede-se pelo facto de, no final de 2025, já terem 300 mil ouvintes mensais no Spotify com apenas três singles editados em nome próprio. Em janeiro estrearam-se nos lançamentos com o álbum Bairro das Flores.

“Canção do querer”

João Ribeiro

https://youtu.be/RpTEm60EqyI?si=9FFYkG06pVVhTiKO

Ao ser convidada a compor uma canção para concorrer nesta edição, a cantora Cristina Branco afirmou esta noite que João Ribeiro surgiu-lhe imediatamente como primeira escolha depois de ouvi-lo atuar num concerto na Fundação Calouste Gulbenkian em 2025. Baterista formado na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, do Porto, tem feito parte do circuito nacional de jazz. No entanto, também começou a distinguir-se não só pelas baquetas, mas também pela voz, passando a liderar um quinteto com o seu nome.

“Disposto a tudo”

Sandrino

https://youtu.be/KQSKHkDHpZw?si=bieywM0Z2eVXLuPZ

Canção também ela participante através da submissão livre de temas a concurso, é da autoria de Sandrino e do compositor e produtor musical Francesco Meoli, com quem já trabalhou no seu EP de estreia, Ser, de 2025. Com formação no Hot Clube de Portugal e predileção pela Música Popular Brasileira, o guitarrista e cantor algarvio apresentou este tema inspirado pela bossa nova com o objetivo de “divertir-se e fazer divertir”.

“Doce Ilusão”

Gonçalo Gomes

https://youtu.be/1Ayx4Bl8SuM?si=t3Xk9_hc0ACY3SqJ

Canção apurada pelo voto do público, Doce Ilusão é da autoria de Gonçalo Gomes, que concorreu através do processo de livre submissão. O artista de Anadia, que já conta com uma participação prévia no programa The Voice, fez-se acompanhar de quatro dançarinas de figurino futurista ao interpretar este tema pop. Durante a emissão, confessou que a sua inspiração é Beyoncé, à qual agradece sempre antes de subir a palco para dar sorte.

“Fumo”

Nunca Mates o Mandarim

https://www.youtube.com/watch?v=F3p31nziXSw

Os Nunca Mates o Mandarim chegam ao festival a convite dos NAPA, vencedores da edição de 2025, com a canção Fumo. João Amorim (voz), João Cabral Campello (bateria) e Manuel Dinis (guitarra) são três portuenses que integram a banda de indie-pop-rock que lançou o primeiro álbum em 2026, Bola de Bilhar.

“Chuva”

Marquise

https://www.youtube.com/watch?v=pPHCiLC_3FM

A banda de rock do Porto composta por Mafalda Rodrigues, Miguel Azevedo, Miguel Pereira e Matias Ferreira tem dado nas vidas desde que editou Ela Caiu, o seu álbum de estreia, em 2025. “A forma como tomaram o circuito de assalto e começaram a surgir nos radares da cena alternativa já levou alguns a considerá-los “a próxima grande cena” do rock nacional”, resumia o Observador, há um ano.

“Jurei”

Dinis Mota

https://youtu.be/2mYU8-dXC_4

Dinis Mota aterrou no Festival da Canção através da prova de acesso, uma nova iniciativa do certame em colaboração com instituições de ensino. O jovem de 23 anos natural de Aveiro é estudante do Mestrado de Artes e Tecnologias do Som na ESMAE do Porto e, como revelou na primeira semifinal, foi desafiado por um professor a participar.

“Sprint”

Evaya

https://youtu.be/Ot7SvwCpBho

Pese embora as dificuldades técnicas na atuação da primeira semifinal, o pop electrónico de Evaya (nome artístico de Beatriz) convenceu. A jovem de Poceirão, no concelho de Palmela, foi uma das artistas convidadas pela RTP a participar nesta edição do Festival da Canção, dois anos depois de se ter estreado com o álbum Abaixo das Raízes Deste Jardim (2024).

“Dá-me a tua mão”

André Amaro

https://youtu.be/5mQMjICfJnE

Também convidado pela RTP, André Amaro chega à final via voto do público — que este ano pode ser feito não só por chamada telefónica, mas também online. O cantor nascido na Aldeia do Bispo, concelho do Sabugal, não se está a estrear nos concursos: como integrante do grupo Sangre Ibérico chegou à final do programa Got Talent Portugal, em 2016. Mas desde 2019 que André Amaro apostou numa carreira a solo, num território entre o fado e o flamenco.