Labaredas altas junto a dos hotéis mais luxuosos numa das zonas mais icónicas do Dubai. Um silêncio estranho num dos aeroportos mais movimentados do mundo, em Doha, com voos suspensos e passageiros retidos, sem dizer palavra depois do caos inicial. E, mais a norte, no Bahrain, imagens de um míssil a atingir um edifício ligado à presença militar norte-americana. Em poucas horas, a escalada entre o Irão, os Estados Unidos e Israel deixou marcas visíveis em três pontos estratégicos do Golfo.
Dubai: fumo na Palm Jumeirah
As imagens começaram a circular nas redes sociais: chamas e uma coluna de fumo na zona da Palm Jumeirah, a famosa ilha artificial em forma de palmeira que concentra alguns dos hotéis mais caros do Dubai e as casas de muitos famosos. Neste caso, trata-se do hotel Fairmont The Palm, uma confirmação já devidamente verificada, depois de se ter pensado primeiro em inteligência artificial — até porque se via fumo noutras imagens junto ao Burj Khalifa (aquele que já foi o edifício mais alto do mundo), mas que não chegou a ser evacuado, ao contrário do que foi inicialmente avançado.
https://twitter.com/visegrad24/status/2027786256512319502
Segundo a Sky News, os vídeos que mostram fogo nas imediações do hotel surgiram depois dos sistemas de defesa aérea do Dubai terem intercetado mísseis lançados pelo Irão na região. A Reuters noticiou que o Irão disparou mísseis e drones contra alvos ligados aos EUA no Golfo, durante a ação de retaliação aos ataques de Israel e dos EUA. As autoridades locais falaram num incidente e tudo indica que o incêndio terá sido provocado por destroços de projéteis abatidos no ar — não há confirmação oficial de que o hotel tenha sido atingido diretamente.
No entanto, num dos países mais seguros do mundo — local de residência de muitos famosos e de férias para viajantes de todo o mundo, onde trabalham também muitos estrangeiros, entre eles portugueses — estes ataques terão sido completamente inesperados. Há quatro feridos ligeiros, mas não se conhecem as nacionalidades.
https://twitter.com/AlArabiya_Eng/status/2027790724867985886
Doha: aeroporto parado por precaução
No Qatar, não houve explosões visíveis, mas houve um outro impacto imediato. O Hamad International Airport, na capital, Doha, suspendeu as operações depois de o país ter fechado temporariamente o espaço aéreo.
A ABC News Australia relatou cancelamentos e desvios em massa, com passageiros retidos no terminal e as companhias aéreas a reorganizar as rotas. A Qatar Airways confirmou a suspensão temporária de voos de e para Doha.
https://twitter.com/repsaccore/status/2027802103901786553
Não há indicação de que o aeroporto tenha sido alvo de ataque direto. A paralisação foi uma medida preventiva perante o risco de mísseis a atravessarem o espaço aéreo da região. E se primeiro se vê um caos, com pessoas a correr em todas direções, depois há um estranho silêncio neste que é um dos aeroportos mais movimentados do mundo.
Bahrain: impacto numa instalação militar
Foi no Bahrain que se registou o episódio mais direto. Vídeos analisados por meios internacionais mostram um míssil a atingir um edifício dentro do complexo associado à Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, perto de Manama.
O Washington Post verificou imagens do momento do impacto num prédio ligado ao comando naval norte-americano (NAVCENT). As explosões foram visíveis, com muito fumo a sair da zona da base norte-americana.
Não há confirmação de que um arranha-céus civil no centro de Manama tenha sido atingido, apesar de rumores nas redes sociais. O alvo identificado nas imagens, esse tal prédio alto, situa-se dentro do complexo militar, e não é o maior prédio do Bahrain, nem é civil.
https://twitter.com/afpfr/status/2027760792762814899
Três geografias diferentes, três tipos de impacto distintos — fogo colateral no Dubai, bloqueio preventivo em Doha e impacto direto numa infraestrutura militar no Bahrain — mas um mesmo pano de fundo: uma escalada que, em poucas horas, saiu dos comunicados diplomáticos e passou a ser visível no terreno.