A decisão foi tomada. Os Estados Unidos da América (EUA) e Israel estão a colocar em marcha um ambicioso e arriscado plano: derrubar o regime iraniano. Para isso, os dois países atacaram este sábado vários locais onde estariam escondidos os principais rostos da República Islâmica, incluindo o local onde vive o Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei. O ayatollah terá morrido na sequência dos bombardeamentos, com fontes israelitas a assegurar que o seu corpo foi encontrado entre os escombros.
Ao longo deste sábado, através de várias vozes, o Irão foi desmentindo estas informações, assegurando que o ayatollah estaria “são e salvo”, assim como o Presidente, Masoud Pezeshkian, cujo paradeiro ainda é desconhecido. A meio do dia, falou-se na possibilidade de o Líder Supremo discursar à nação, algo que nunca se concretizou. Mesmo depois de Israel anunciar a morte, o regime iraniano denuncia uma “guerra psicológica” levada a cabo pelos inimigos, recusando-se a confirmar essa hipótese.
“Posso dizer-vos com confiança que o líder da Revolução está firme e inabalável a comandar no terreno”, asseguram fontes iranianas na televisão estatal. As evidências apontam, no entanto, que o ayatollah tenha sido morto, com Israel a destacar que tem na sua posse registos fotográficos que o comprovam. O Presidente norte-americano, Donald Trump, também confirmou que Ali Khamenei — “uma das pessoas mais cruéis da História” — está morto.
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Tudo leva a crer que o regime iraniano vai atravessar uma nova e derradeira fase perante uma ofensiva israelo-americano e sem o Líder Supremo que esteve 37 anos à frente da República Islâmica e outros altos dirigentes que também morreram na sequência dos ataques. Além de Ruhollah Khomeini — o revolucionário que fundou o regime dos clérigos xiitas —, Ali Khamenei foi apenas o segundo Líder Supremo da História do Irão. Mas o regime não é personalista e preparou-se para todos os cenários, mesmo aqueles em que o ayatollah não estava na equação.
Derrubar o regime? É uma “missão impossível”, garantem iranianos
Esta é a segunda operação militar norte-americana que decapita uma liderança no estrangeiro desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca. Há menos de dois meses, os Estados Unidos atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente deposto do país, Nicolás Maduro. A operação militar norte-americano foi rápida e eficaz. Ainda assim, o regime venezuelano não colapsou. A Casa Branca deu permissão para que se mantivessem à frente do país rostos associados ao chavismo, como a atual chefe de Estado e ex-vice-presidente, Delcy Rodríguez. Mas esta foi obrigada a mudar radicalmente o comportamento: os chavistas deram uma volta de 180 graus na gestão da política externa e passaram a colaborar com os EUA, em vez de os hostilizar.
No Irão, esse cenário de vitória rápida e de colaboracionismo está muito longe de se materializar, mesmo sem Ali Khamenei. O regime é uma teocracia com quase 50 anos, caracterizada por uma forte coesão e organização. A ideologia e a devoção ao xiismo desempenham um papel fundamental na República Islâmica, funcionando como a cola que une diferentes dirigentes e que lhes dá a força para aguentarem vários sacrifícios — incluindo a morte. Nos microfones da rádio Observador, o antigo secretário-geral adjunto da ONU, Victor Ângelo, descreveu que o Irão é um “osso duro de roer”.
https://observador.pt/programas/gabinete-de-guerra/ataque-dos-eua-e-israel-irao-e-um-osso-duro-de-roer/
Aliás, a base da República Islâmica sempre foi militarista. Em 1979, os revolucionários tomaram o poder nas ruas e depuseram a monarquia dos xás da Pérsia com recurso à força, cerrando fileiras entre apoiantes e perseguindo rivais internos. Esse modus operandi ficou inscrito no funcionamento do regime, que viveu praticamente sempre rodeado de inimigos — desde a rival sunita Arábia Saudita ao Iraque, país com quem travou um sangrento conflito nos anos 80. A Guarda Revolucionária Iraniana emergiu como o poderoso braço armado de um país considerado um pária pelos vizinhos.
Mesmo com o poderoso dispositivo militar norte-americano no Médio Oriente e perante as ameaças do rival geopolítico em Telavive, o Irão nunca recuou. Antes dos ataques deste sábado, a República Islâmica mantinha uma postura assertiva, não cedendo perante as exigências maximalistas norte-americanas durante as negociações sobre o programa nuclear na Suíça. Depois dos ataques dos EUA e de Israel, a República Islâmica manteve o finca-pé e atacou vários países aliados e que acolhem bases militares de Washington no Médio Oriente — Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e até a poderosa Arábia Saudita.
Desafiador, numa entrevista ao canal de televisão norte-americano NBC o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou este sábado que não se “pode fazer uma mudança de regime” no Irão. “Isso é uma Missão Impossível”, declarou o chefe da diplomacia, numa alusão à saga de filmes protagonizada por Tom Cruise. “Temos uma estrutura política muito sólida. Os Estados Unidos já tentaram isto antes. Todas as tentativas falharam. Se quiserem continuar a repetir experiências falhadas, não terão resultado algum.”

Os Estados Unidos e Israel estão conscientes de que a operação militar para derrubar o regime não será tão curta como a que aconteceu na Venezuela. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, prometeu que a “campanha dolorosa” contra o Irão “vai continuar o tempo que for preciso”. A Casa Branca está a contar com uma operação militar que pode levar semanas até ser concluída (“enquanto for necessário” nas palavras do Presidente), mesmo com os riscos que pode acarretar para a popularidade de Donald Trump junto da sua base eleitoral.
https://observador.pt/especiais/com-eleicoes-a-porta-e-sem-apoio-interno-23-anos-depois-estados-unidos-arriscam-nova-guerra-aberta-no-medio-oriente/
A preparação para a guerra e como Ali Khamenei foi preparando a sucessão. “Regime é o seu legado”
Antes da muito provável morte, o Líder Supremo iraniano ordenou que o Irão se preparasse para a guerra com os Estados Unidos e Israel e traçou planos para a sucessão. Desde o início de janeiro de 2026, data em que começaram os protestos contra o regime, havia a possibilidade de os EUA atacarem o território iraniano. O Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu aos manifestantes que a “ajuda ia a caminho”. O apoio da Casa Branca demorou semanas a chegar — e o regime não desperdiçou esse intervalo de tempo.
Os preparativos estão em curso há pelo menos um mês e meio. O Líder Supremo confiou em Ali Larijani, antigo comandante da Guarda Revolucionária e líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, para elaborar os planos para o caso de uma ofensiva. Este homem, que terá ganhado a confiança de Ali Khamenei, já tinha dito, numa entrevista à Al Jazeera, que o Irão estava “pronto” para um conflito.

“Estamos definitivamente mais poderosos do que antes”, declarou Ali Larijani. O aliado do Líder Supremo iraniano assinalou que o Irão corrigiu os “erros” defensivos e ofensivos que cometeu na Guerra dos Doze Dias, que travou contra Israel em junho de 2025. “Nós não estamos à procura de guerra e não a vamos começar. Mas se nos forçarem, vamos responder”, ameaçou, na entrevista gravada em meados de fevereiro.
A preparação para a guerra não se cingia ao âmbito militar. Era também política e religiosa. Israel já tinha ameaçado que tinha capacidade para rastrear e matar Ali Khamenei durante a Guerra dos Doze Dias — o Estado judaico terá querido, na altura, colocado esse plano em marcha, mas Washington não terá dado luz verde. Posta esta ameaça, o Irão determinou a linha de sucessão e o que fazer caso comandantes militares, líderes religiosos e políticos fossem mortos.
Uma estratégia que, aliás, já foi posta em prática em Gaza e no Líbano nos últimos anos. Nas guerras que Israel travou contra o Hamas e o Hezbollah, ficou bem clara a fluidez do comando militar daqueles dois grupos que formam parte do Eixo de Resistência iraniano no Médio Oriente. Sempre que um dos líderes era morto, o lugar era rapidamente ocupado por outro dirigente que sabia perfeitamente as responsabilidades que tinha pela frente. A guerra não parava por causa da morte de um comandante.

Tendo em conta a animosidade que Israel sente pelo Líder Supremo e as ameaças que fez em junho de 2025, o Irão sabia que esse cenário poderia concretizar-se se houvesse uma nova operação militar. Várias fontes da Guarda Revolucionária Iraniana ouvidas pelo New York Times indicaram que Ali Khamenei fez uma série de diretivas. Numa delas pediu os todos altos dirigentes que apontassem quatro possíveis substitutos. Com base nessas escolhas, foi determinada a sucessão em vários postos.
Além disso, ciente de que poderia ser morto (o que se terá concretizado), Ali Khamenei delegou responsabilidades no seu núcleo duro para lidar com um eventual conflito. Em junho de 2025, numa altura em que ficou confirmado que se escondeu num bunker por conta dos ataques israelitas ao Irão, o ayatollah nomeou três nomes para o substituir nas funções de Líder Supremo. Apesar da especulação e de a imprensa iraniana elencar uma série de nomes, as identidades nunca foram confirmadas — mas esses planos deverão ter sido novamente tidos em conta antes da ofensiva israelo-americana.
“Khamenei lidou com a realidade que tinha à frente dele”, afirmou, em declarações ao New York Times, Vali Nasr, especialista na teocracia iraniana. O analista sinalizou que a Ali Khamenei nunca assustou a ideia de se tornar um “mártir” se morresse durante bombardeamentos norte-americanos; o mais importante para ele nem era a própria morte ou como a mesma será interpretada: o essencial é garantir que o regime sobreviva. “Ele espera ser um mártir e pensa: ‘Este é o meu sistema e o meu legado, vou manter‑me firme até ao fim’. Distribuiu poder e preparou o Estado para a próxima grande coisa, seja sucessão ou guerra, consciente de que a sucessão pode acontecer como consequência da guerra.”
A “Delcy do Irão” e a substituição de Ali Khamenei
Provavelmente morto aos 86 anos, Ali Khamenei atribuiu o seu legado ao funcionamento do regime iraniano. Por causa disso, fez tudo para que a República Islâmica sobrevivesse, incluindo no pior dos cenários. Assim, o Líder Supremo discutiu com a Guarda Revolucionária quem poderia ser uma futura “Delcy do Irão”, numa alusão à atual Presidente da Venezuela colaborante com Washington.
Dito doutro modo, a República Islâmica procura uma figura conciliadora que poderia negociar diretamente com os Estados Unidos durante um eventual vazio de poder. Uma vez que foi responsável pelos planos, Ali Larijani é um dos nomes em discussão para ser uma voz de diálogo com Washington. Outro é o general Mohammad Bagher Ghalibaf, o atual presidente do Parlamento iraniano, havendo ainda a possibilidade do ex-Presidente Hassan Rouhani assumir essas funções.
Estes nomes não significam que sejam sucessores diretos de Ali Khamenei. Caso o ayatollah morra, os principais clérigos xiitas com assento na Assembleia de Peritos terão de se reunir para eleger um novo Líder Supremo. Este órgão religioso, composto por 88 clérigos, é o único com poder para escolher, supervisionar e até destituir o cargo mais alto da nação. Ali Larijani, Mohammad Bagher Ghalibaf e Hassan Rouhani não fazem parte da Assembleia de Peritos, portanto não estão, em princípio, na linha formal de sucessão.

Com o Líder Supremo provavelmente morto em plena guerra, não é líquido que a Assembleia de Peritos consiga reunir‑se e funcionar como o previsto pela Constituição iraniana. Em teoria, o sucessor teria de ser escolhido no mais curto espaço de tempo possível, algo logisticamente difícil quando os Estados Unidos e Israel pretendem abater o maior número de altos dirigentes iranianos. De qualquer forma, Ali Khamenei já apresentou os seus sucessores em junho e a escolha poderá ser mais rápida do que o normal, devido ao estado de conflito.
Seja qual for o método que escolham para nomear o Líder Supremo, a CIA apurou que Ali Khamenei seria substituído provavelmente por uma figura da linha mais dura do regime. De acordo com o que duas fontes ligadas às secretas norte-americanas disseram à Reuters, essa é a hipótese mais provável, segundo uma avaliação feita há duas semanas.
Há um “mecanismo bem oleado” no regime, mas há revolta interna. Que impacto tem a morte do ayatollah?
Planeada e definida: a sucessão de Ali Khamenei estará praticamente fechada. Oficialmente, numa entrevista na quinta-feira passada a um canal indiano, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano confirmou que foram traçados planos alternativos, incluindo para a morte do Líder Supremo. O ministro lembrou que o regime funciona como um “sistema”: “É um mecanismo bem oleado. Nada ia colapsar.”
“Toda a gente seria substituída por procedimentos já estabelecidos”, explicou o chefe da diplomacia do Irão, que destacou que o “sistema não depende de indivíduos”. “Mesmo no meio de uma guerra, nada colapsaria e seríamos capazes de continuar a nossa autodefesa. O sistema aguentaria. Não há problema nenhum com o sistema”, assegurou Abbas Araghchi.
Num artigo escrito na revista Foreign Policy, Ali Hashem, especialista em política iraniana, ajuda a contextualizar estas palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano. “A República Islâmica não é um regime personalista com uma linguagem religiosa. É um sistema revolucionário que investiu fortemente no planeamento de mudanças de regime. Quando está sob pressão, a estrutura está desenhada para se unir em vez de se despedaçar”, aclara.
O mesmo especialista adverte que uma “mudança de liderança em Teerão” não deve ser interpretada como um fim em si mesmo. É mais uma “chance de as instituições do país mostrarem que podem sobreviver”. Ao contrário de outros regimes (como o venezuelano de Nicolás Maduro), o iraniano foi-se preparando constantemente para a possibilidade de haver diferentes mudanças no topo, não funcionando apenas na base das ordens de uma pessoa.

Não obstante, vivem-se tempos sem precedentes no Médio Oriente. A imprevisibilidade da sucessão iraniana agrava-se com o conflito militar contra a maior potência mundial na comunidade internacional. É que o regime iraniano não está apenas sob pressão externa; está também a ser pressionado internamente. Neste sentido, a morte do Líder Supremo ser encarado como um sinal de esperança e o momento para os críticos do regime tomarem as ruas.
Internamente, a profunda crise económica e o descontentamento com o regime levaram milhões de pessoas em todo o Irão a sair às ruas no início de janeiro. As manifestações foram reprimidas pelo regime com o recurso à violência e à força. Contudo, o fim dos protestos não significou o fim do descontentamento e da revolta. Muitos iranianos continuam a não gostar de viver na República Islâmica e do rumo que tomou — e a morte do Líder Supremo, no cargo há 37 anos, pode mobilizar a oposição para se manifestar.
Ali Khamenei “ainda é a super-cola que mantém o sistema unido”, disse Vali Nasr ao New York Times, acrescentando que, sem ele, “será mais difícil manter o sistema unido”, apesar de todos os preparativos para a sua morte. No discurso à nação que fez este sábado, Donald Trump já sugeria que a população iraniana teria um papel a desempenhar, mas não por agora. “A hora da vossa liberdade está próxima. Fiquem nos abrigos. Não saiam de casa. É muito perigoso, haverá bombas a cair por todo o lado”, alertou.

Donald Trump destacou que, quando os Estados Unidos e Israel terminarem os bombardeamentos, os iranianos poderão “assumir o controlo do Governo”: “Será vosso. Esta é, provavelmente, a única chance que terão durante gerações”. “Pediram, durante muitos anos, o apoio da América, mas nunca o tiveram. Nenhum Presidente foi capaz de fazer o que estou a fazer. Agora existe um Presidente que está a dar-vos o que vocês querem. Vamos ver como respondem. A América está do vosso lado com uma força devastadora. É tempo de assumirem o controlo.”
“É o momento da ação”, assinalou Donald Trump. Os Estados Unidos estão a contar que a população iraniana volte às ruas para protestar e assumir o poder, agora provavelmente sem a figura unificadora de Ali Khamenei. O mesmo apelo foi feito este sábado por Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro israelita pediu aos iranianos para saírem “em massa às ruas”, de maneira a “completarem o trabalho para derrubar o regime de horrores”.
Na publicação nas redes sociais em anuncia a morte de Ali Khamenei, Donald Trump adiantou que muitos membros do regime “já não querem combater” e estão à “procura” da “imunidade norte-americana”. “Espero que a Guarda Revolucionária e a polícia pacificamente se unam aos patriotas iranianos e trabalhem em conjunto para trazer ao país a grandeza que merece. O processo deve começar em breve” também por conta da “morte de Khamenei”, destacou o Presidente norte-americano.
Num artigo para o think tank Council on Foreign Relations antes dos ataques, a especialista Suzanne Maloney já referia que a morte de Ali Khamenei e outros dirigentes do regime poderia levar a uma “onda crescente de protestos, greves e desafios às autoridades do regime”. Este seria, aliás, o plano israelo-americano para implementar um novo regime no Irão. A analista alertava, contudo, que o colapso seria “gradual” e não “repentino”, devido à solidez do regime.
No curto prazo, sem o ayatollah, o regime iraniano até pode funcionar com um novo rosto enquanto Líder Supremo. Porém, o especialista Ali Hashem adverte que o sucessor de Ali Khamenei enfrentaria as principais dificuldades precisamente depois de ser eleito para o cargo. “A altura mais sensível viria depois de ser escolhido, não antes. A nova liderança teria rapidamente de provar a sua autoridade dentro de fronteiras e demonstrar estabilidade para fora. Em países moldados pela revolução e pela incerteza, prova-se através de ações e não apenas símbolos.”
No Irão, pode até já haver uma sucessão. Mas ainda não são conhecidos os planos da Casa Branca para o futuro político do país. Teoricamente, o príncipe herdeiro do Xá, Reza Pahlavi, seria o sucessor natural apoiado pelos Estados Unidos; no entanto, não sabe se terá força para se impor na sociedade iraniana. Em todo o caso, Donald Trump adiantou este sábado que “tem uma ideia muito boa” sobre quem sucederá aos clérigos xiitas.
O Irão entra numa fase inédita da história da República Islâmica, que está a braços com a sua sobrevivência e muito provavelmente sem a “cola” que a unia. Nas ruas, milhões de iranianos estão a celebrar a provável morte de Ali Khamenei, enquanto os apoiantes do ayatollah esperam que o sistema seja forte o suficiente para aguentar os reveses. Perante uma forte pressão dos dois principais inimigos geopolíticos, o regime iraniano de duas uma: ou dá provas da sua resiliência, ou vai colapsar.