“Combate de Negro e de Cães”, texto de Bernard-Marie Koltès, encenação de Zia Soares
Teatro do Bairro, Lisboa (5 a 15 de março), Teatro Teatro José Lúcio da Silva, Leiria (27 de março)
Num estaleiro algures na África Ocidental, Alboury, um homem negro vem reclamar o corpo do seu irmão, vítima de um acidente de trabalho, aos dois homens brancos do estaleiro. Recusando-se a partir sem o cadáver, o conflito torna-se inevitável.

Escrita em 1979, Combate de Negro e de Cães é a a nova produção do Teatro GRIOT, que dá continuidade à reflexão da companhia sobre as dinâmicas de poder, a linguagem e a presença do “outro”, aprofundando a relação com o universo de Bernard-Marie Koltès, iniciada com Na Solidão dos Campos de Algodão, em 2024. O espetáculo, encenado por Zia Soares, conta com interpretação de António Simão, Matamba Joaquim, São José Correia e Thomas Coumans, cenografia e figurinos de Neusa Trovoada e música e desenho de som de Xullaji.
“Paraíso, Meu Paraíso”, de Lígia Soares
Cineteatro Louletano, Loulé (6 de março), Teatro das Figuras, Faro (26 de março)
Depois de colocar duas atletas a discutir a armadilha capitalista em A Minha Vitória como Ginasta de Alta Competição e meses depois de tecer uma crítica à ditadura da imagem enfiada num vestido de luxo em Dressing Room, Lígia Soares reflete sobre a influência da tecnologia na vida contemporânea.

Em Paraíso, Meu Paraíso, Soares questiona a promessa de proximidade e controlo associada ao universo digital. “Estarei mais próximo ou distante de mim? Tenho tudo ao alcance de um clique. Será que tenho?”, interroga a criadora, resumindo algumas das tensões que atravessam o espetáculo e que expõem a ambiguidade de um “paraíso” tecnológico onde a humanidade procura, ainda, o seu lugar.
“Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem“, a partir da obra de Manuel António Pina, encenação de Victor Hugo Pontes
Teatro Nacional S. João, Porto (12 de março a 12 de abril)
Na primeira produção enquanto diretor artístico do Teatro Nacional São João, Victor Hugo Pontes debruça-se sobre a obra dramática e poética de Manuel António Pina. Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem é um espetáculo que alberga o teatro, a poesia, as crónicas do poeta e jornalista portuense, musicado por A Garota Não (nome artístico de Cátia Oliveira).

Na sinopse da peça antecipa-se um espetáculo “musico-cénico” que celebra “o mundo às avessas” de um dos maiores poetas portugueses, Prémio Camões 2011. “Pleno de humor, inventividade verbal e nonsense”, prometem. Ao elenco residente do TNSJ juntam-se ainda os atores Jorge Mota, Catarina Carvalho Gomes, Daniel Teixeira Pinto, José Santos e Siobhan Fernandes.
“Veneno — História de um Casamento”, de Lot Vekemans
Teatro Aberto, Lisboa (20 de março a 3 de maio)
Um homem e uma mulher reencontram-se passados dez anos. É esse o ponto de partida da peça Veneno (2009), da autora neerlandesa Lot Vekemans, que sobe ao palco do Teatro Aberto, em Lisboa, numa encenação de João Lourenço.

Em cena, Carla Maciel e Gonçalo Waddington dão corpo a um casal dilacerado pela morte de um filho — uma perda irreparável que os afastou e acabou por ditar a separação. Dez anos volvidos, o reencontro obriga-os a confrontar o silêncio, a culpa e as mágoas que o tempo não apagou. Poderá a distância ter suavizado a dor ou apenas a terá cristalizado? Conseguirão encontrar uma nova forma de olhar para o passado e, quem sabe, resignificar a perda? São algumas das questões que atravessam este drama intenso sobre o luto e a possibilidade (ou impossibilidade) de reconciliação.
“In The Heights”, de Lin-Manuel Miranda e Quiara Alegría Hudes
Teatro Variedades, Lisboa (25 de março a 3 de maio)
Antes do fenómeno global de Hamilton o projetar definitivamente para o estrelato, Lin-Manuel Miranda já se tinha afirmado na Broadway com In the Heights, um musical passado no bairro de Washington Heights, em Nova Iorque, que acompanha uma comunidade maioritariamente oriunda da América Latina. Tem como protagonista Usnavi, dono de uma mercearia que sonha regressar à República Dominicana.

Com uma banda sonora que junta hip-hop, salsa e merengue, contam-se histórias de diferentes gerações neste musical que é uma ode à ideia de casa e às múltiplas identidades que habitam a cidade. A produção portuguesa deste musical (distinguido com quatro prémios Tony, incluindo o de Melhor Musical, e vencedor de um Grammy), que chega pela mão da MTL – Music Theater Lisbon, reúne em palco intérpretes como Luísa Cruz, ao lado de uma nova geração de atores, e conta com música ao vivo e coreografia de Marco Mercier.
“Hornfuckers”, de Diana Niepce
Auditório Emílio Rui Vilar — Culturgest, Lisboa (26 a 27 de março)
Em Hornfuckers, a coreógrafa e intérprete Diana Niepce (Anda, Diana e O Outro Lado da Dança) propõe uma reflexão direta sobre as normas e hierarquias que moldam o corpo, tanto no plano físico como no imaginário. A performance cruza movimento, imagem e tensão física para questionar estereótipos e expor os mecanismos de imposição e controlo que atravessam o nosso quotidiano. Entre momentos de contenção e rutura, os intérpretes exploram os próprios limites, numa paisagem cénica que alterna entre ordem e caos, lirismo e violência.

Uma hora antes do início do espetáculo, o público pode entrar, contactar com o elenco, explorar figurinos, cenografia e palco. Esta visita ao palco destina-se a pessoas que necessitem de apoio específico — incluindo pessoas cegas ou com deficiência visual, pessoas surdas ou com deficiência auditiva, pessoas neurodivergentes ou com deficiência física —, bem como a quem precise de tempo adicional para se familiarizar com o espaço e o conteúdo da apresentação.