A divulgação de milhões de imagens e documentos sobre o norte-americano Jeffrey Epstein, considerado um agressor sexual que montou uma rede de tráfico durante anos, abalou as elites de todo o mundo. Os chamados ficheiros Epstein, tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, expõem uma teia de contactos, favores e relações próximas entre o milionário e políticos, diplomatas, empresários, académicos e até membros da realeza. As revelações desencadearam detenções, demissões, afastamentos e pedidos públicos de desculpas.
Quem foi detido?
- André Mountbatten‑Windsor
O ex-príncipe britânico e irmão do Rei Carlos III foi um dos nomes que mais polémica gerou com a divulgação dos ficheiros. Depois de anos de escrutínio e de uma ação legal, André foi detido no dia 19 de fevereiro por suspeita de má conduta no exercício de cargo público, associada à partilha de documentos confidenciais. Foi libertado após cerca de 11 horas de interrogatório, sob fiança, e continua sob investigação. Mas insiste em negar qualquer irregularidade.
No dia 9 de fevereiro, a polícia de Thames Valley já tinha informado que estava a analisar as alegações de que André passou informações confidenciais a Jeffrey Epstein quando ocupou o cargo de Representante Especial do Reino Unido para o Comércio e Investimento Internacional, entre 2001 e 2011, com base nos documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano. Nessa altura, o filho de Isabel II viajou em nome do Governo britânico para vários países e esteve em contacto direto com membros seniores de governos. De acordo com o que o Departamento de Negócios e Comércio disse à BBC, o antigo duque de Iorque não atuava sob as mesmas regras que agora se aplicam aos enviados comerciais.
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Entre os ficheiros estão e-mails encaminhados por André a Epstein com detalhes das suas viagens oficiais como enviado comercial do Reino Unido. Em novembro de 2010, por exemplo, o ex-príncipe demorou apenas cinco minutos para encaminhar ao criminoso sexual um relatório enviado pelo seu assistente especial, Amit Patel, acerca das discussões realizadas durante visitas a Hong Kong, Singapura, Vietname e China.

Foi também nesta altura que André e Epstein terão planeado abrir um negócio na China que usaria a “aura e acesso” do então príncipe para chegar a uma “rede global incomparável”. O filho de Isabel II terá inclusive usado uma das viagens oficiais como enviado especial do Governo britânico para reunir com Jes Staley, antigo CEO do banco Barclays, que na altura era um dos principais executivos da JP Morgan e uma figura próxima de Epstein.
Quer Carlos III, o rei, quer William, o primeiro na linha de sucessão, se mostraram disponíveis para ajudar a investigação. DEpois de, num primeiro momento, lhe serem retirados os títulos reais, André foi expulso de Royal Lodge, a residência da família real que lhe estava destinada. E pode também vir a ser chamado pela justiça dos EUA.
- Peter Mandelson
Peter Mandelson, o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos escolhido pelo primeiro-ministro Keir Starmer, foi detido na sua casa de Camden, em Londres, tendo depois sido libertado mediante a prestação de uma caução.
As autoridades britânicas anunciaram, a 23 de fevereiro, a sua detenção sob suspeita de conduta imprópria no exercício de funções públicas depois de os ficheiros mostrarem e-mails em que Mandelson partilhava informações sensíveis com Jeffrey Epstein. Entre esses documentos, aparecem e-mails que indicam que Mandelson teria encaminhado informações confidenciais e potencialmente capazes de influenciar os mercados financeiros ao amigo em 2009, quando era ministro da Economia.

Os documentos também incluem registos de transferências de cerca de 75 mil dólares (cerca de 64 mil euros), entre 2003 e 2004, de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, Reinaldo Ávila da Silva.
https://observador.pt/2026/02/23/caso-epstein-ex-ministro-e-antigo-aliado-de-starmer-peter-mandelson-detido-em-casa-sob-suspeita-de-ma-conduta/
A nomeação do embaixador causou polémica no Reino Unido. Alegadamente, o primeiro-ministro britânico teria sabido de antemão das ligações a Epstein antes de nomear o principal representante diplomático britânico nos Estados Unidos. Mesmo assim, Keir Starmer teria avançado com a decisão, o que tem motivado várias críticas por parte da oposição britânica e pedidos para que deixe a liderança do Governo.
Em setembro de 2025, Mandelson foi afastado do cargo de embaixador em Washington e demitido da Câmara dos Lordes e do Partido Trabalhista. Embora tenha sido libertado sob fiança e rejeitado qualquer ilegalidade, a investigação criminal prossegue.
Os investigados pela justiça
- Thorbjørn Jagland
O antigo primeiro‑ministro da Noruega e ex‑secretário-geral do Conselho da Europa foi formalmente acusado de “corrupção agravada” após buscas domiciliárias relacionadas com as suas ligações a Epstein. “Acreditamos que existem motivos razoáveis para a investigação“, assinalou num comunicado o diretor da unidade de crimes económicos do Ministério Público (Okakrim), Pal K. Lonseth, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Lonseth sublinhou que Jagland “ocupou as posições de líder do Comité Nobel e de secretário-geral do Conselho da Europa durante o período abrangido pelos documentos revelados”.
Segundo esses documentos, Epstein e Jagland mantiveram contactos entre 2014 e 2018 e discutiram um investimento imobiliário conjunto. O político norueguês chegou a planear uma viagem à ilha do milionário nas Caraíbas, que acabou por não se realizar.
Num e-mail datado de 2014, Jagland pediu ajuda a Epstein para financiar um apartamento em Oslo. Já em 2018, o empresário pediu ao norueguês que arranjasse um encontro entre ele e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, dizendo que tinha informações importantes para oferecer ao Presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Jagland, que já no passado tinha reconhecido a relação com Epstein, embora não de forma tão extensa nem prolongada, admitiu o “erro de julgamento“. Segundo referiu, os contactos não estavam relacionados com a vida privada do milionário condenado por pedofilia.

A justiça norueguesa está a investigar se Jagland recebeu “presentes, viagens e empréstimos” devido às funções. Esta investigação foi possível depois de o Conselho da Europa ter anunciado que, em resposta às autoridades de Oslo, iria levantar a imunidade parlamentar de que gozava o seu antigo secretário-geral.
O advogado de Jagland, Anders Brosveet, reagiu ao anúncio do diretor da Okakrim afirmando que o ex-primeiro-ministro está tranquilo e vai colaborar na investigação. “É bom para Jagland receber um esclarecimento oficial da Okokrim, em vez de ter toda a imprensa a conduzir as próprias pequenas investigações privadas”, disse Brosveet à agência France-Presse (AFP).
Jagland, de 75 anos, foi líder do Partido Trabalhista (1992-2002), primeiro-ministro (1996-1997), ministro dos Negócios Estrangeiros (2000-2001), presidente do parlamento (2005-2009), presidente do Comité Nobel Norueguês (2009-2015) e presidente do Conselho da Europa (2009-2019).
- Mona Juul e Terje Rød‑Larsen
A diplomata norueguesa Mona Juul renunciou ao cargo de embaixadora na Jordânia e no Iraque após a revelação de que, juntamente com o marido, o também diplomata Terje Rød‑Larsen, mantinha contactos com Epstein e se encontrava agora sob investigação por alegada corrupção agravada.
Num comunicado, citado pelo The Guardian, o Ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês esclareceu que a investigação interna aberta no final de janeiro deste ano continua em curso, mas admite que houve um “grave erro de julgamento” sublinhando que será difícil restabelecer a confiança necessária para que Juul se mantivesse em funções diplomáticas.
“É evidente que todo este caso representa um problema de reputação para a Noruega, e não apenas para a sua diplomacia. Todos devem encará-lo com a máxima seriedade”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Espen Barth Eide, em declarações à emissora pública NRK.
Segundo Thomas Skjelbred, advogado da diplomata, foi a própria quem solicitou a renúncia. “A questão fundamental é que a sua situação atual a impede de exercer funções. Isso tem sido um enorme fardo para ela e para a sua família”, afirmou, também à NRK.
Juul sublinhou, entretanto, que a sua relação com Epstein foi “imprecisa” e originada através do marido, rejeitando uma relação social ou profissional direta com o milionário. Rød‑Larsen, por seu lado, declarou‑se confiante de que acabaria por ser considerado inocente, embora as autoridades continuem a investigação.
De Larry Summers a Sarah Ferguson: as demissões pós-divulgação dos ficheiros
- Thomas Pritzker
Pritzker, bilionário e chairman executivo da Hyatt Hotels desde 2004, anunciou, na semana passada, a saída da liderança do grupo hoteleiro após a divulgação dos ficheiros.
De acordo com a BBC, as comunicações agora públicas mostram que Pritzker manteve uma longa ligação com Jeffrey Epstein e com Ghislaine Maxwell — companheira e cúmplice do empresário norte-americano —, mesmo depois da condenação de Epstein por crimes sexuais, em 2008.

Pritzker afirmou, em comunicado citado pelo mesmo jornal, que decidiu deixar o cargo e que não se recandidataria, sublinhando que se arrepende da ligação que manteve com Epstein. “O meu trabalho e responsabilidade é proporcionar uma boa gestão. Uma boa gestão inclui garantir uma transição adequada na Hyatt”, disse.
“Uma boa gestão também significa proteger a Hyatt, particularmente no contexto da minha associação com Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, da qual me arrependo profundamente. Exerci um péssimo discernimento ao manter contacto com eles, e não há desculpa para não me ter distanciado mais cedo”, acrescentou na nota que enviou ao conselho de administração da empresa.
- Kathy Ruemmler
Kathy Ruemmler, advogada-chefe do banco de investimento Goldman Sachs e antiga conselheira jurídica da Casa Branca durante a presidência de Barack Obama, anunciou a sua demissão na sequência da divulgação dos ficheiros.
Foram tornadas públicas mensagens de correio eletrónico que revelavam, segundo o Financial Times, a relação próxima que mantinha com o milionário condenado. Ruemmler descreveu Epstein como um “irmão mais velho” e um tio, minimizando ao mesmo tempo os crimes sexuais pelos quais tinha sido condenado.
“Desde que entrei para a Goldman Sachs, há seis anos, tenho tido o privilégio de ajudar a supervisionar os assuntos jurídicos, de reputação e regulamentares da empresa, melhorar os nossos sólidos processos de gestão de risco e garantir que vivemos de acordo com o nosso valor fundamental de integridade em tudo o que fazemos. A minha responsabilidade é colocar os interesses do Goldman Sachs em primeiro lugar“, afirmou Ruemmler num comunicado, acrescentando que informou o CEO da empresa que “intenção de deixar o cargo de Diretora Jurídico e Conselheiro Geral da Goldman Sachs a 30 de junho de 2026”.
Até ao anúncio da demissão, Ruemmler procurou repetidamente distanciar-se dos emails e de outra correspondência com Epstein e tinha assegurado que não deixaria o principal cargo jurídico do Goldman, que ocupava desde 2020.
- Brad Karp
Brad Karp, antigo chairman do escritório de advogados Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison, saiu do cargo depois de terem sido divulgados emails com Epstein, incluindo mensagens em que elogiava eventos sociais oferecidos pelo companheiro de Ghislaine Maxwell.
De acordo com o jornal Politico, os documentos incluiam dezenas de trocas de e-mails entre Karp e Epstein, incluindo correspondência que mostra o chairman a discutir o acordo judicial pré-existente de Epstein sobre acusações de tráfico sexual.
A presença destes e-mails nos documentos não implica qualquer irregularidade, levando, assim, Paul Weiss a afirmar que Karp “nunca testemunhou ou participou em qualquer conduta imprópria”.
Ao anunciar a sua demissão, num comunicado, Karp afirmou: “Notícias recentes criaram uma distração e colocaram-me no centro [da polémica] de uma forma que não é do interesse da empresa”.
- Casey Wasserman
O CEO do empresa de talentos Wasserman Media Group e presidente do Comité que organiza os Jogos Olímpicos de 2028 anunciou que irá colocar a sua agência à venda depois de terem surgido e-mails com Maxwell que fizeram com que clientes conhecidos, como a cantora Chappell Roan e a antiga internacional de futebol Abby Wambach, cessassem o contrato que tinham.
“Lamento profundamente que os meus erros pessoais do passado vos tenham causado tanto desconforto”, escreveu Wasserman aos cerca de quatro mil associados da agência. A situação “não é justa para vocês, nem para os clientes e parceiros que representamos com tanta dedicação e pelos quais temos tanto carinho”, adiantou.
Wasserman sublinhou que “lamenta profundamente” a sua ligação com Maxwell, que cumpre uma pena de 20 anos de prisão por facilitar o abuso sexual de adolescentes por parte de Epstein. As trocas de mensagens, sublinhou porém, “ocorreram há mais de duas décadas, muito antes de os seus crimes horríveis terem vindo a público”.
https://observador.pt/2022/06/28/a-ultima-cena-do-filme-de-terror-chamado-epstein-ghislaine-maxwell-condenada-a-20-anos-de-prisao/
Apesar dos constantes apelos para o empresário renunciar à presidência do comité que organiza os Jogos Olímpicos de 2028, Wasserman permanecerá no cargo. A direção executiva do Comité Olímpico afirmou que uma análise realizada com consultores externos determinou que “a relação de Wasserman com Epstein e Maxwell não foi além do que já foi documentado publicamente”.
- Miroslav Lajčák
Miroslav Lajčák, conselheiro de segurança nacional da Eslováquia e antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, também se demitiu após os documentos sobre Epstein se terem tornado públicos. De acordo com a Euronews, os ficheiros revelaram conversas com Jeffrey que incluíam referências a mulheres e convites para encontros.
Num e-mail para Epstein em novembro de 2017, Lajčák pede a Epstein que ajude uma produtora de cinema a colocar o seu filme na lista de pré-selecionados para os Óscares desse ano.
Numa troca de mensagens datada de outubro de 2018, Lajčák e Epstein surgem a conversar de forma descontraída sobre mulheres e um encontro iminente com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov.

Lajčák negou inicialmente ter discutido mulheres com Epstein quando os ficheiros foram divulgados. Mais tarde, terá dito que decidiu demitir-se para evitar prejudicar o primeiro-ministro politicamente.
Robert Fico anunciou, entretanto, que aceitou a saída de Miroslav Lajčák do cargo, descrevendo o conselheiro como “uma fonte incrível de experiência em diplomacia e política externa”.
Lajčák desempenhou funções em quatro governos eslovacos, três liderados por Fico, e como diplomata internacional. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros foi, mais recentemente, representante especial da UE para os Balcãs Ocidentais.
- Jack Lang
O antigo ministro francês da Cultura, Jack Lang, demitiu‑se da presidência do Instituto do Mundo Árabe depois de uma investigação ter sido iniciada sobre suspeitas de lavagem de capitais ligadas a uma empresa offshore criada em conjunto com a sua filha, Caroline Lang, e Epstein.
Lang tentou conter a polémica gerada pelas referências ao seu nome nos documentos, invocando “ingenuidade” na relação com Jeffrey Epstein. O antigo ministro sublinhou que não existe qualquer acusação formal contra si e que a sua presença nos documentos não implica irregularidades, embora as 673 menções ao seu nome e alegados conflitos de interesses tenham afetado a sua reputação e a da filha.
O Executivo francês considerou, no início deste mês, que Jack Lang deveria “pensar na instituição” Instituto do Mundo Árabe, a que presidia à data, devido às suas alegadas ligações ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, reveladas em novos documentos.
“O Eliseu e Matignon pediram aos ministros envolvidos que convocassem Jack Lang e lhe pedissem para pensar na instituição”, afirmou a equipa de Emmanuel Macron, que tem a tutela do Instituto do Mundo Árabe.
- George J. Mitchell
O antigo senador dos Estados Unidos George J. Mitchell deixou o cargo de presidente honorário do Mitchell Institute depois de aparecer mais de 300 vezes nos ficheiros Epstein em pedidos de encontros e tentativas de comunicação por parte do empresário.
Embora nunca tenha sido acusado de qualquer crime, o instituto anunciou, segundo o New York Times, que aceitou a sua saída e ponderou até mudar o nome da entidade, numa tentativa de dissociar‑se do escândalo. Um porta‑voz de Mitchell referiu que George “lamenta profundamente ter conhecido Jeffrey Epstein e condena, sem reservas, o terrível dano que Epstein infligiu a tantas mulheres”.
- Sultan Ahmed bin Sulayem
O empresário Ahmed bin Sulayem, presidente executivo da multinacional de logística do Dubai, DP World, apresentou a sua demissão após o seu nome ter aparecido nos documentos do criminoso sexual Jeffrey Epstein que se suicidou na prisão.
O nome de Bin Sulayem aparece em alguns e-mails nos arquivos de Epstein, tendo o congressista Thomas Massie, republicano do Kentucky, nomeado o empresário como destinatário de um e-mail específico da última remessa de arquivos desclassificados.

Numa troca de mensagens, citada pela CNN, Epstein escreve a Bin Sulayem dizendo que tinha “adorado” o “vídeo da tortura“, sem dar mais detalhes. Os e-mails revelaram uma relação entre Epstein e Bin Sulayem que remontava a décadas e, nas suas conversas, falavam de temas como sexo, massagens íntimas e acompanhantes.
Depois de empresas e fundos terem começado a desvincular-se nos últimos dias da DP World, a multinacional anunciou esta sexta-feira numa breve comunicação que Bin Sulayem “renunciou com efeito imediato“.
Essa Kazim foi nomeado presidente e Yuvraj Narayan assumirá as funções de presidente executivo da empresa.
- Sarah Ferguson
A antiga duquesa de York encerrou a sua instituição de caridade, Sarah’s Trust, depois de terem sido reveladas mensagens em que expressava grande afeto por Epstein, incluindo um e-mail de 2010 em que sugeria “casar com ele”.
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A relação entre Sarah Ferguson e Jeffrey Epstein foi pessoal, mas também financeira. Quando enfrentava sérias dificuldades económicas, Ferguson recebeu ajuda monetária de Epstein para pagar dívidas e agradeceu-lhe esse apoio em mensagens privadas, o que revelou uma proximidade e confiança entre ambos.
Mesmo após a condenação de Epstein por crimes sexuais, Ferguson manteve contacto com ele e chegou a integrá-lo no seu círculo social. Embora não existam acusações criminais contra a antiga duquesa, a relação e a dependência financeira geraram polémica e agravaram o escrutínio sobre o caso, especialmente devido à ligação do ex-marido, o ex-príncipe André, ao mesmo escândalo.
- Peter Attia
O médico Peter Attia afastou‑se de vários cargos depois de ter sido divulgado que tinha sido mencionado mais de 1.700 vezes nos ficheiros, com e-mails em que discutia resultados médicos de Epstein e fazia comentários sobre mulheres em termos considerados “grosseiros”.
De acordo com o Politico, Attia pediu desculpa publicamente por ter colocado numa posição em que tais comunicações pudessem emergir, descrevendo‑as como “embaraçosas e indefensáveis, anunciando que se afastaria de cargos como o de consultor da CBS News.
- Larry Summers
O antigo secretário do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente da Universidade de Harvard Larry Summers apresentou esta quarta-feira a demissão do cargo de professor da universidade, após divulgação de correspondência com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

O reitor de Harvard, Jason Newton, indicou que, no âmbito da revisão em curso dos documentos relacionados com Epstein recentemente divulgados pelo Governo norte-americano, a universidade aceitou a demissão de Summers, de acordo com um comunicado divulgado pela NBC News.
O economista, que foi secretário do Tesouro durante o Governo do antigo presidente norte-americano Bill Clinton e que presidiu a Harvard na década de 2000, tinha anunciado em novembro que retirar-se da vida pública, mantendo então funções académicas.
- Børge Brende
O CEO do Fórum Económico Mundial anunciou esta quinta-feira a sua demissão, poucas semanas depois de a instituição ter dado início a uma investigação sobre a sua relação com Jeffrey Epstein.
“Após ponderação, decidi deixar o cargo de presidente e diretor executivo do Fórum Económico Mundial. O meu tempo aqui, que durou oito anos e meio, foi profundamente gratificante”, afirmou em comunicado citado pela agência Reuters.
“Estou grato pela colaboração incrível dos meus colegas e parceiros e acredito que agora é o momento certo para o Fórum continuar o seu importante trabalho sem distrações”, acrescentou Brende, sem fazer nenhuma referência ao caso Epstein.

Numa outra nota, André Hoffmann e Larry Fink, co-presidentes do Fórum, confirmaram que a investigação sobre as ligações entre Brende e Epstein foi concluída, não adiantando, porém, pormenores sobre as conclusões. Os dois asseguraram, ainda, que o Fórum continuará focado na sua missão de promover o diálogo entre líderes políticos e empresariais.
Børge Brende, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, assumiu a liderança do Fórum em 2017, sucedendo ao fundador Klaus Schwab. Durante o seu mandato, a instituição manteve um papel central na organização da cimeira anual de Davos, que reúne chefes de Estado e de Governo, executivos de multinacionais, académicos e representantes de organizações não-governamentais.
A solidaridade das princesas envolvidas
- Mette-Marit
Apesar da relação da princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, e Jeffrey Epstein já ser conhecida há alguns anos, só em janeiro é que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos os ficheiros que tinham trocas de mensagens entre os dois ao longo de mais de três anos.
Alegadamente, o milionário condenado por tráfico sexual e a mulher do príncipe Haakon da Noruega chegaram a encontrar-se várias vezes entre Paris e Nova-Iorque. Mette-Marit chegou mesmo a ficar hospedada na mansão de Epstein em Palm Beach, na Flórida. Em algumas das dezenas de mensagens que enviaram, a princesa apelidou Epstein de “charmoso”, descreve Paris como uma cidade “boa para o adultério” e diz que “escandinavas dão boas esposas”.

Perante este cenário, Mette-Marit reconhece ter demonstrado “falta de bom senso”. A princesa expressou “profunda compaixão e solidariedade” para com as vítimas do milionário condenado por violência sexual. “É simplesmente constrangedor”, acrescentou ainda.
“Gostaria de expressar o meu profundo arrependimento pela minha amizade com Jeffrey Epstein. É importante para mim pedir desculpa a todos vós que desiludi. Parte do conteúdo das mensagens entre mim e Epstein não representa a pessoa que quero ser. Peço desculpa também pela situação em que coloquei a Casa Real, especialmente o Rei e a Rainha”, admite, ainda, a princesa herdeira nas redes sociais.
- Princesa Sofia da Suécia
No final de 2025, o nome da princesa Sofia da Suécia surgiu pela primeira vez numa troca de e-mails associada ao caso Epstein. Os documentos publicados pela imprensa sueca revelam que a empresária Barbro Ehnbom partilhou com Epstein fotografias da jovem Sofia, sugerindo que poderia ser interessante conhecê-la, em 2005. O acusado de tráfico sexual respondeu, a convidar a jovem para o visitar nas Caraíbas.
https://observador.pt/2025/12/10/princesa-sofia-da-suecia-surge-nos-ficheiros-do-caso-epstein/
Nesta ocasião, a Casa Real divulgou um comunicado a confirmar que Sofia já se tinha encontrado com Epstein no passado em eventos sociais. “A Casa Real percebe o interesse mediático significativo no tema. Ao mesmo tempo, é importante que as notícias se foquem no que é relevante. Não se espera que ninguém seja capaz de lembrar todas as pessoas com quem encontraram na vida. Entretanto, a princesa Sofia lembra-se de encontrar Epstein em algumas ocasiões, há cerca de 20 anos. Gostaríamos de clarificar que estes encontros aconteceram em ambientes sociais, como num restaurante e numa estreia de um filme”, lê-se no texto divulgado pela Casa Real sueca.
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