O Millennium BCP aumentou em 12,4% os lucros em 2025, para 1.018,6 milhões de euros. É a primeira vez na história do banco que os lucros superam os mil milhões de euros e a subida dos resultados deveu-se à maior cobrança de comissões e, também, a uma pequena subida da margem financeira que foi conseguida apesar da redução das taxas de juro face aos máximos de 2023.
A informação foi difundida pelo banco, nesta quarta-feira, através de comunicado enviado à CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) e foi, também, apresentada por Miguel Maya, o presidente da comissão executiva, na sede do banco em Oeiras.
https://observador.pt/2026/02/25/bcp-ja-deu-mais-de-600-moratorias-e-teve-clientes-empresariais-a-usar-instalacoes-do-banco-para-pagar-salarios/
Miguel Maya confirmou, na conferência de imprensa, que são “os melhores resultados de sempre”, o que deverá permitir entregar cerca de 500 milhões de euros em dividendos aos acionistas, bem como reforçar o programa de recompra de ações próprias (uma forma alternativa de premiar, também, os acionistas já que se reduz o número de ações em circulação, contribuindo para aumentar o seu valor). Na prática, o BCP vai entregar 90% dos lucros aos acionistas, se isso for aprovado pela assembleia-geral de acionistas.
O crescimento do resultado líquido do Grupo face a 2024 foi determinado pelo desempenho favorável quer da atividade em Portugal, quer da subsidiária polaca, sendo que os resultados apresentados pelo Millennium bim em Moçambique se revelaram inferiores aos alcançados no ano anterior, condicionados pelos impactos associados à dívida soberana daquele país”, afirma o banco.
Os resultados globais, superiores a mil milhões de euros, dizem respeito tanto à atividade doméstica como internacional do BCP. O resultado líquido da atividade em Portugal, por si só, aumentou 10,6% para 869,4 milhões de euros em 2025, o que compara com 786,4 milhões de euros em 2024. Globalmente, o grupo obteve um rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 14,1%, ainda mais do que os 13,8% do ano anterior.
O resultado líquido consolidado beneficiou da evolução favorável dos proveitos core, dos resultados em operações financeiras, dos resultados de modificações, das imparidades e provisões e dos outros proveitos de exploração líquidos. Em contrapartida, assistiu-se a um aumento dos custos operacionais face a 2024″, explica o Millennium BCP, garantindo que continua a haver uma “gestão disciplinada dos custos”.
As comissões cobradas pelo banco somaram mais 4,3%, um total de 847 milhões de euros, embora em Portugal tenham crescido mais: 5,6%. Já a margem financeira aumentou 2,4% apesar da descida dos juros, para 2.898,1 milhões. Os custos operacionais subiram 8,3% para 1.415 milhões.
O banco registou um grande crescimento da carteira de crédito, que cresceu 7,3% para 62,6 mil milhões de euros, especialmente no crédito à habitação (carteira cresceu para 30,3 mil milhões), e no crédito pessoal (que cresceu para 7,9 mil milhões de euros). A carteira de crédito a particulares aumentou 5,6%, ao passo que a de empresas subiu 10% para 24,4 mil milhões.
Apesar deste crescimento das carteiras de crédito, o banco continua a reduzir os montantes de crédito em incumprimento para um rácio de 1,7%, o mais baixo de sempre.
https://observador.pt/2026/02/25/millennium-bcp-ja-concedeu-mil-milhoes-de-euros-em-credito-a-habitacao-com-garantia-publica-e-quer-dar-mais/