Estão apresentados os topos de gama da Samsung para o primeiro semestre do ano. A partir de São Francisco, nos EUA, a fabricante sul-coreana revelou três modelos da linha Galaxy — S26, S26+ e S26 Ultra, naquela que é a terceira geração de smartphones da marca com inteligência artificial (IA).
Na apresentação, a marca centrou-se na forma como os smartphones conseguem assegurar “tarefas complexas”. “Acreditamos que a IA é algo de que as pessoas podem depender diariamente, desenhado para trabalhar de forma consistente com toda a gente e sem necessidade de experiência”, afirmou TM Roh, CEO, presidente e líder da divisão de experiência de dispositivos da Samsung.
Os diferentes modelos distinguem-se, primeiro, pelo tamanho. O modelo S26 Ultra é o maior, com 6,9 polegadas, enquanto o modelo base do S26 tem um ecrã de 6,3 polegadas e o S26+ é ligeiramente maior, com 6,7 polegadas.
Os três modelos têm um novo processador, o Snapdragon 8 Elite Gen 5 Mobile Platform, que foi personalizado para estes smartphones. A marca referiu que este processador representa um “aumento de desempenho de 19%” em relação ao S25 Ultra, o que permitirá responder de forma “mais rápida” quando estão a ser executadas várias tarefas.
Sendo um telefone preparado para ferramentas de IA, também tem uma unidade de processamento neural (NPU). Nesta geração, a Samsung descreveu “uma melhoria de 39%” no desempenho de funcionalidades específicas de IA.
Nesse campo, a empresa explicou que o telefone “será mais proativo”, dando como exemplo a automação de tarefas “com input manual mínimo” por parte do utilizador. Por exemplo, quando recebe um pedido de um amigo para partilhar as fotografias da viagem mais recente. Em vez de o utilizador abrir a galeria, selecionar manualmente as fotografias e enviá-las por WhatsApp, a IA consegue assegurar isso em poucos passos. Também haverá um comportamento semelhante quando alguém perguntar por mensagem se está disponível para uma reunião. Através da função “Now Nudge”, pode ser a IA a reconhecer automaticamente conflitos de agenda no calendário.
A funcionalidade de pesquisar no Google através de um círculo ou rabisco no ecrã, a “Circle to search”, também foi atualizada na série S26. Agora vai reconhecer diversos objetos no ecrã, para poder fazer mais do que uma pesquisa de uma vez. Por agora, só os modelos Pixel 10 da Google e os Galaxy S26 é que vão ter acesso à novidade.

Esta nova série inclui ainda a compatibilidade com mais um agente de IA, com a Samsung a expandir horizontes nessa área. Se os modelos anteriores já podiam contar com o Bixby, desenvolvido pela Samsung, e com o Gemini da Google, agora está também assegurada a compatibilidade com o Perplexity. O utilizador vai poder escolher a opção que mais se adapta às necessidades.
Um sistema de câmara renovado e retoques no vídeo noturno do S26 Ultra
Além do tamanho, os smartphones desta série têm também algumas diferenças no sistema de câmara. É o modelo Ultra que concentra o sistema mais desenvolvido, justificando a diferença de valores. O Ultra tem um sistema de quatro câmaras: uma ultra-grande angular de 50 MP, uma grande angular de 200 MP (com zoom ótico de 2 vezes), uma câmara telefoto de 50 MP (com zoom ótico de 10 vezes) e uma câmara telefoto de 10 MP (zoom ótico de 3 vezes). A câmara frontal tem um sensor de 12 MP.
A empresa sul-coreana explicou que o Ultra terá câmaras com maior abertura, permitindo que mais luz chegue ao sensor — ou seja, a promessa de fotografias com mais detalhes em condições com pouca luz. Também aqui há espaço para a IA, nomeadamente na forma como a câmara frontal foi ajustada para captar de forma mais fidedigna os tons de pele.
No vídeo, foram feitos ajustes para que o telefone consiga captar vídeos com mais detalhes à noite, com pouca luz.
Já os modelos S26 e S26+ têm um sistema diferente, composto por três câmaras: uma ultra-grande angular de 12 MP, uma grande angular de 50 MP (zoom ótico de duas vezes) e uma câmara telefoto de 10 MP (zoom ótico três vezes). A câmara frontal é de 12 MP.

Um ecrã que já vem equipado com um “filtro” de privacidade
De há uns tempos para cá popularizaram-se as películas de privacidade para os smartphones. São usadas para proteger o telefone de olhares indiscretos: enquanto o dono vê tudo o que está no ecrã, quem está fora do ângulo de visão vê apenas um ecrã escuro.
No Galaxy S26 Ultra, a Samsung testa o primeiro ecrã com privacidade já incluída, que imita a ideia das películas de privacidade. A marca explicou que é uma forma de “ter o hardware e o software a trabalhar em conjunto para proteger a privacidade sem comprometer a experiência de visualização”. A nível de tecnologia, a mudança é feita pela “forma como os píxeis dispersam a luz”.
A marca explicou que, “ao contrário das películas de colar”, este ecrã permite escolher se a funcionalidade de ‘esconder’ a informação está ativa ou não. Quando estiver desligada, é possível visualizar o que está no ecrã de todos os ângulos. O utilizador pode escolher diferentes níveis: ecrã privado parcial, que limita a visibilidade de notificações, ou a proteção máxima de privacidade, que oculta a capacidade de ver a partir de outros ângulos.
É uma opção que a empresa descreveu que pode ser usada para proteger o que está no telefone “em situações como o trânsito, cafés ou ambientes partilhados”, como o escritório ou os transportes públicos.
Ben Wood, analista da CCS Insight que está em São Francisco a acompanhar o lançamento, refere num comentário enviado ao Observador que esta é a funcionalidade que se destaca ente os anúncios. “Tem uma forma fácil de demonstração e que claramente diferencia o Galaxy S26 Ultra dos rivais”, numa altura em que a indústria de smartphones “faz atualizações anuais maioritariamente incrementais, que tornam difícil que algo se destaque”.
Linha Galaxy fica mais cara em Portugal
Os novos topo de gama da marca sul-coreana vão chegar a Portugal com preços acima dos antecessores S25. A subida acontece numa altura em que se vive uma escassez global de memórias RAM — há já algum tempo que as consultoras alertam para o facto de os produtos tecnológicos irem subir de preço.
https://observador.pt/especiais/inteligencia-artificial-esta-a-criar-uma-escassez-global-nos-chips-de-memoria-comprar-tecnologia-pode-ficar-ainda-mais-caro/
Os efeitos são visíveis na série S26: se em 2025 era possível encontrar um telefone abaixo dos 950 euros, agora a fasquia dos mil euros foi claramente ultrapassada. E, entre os três modelos, só o Ultra é que chega a Portugal com o mesmo preço de 2025 (1.499,90 euros).
https://observador.pt/2025/01/22/inteligencia-artificial-ganha-espaco-na-serie-s25-da-samsung-e-ate-vai-criar-um-mordomo/
No S26, o modelo base, foi eliminada a configuração com 128 GB de armazenamento, que tinha o preço mais baixo da série. Mas, comparando a versão de 512 GB com o lançamento de há um ano, está 40 euros mais cara do que o antecessor S25. Estarão disponíveis as seguintes configurações do S26: 256 GB a 1039,90 euros e uma versão com 512 GB a 1.239,90 euros.
Também os S26+ estão mais caros face aos preços de lançamento dos S25+: se há um ano a versão de 256 GB custava 1.199,90 euros, agora o preço recomendado com o mesmo armazenamento é de 1.299,90 euros. E, na configuração de 512 GB, o preço subiu para 1.499,90 euros, contra os 1.319,90 da versão de 2025.
O S26 Ultra de 256 GB é o único que mantém o preço face ao lançamento de há um ano: 1.499,90 euros. Já os modelos de 512 GB subiram para 1.699,90 euros e o de 1 TB custa quase dois mil euros. Há um ano, o modelo do S25 com a mesma configuração custava 1.859,90 euros, um aumento de 140 euros.
Além dos smartphones, a empresa também apresentou dois modelos de auriculares: os Galaxy Buds 4 Pro e Galaxy Buds 4. O modelo Pro é o primeiro da empresa a ter um “woofer de maior dimensão”, que se alia ao sistema de cancelamento de ruído ativo.

A série Galaxy Buds 4 estará disponível no mercado português a partir de 11 de março. Os Galaxy Buds têm um preço recomendado de 179,90 euros e a versão Pro de 249,90 euros.