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Protestos de estudantes universitários prosseguem pelo quinto dia consecutivo no Irão

Em resposta à nova vaga de contestação, ministro da Ciência, Investigação e Tecnologia avisou que as aulas presenciais poderão ser suspensas caso ocorram "insultos, abuso verbal ou violência física".

Agência Lusa
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Os protestos estudantis no Irão prosseguiram esta quarta-feira pelo quinto dia consecutivo, ainda que com menor intensidade, em pelo menos seis universidades do país, onde foram entoados slogans contra o regime da República Islâmica.

Na capital do país, Teerão, registaram-se manifestações nas universidades Kharazmi, Pars e Artes, segundo associações estudantis citadas nas redes sociais.

Na Universidade de Artes de Teerão, estudantes evocaram vítimas dos protestos de janeiro, gritando os seus nomes e entoando palavras de ordem como “Lutamos, morremos, reconquistaremos o Irão”.

Na Universidade Pars, alguns manifestantes entoaram slogans pró-monarquia, incluindo “Viva o Xá” e referências ao regresso da dinastia Pahlavi.

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Já na Universidade de Kharazmi, um grupo de estudantes protestou contra a decisão da reitoria de suspender as aulas presenciais até ao final do ano iraniano, a 20 de março, alertando que a transição para ensino online poderia radicalizar os protestos.

A administração da universidade afirmou que a decisão se deve ao mês do Ramadão, aos custos de deslocação e a pedidos de famílias e estudantes, negando ligação direta com as manifestações.

Na cidade de Mashhad, no nordeste do país, estudantes da Universidade Ferdowsi e da Universidade de Ciências Médicas também participaram em protestos, entoando palavras de ordem contra o regime, segundo o boletim estudantil Amirkabir, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.

Em resposta a esta nova vaga de contestação, o ministro da Ciência, Investigação e Tecnologia, Hossein Simai Sarraf, avisou que as aulas presenciais poderão ser suspensas caso ocorram “insultos, abuso verbal ou violência física”.

O jornal reformista Shargh noticiou que várias universidades de Teerão impediram a entrada de pelo menos 180 estudantes nos campus universitários por alegada violação de normas disciplinares, tendo sido convocados para comissões internas.

Os protestos recomeçaram no sábado, primeiro dia do novo semestre, num contexto de crescente tensão militar com os Estados Unidos, que reforçaram a presença na região do Médio Oriente para pressionar Teerão nas negociações nucleares em curso.

Uma vaga de protestos foi iniciada em 28 de dezembro em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda nacional, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a centenas de cidades do país durante o mês de janeiro.

As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas endureceram depois a sua posição e lançaram uma violenta repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.

As autoridades iranianas reconheceram 3.117 mortos, na maioria manifestantes, número porém contestado por várias organizações de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.

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