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(A) :: "Não o vemos ao espelho, mas reparamos nele naquela foto de há um ano". Como a pesquisa de ponta combate o envelhecimento silencioso da pele

"Não o vemos ao espelho, mas reparamos nele naquela foto de há um ano". Como a pesquisa de ponta combate o envelhecimento silencioso da pele

Uma lógica science meets nature, e ingredientes raros como a rosa negra de Baccara, marcam o ritmo nos cuidados da pele. Rumo à longevidade e contra os inimigos atuais: da poluição aos raios UV.

Maria Ramos Silva
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Inês Correia
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O excesso de oferta e de informação (com as redes sociais a servirem tanto para esclarecer como para baralhar) pode por vezes dificultar as escolhas e o entendimento dos processos. Mas, afinal, o que procura a pele dos consumidores? Os grandes arcos da tendências de beleza foram mudando ao longo dos últimos anos. Depois da overdose de marketing anti-rugas, os entusiastas dos cremes parecem mais conformados com a ideia de envelhecer bem em vez travar o envelhecimento, até pela impossibilidade de parar o relógio. As inúmeras camadas de produtos e cosmética também enfrentam hoje a concorrência minimalista (mas nem por isso simplista) de uma pele limpa, bem cuidada, e que brilha por si própria, privilegiando a qualidade da hidratação sobre os artifícios. E a lista de amigos inclui dos mais curiosos ingredientes. Some-se uma atividade em laboratório que, mais uma vez, nos leva para um nível de complexidade que quase nos faz esquecer que falamos de cuidados da pele. “Tentamos combater o envelhecimento silencioso, que não vemos ao espelho, mas depois reparamos quando olhamos para a foto de há um ano. É um pouco isso. Não vamos dar a notícia de que a pessoa vai deixar de envelhecer, mas consegue manter a pele muito saudável.”, explica ao Observador Joana Chambel, diretora de Marketing da Sisley Portugal, numa manhã dedicada à apresentação de novidades.

Não será preciso tirar um curso de Química Cosmética, ainda que a precisão dos gestos para ativar o produto nos leve a pensar que estamos de volta de uma empreitada desse nível. O utilizador fica simplesmente a postos para a primeira utilização do novo sérum Éclat Concentré La Rose Noire, o item que faltava na linha Rosa Negra da Maison Sisley. A estrela é o extrato molecular de Rosa Negra, extremamente sensível, o que explica a seleção dos Laboratórios Sisley: uma embalagem personalizada com duas partes que separa os ingredientes ativos frágeis do resto da fórmula. Resumindo: o sérum só é ativado quando é utilizado pela primeira vez, de forma a manter a sua frescura e eficácia durante seis meses. Outros dois aliados de peso entram em cena para formar um complexo eficaz e atingir o propósito máximo: combater o envelhecimento celular silencioso e revelar luminosidade, provavelmente “um dos maiores desejos atuais”.

“Estes antioxidantes são muito poderosos e também muito instáveis, por isso são mantidos sem luz solar, sem contacto com o oxigénio, e depois recomendamos uma utilização de dois a seis meses. Parece um handicap científico, um produto que perde as suas capacidades com o tempo, mas o objetivo foi torná-lo um produto vencedor. O cliente leva uma fórmula realmente fresca, como se tivesse acabado de sair do laboratório. Quando compramos, não temos muita perceção quando é que foi fabricado, qual o seu ciclo de vida.”, continua a responsável.

Neste caso, foram necessários mais de 100 testes de extração de pétalas para obter o mais poderoso extrato de Rosa Negra de  Baccara, um concentrado de antocianinas. São estas moléculas que dão à flor a sua cor escura.Há ainda dois componentes ativos que prometem fazer também a diferença, o extrato de Ascophyllum nodosum, com propriedades anti-inflamatórias (outra das prioridades dos nosso dias) e a vitamina B12, que ajuda a proteger a pele dos danos causados pela inflamação. Claro que uma inovação promissora não vem sem preço (o sérum fica por 215 euros. Para uma versão menos onerosa, temos um dos campeões de vendas da linha Rose Noir: a máscara, complemento da rotina de final de dia ou ideal para quem precisa de um boost instantâneo de viço ao longo do dia (90 euros).

Com o sérum em causa, foram realizados testes clínicos em 30 mulheres, com aplicação de manhã e à noite. Bastante transversal, a promessa de luminosidade, garantem, é procurada dos 25 anos aos mais de 50, “incluindo muitos homens”, até porque os inimigos da longevidade dermatológica, e que contribuem para uma tez baça e manchas, são bastante democráticos: cada vez mais, a agressão provocada pelos raios UV, os níveis de poluição ou mesmo o efeito danoso dos ares condicionados e da luz azul dos ecrãs. É por estes que não só se procuram antioxidantes como apaziguantes, como a vitamina B12. “Aqui tem muito a ver com prolongar a luminosidade, textura, vitalidade e preenchimento, que são quatro facetas essenciais para manter a juventude.”

Todos os dias, a pele está exposta a uma série de fatores que alteram o seu equilíbrio, como a acumulação de impurezas, o excesso de sebo, ou a tal exposição a partículas poluentes. É neste contexto que a Eisenberg Paris (uma marca exclusiva Perfumes & Companhia) desenvolveu três fórmulas (disponíveis desde novembro) que realçam a luminosidade cutânea e reforçam a eficácia dos cuidados de pele que forem aplicados de seguida: limpam, esfoliam, preparam e hidratam a pele.

Primeiro, um bálsamo que permite remover maquilhagem, protetor solar, e efeitos da poluição. Depois, duas loções de tratamento, 1 e 2, com funções diferentes. “A primeira é uma microesfoliação que permite remover as células mortas, renovar. A segunda é uma combinação fresca de óleos que hidrata, acalma e produz o efeito plump”, explica ao Observador a diretora de produto Patrizia Mazzitelli. “Podemos usar juntas ou usar a 2 de manhã, e de noite usar a 1, para esfoliar a pele de forma delicada e progressiva (se o fizer de manhã deve combinar com proteção solar).”, esmiúça.

Há 25 anos no mercado, Patricia não tem dúvidas de que cada vez mais o tema do envelhecimento cutâneo domina as preocupações e compras, e apesar de não ter uma bola de cristal a experiência no setor permite traçar alguns rumos e prioridades para os próximos 25. “Todos temos medo de envelhecer, mulheres e homens. Queremos manter uma pele jovem o mais que podemos, nisso não vejo mal nenhum. A hidratação e proteção anti-poluição serão a base da nova fronteira a explorar.”

Conhecida pela fórmula patenteada trio-molecular, a marca aposta na transversalidade em termos de faixas etárias e de cuidados, da prevenção à correção, dos primeiros anos à pele madura. “Em termos de beleza as mulheres querem prolongar a juventude mas cada vez mais com produtos que respeitem a pele. Aplicamos a investigação na fisiologia da pele. Muito mudou neste últimos 25 anos. Hoje temos a tendência de procurar algo novo, muitas vezes o nosso estilo de vida não nos permite dar tempo de regeneração à pele mas por isso precisamos de oxigenar, energizar a pele, proteger a barreira cutânea. Há também muito mais interesse sobre a composição, os ingredientes.”, complementa Dominika Eisenberg, formadora internacional ligada à marca há mais de 15 anos. “Tentamos estar atentos às tendências do mercado mas de uma forma que possa exprimir os valores da marca. Estamos muito ligados à dermocosmética e temos que perceber quem é o nosso consumidor e o que procura em 2026. Pode ser uma mulher skin care junkie ou uma mulher que aposta na segurança antes de mais. Falamos para ambas.”

Na Clarins, depois do Double Serum, um dos produtos estrela da casa, nasce a Double Serum Foundation, a base que funde os cuidados da pele com a função de maquilhagem — e de novo buscando resultados luminosos e de vitalidade. Também aqui a fórmula, híbrida, tem duas fases separadas, cujo casamento acontece apenas no momento da aplicação. Segundo a marca, a inovação é dupla. A chamada A.U.R.A. Technology (Advanced Ultra Radiance Amplifier) incorpora microcristais de reflexão de luz que amplificam a luminosidade. Quanto à fase hídrica, é composta por papaína estabilizada, uma enzima derivada da papaia que promove uma esfoliação suave, melhorando textura e reflexão da luz . À Double Serum Foundation (62 euros) junta-se o pincel de inspiração Gua Cha (53 euros), disponíveis em perfumarias e nos pontos de venda autorizados em Portugal desde fevereiro.

Formadora internacional da Clarins, Fan Clement-Zhang passou por Lisboa para apresentar as novidades da gama Precious, uma linha premium da mesma marca, que combina pesquisa de longevidade de ponta com ingredientes raros e preciosos, juntamente com texturas sensoriais e aplicação ritualizada. Cada detalhe é elaborado para proporcionar uma experiência holística de cuidados de pele — e claro que os valores acompanham a exclusividade, destacando-se de outros segmentos Clarins (os novos produtos ascendem aos 385 euros). Quanto ao propósito, mantém-se em linha com as experiências anteriores. “Os consumidores estão a afastar-se do ‘envelhecimento corretivo’ para preservar a função da pele e a vitalidade ao longo do tempo. A longevidade está agora associada à prevenção, resiliência e qualidade geral da pele — não apenas à redução de rugas. O que define a conveniência hoje em dia é a alta eficácia, a ciência-meets-natureza skincare com uma lógica biológica clara.”, define a especialista.

Em 2026, dois novos produtos juntaram-se a este portfolio Precious: Le Sérum Bright & La Crème Bright, com a juventude e a ciência da luminosidade em foco. Também aqui, a matéria-prima é fundamental para todo o processo. Ingredientes que apoiam a resiliência da pele — visando inflamação, stress oxidativo e defesa celular — são particularmente procurados, explica ao Observador. “Ao mesmo tempo, há um forte retorno à simplicidade refinada: menos produtos, mas com alto desempenho e sensório. Por outro lado, formulações duras e irritantes, excessivamente agressivas, estão a perder relevância. Os consumidores são cada vez mais céticos das tendências sem provas e esperam credibilidade e resultados a longo prazo, e fornecimento e embalagem transparentes e sustentáveis.”, aponta Fan Clement-Zhang.

No coração destas fórmulas Clarins encontra-se um novo ingrediente-chave de origem natural, o extrato de alga cystoseira iridescente. A alga é colhida à mão num ecossistema protegido na Côtes d’Armor, na Bretanha, França, e o seu extrato é conhecido por ajudar a aumentar o brilho da pele. Mas há mais protagonistas nesta história, a começar por uma espécie preferida de uma antiga rainha de França, já que Maria Antonieta passava horas apreciar a flor da lua. Originalmente das florestas tropicais quentes e húmidas da América Central, trata-se de um cacto com flores espetaculares — e não estranhe se tiver que esperar 20 anos para ver esta Moonlight Flower florescer. As flores frescas da flor da lua são colhidas à mão e extraídas através de um processo de crioextração a -196°C. Permanecendo a uma temperatura muito baixa, este processo de extração (exclusivo Clarins) permite preservar os componentes naturais da planta fresca e oferecer os melhores resultados possíveis, reativando a proteína de longevidade.

Para valores mais acessíveis (e aumentar as reservas de colagénio), a marca lançou um novo creme de dia focado na luminosidade e firmeza, integrado na linha de cuidados de rosto Extra-Firming da Clarins. O novo ingrediente estrela é o extrato de ginseng vermelho orgânico, ajuda as células da pele a respirar enquanto aumenta o brilho e a sua textura alaranjada dá um efeito glow instantâneo. Tem formato refill disponível e pode ser usado depois do sérum (desde 80,50 euros).

Voltamos à ameaça dos raios UV e a um novo produto distinguido como o selo de recomendação da Skin Cancer Foundation. Pela Kiehl’s chega o Better Screen UV Sérum (47,28 euros), uma solução que combina proteção solar avançada com correção visível da pele, ajudando a defender contra os danos causados pela exposição diária. A fórmula é enriquecida com SPF 50 e um complexo corretor de 2000 mg com péptido de colagénio, contra como manchas escuras, tom irregular e falta de luminosidade.

Apresentada à comunidade médica na reunião anual da Academia Americana de Dermatologia (AAD), no passado mês de março, Absolue Longevity MD funde biotecnologia, dermatologia e Beauty Tech, um dos termos a registar para os próximos tempos — e mais uma vez no âmbito da ciência da longevidade, a principal fronteira. As novas fórmulas da Lancôme combinam Mitopure (ingrediente patenteado da empresa suíça Timeline, baseado na molécula urolitina A — um pós-biótico associado à saúde mitocondrial) com aminoácidos, vitaminas, açúcares e antioxidantes, adaptados a cada fase da vida da pele. Inspirada numa lógica quase médica, a gama organiza-se em três protocolos e cinco produtos: Antecipate (Creme de prevenção, até aos 35 anos), Intercept (Sérum e creme de correção, dos 35 aos 55 anos) e Reset (Sérum e creme de regeneração, + de 55 anos). Os preços variam entre os 131 e 185 euros.