
A frase
Os arquivos de Epstein expõem Ellen DeGeneres como a “canibal mais prolífica” de Hollywood. Ela comeu carne de crianças.
— Utilizador do Facebook, 16 de fevereiro de 2026
São inúmeros os rumores que começaram a correr desde que os chamados ficheiros Epstein, relativos às atividades do criminoso sexual que morreu em 2019 na prisão, começaram a ser revelados pelo governo norte-americano. E embora a simples menção do nome de uma celebridade nesses documentos não signifique que esta tenha tido algum comportamento ilegal ou censurável, multiplicam-se depois as supostas notícias sobre essas celebridades “associadas” a Epstein.
Um dos exemplos mais recentes é o da comediante e apresentadora norte-americana Ellen DeGeneres, que segundo uma série de publicações nas redes sociais foi “exposta” nos ficheiros Epstein como “a canibal mais prolífica” de Hollywood. “Ela comeu carne de crianças”, garante a publicação aqui em análise.

Mas uma pesquisa por estes milhões de documentos, que estão (na parte que foi revelada, e que por vezes se encontra rasurada) disponíveis no site do Departamento de Justiça norte-americano, não confirma que exista qualquer referência a atos de “canibalismo” por parte da apresentadora.
O Observador fez a pesquisa pelo nome de Ellen Degeneres e constatou que existem 17 documentos em que a apresentadora ‘aparece’. Vários deles parecem resultar de emails de clipping, ou seja, que apresentam uma seleção de notícias ou tweets virais dessa semana, por exemplo. Assim, a apresentadora é mencionada nessas coleções de notícias por ter feito uma publicação nas redes sociais que se tornou viral, ou porque existe entre os emails recolhidos algum que inclui uma publicidade a um DVD com os programas de DeGeneres.
Existe também uma mensagem, cujo remetente não é identificado, em que é citado um discurso de DeGeneres numa faculdade, aparentemente só para destacar uma das piadas feitas pela apresentadora (neste caso, uma brincadeira sobre a inutilidade de se tirar um curso universitário, uma vez que não precisou de um para se tornar uma “grande celebridade”).
Entre os documentos que esta pesquisa revela, encontram-se vários outros emails de recolha automática das notícias da semana, em que a apresentadora aparece por diversos motivos (por exemplo, é destacada a primeira vez que respondeu a acusações de bullying no set de filmagens do seu programa, que entretanto acabou), incluindo também uma newsletter que foi reencaminhada para Epstein em que se comenta um prémio atribuído pelo antigo presidente Barack Obama à apresentadora.
Em todas estas menções, não se encontra qualquer referência a algum ato de canibalismo. Além disso, circulam noutras publicações rumores também sem fundamento que ligam o ator Leonardo DiCaprio às mesmas práticas ou imagens que supostamente mostram figuras como Jeffrey Epstein, Bill Gates, Hillary e Bill Clinton a prepararem-se para participar num ritual desse género — uma imagem que um detetor do uso de inteligência artificial online, utilizado pelo Observador, garante que com “97% de probabilidade” é falsa e foi gerada por inteligência artificial.

Conclusão
A ideia de que Ellen DeGeneres foi “exposta” como canibal nos ficheiros Epstein é falsa. As 17 menções que aparecem nos ficheiros disponibilizados são referências aleatórias, muitas em emails disparados automaticamente e que servem como recolha de notícias ou tweets virais que por acaso a mencionam. Nenhuma delas mostra uma conversa direta com Epstein, muito menos sobre canibalismo.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.