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Lucros da EDP sobem 44% para 1.150 milhões em 2025. Não há provisão para impostos na venda de barragens

Resultados da EDP sobem à boleia da EDP Renováveis. Elétrica não fez provisão para reclamação de impostos por venda das barragens porque "estamos convictos" de que não tem razão, diz CEO.

Ana Suspiro
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A EDP anunciou um lucro de 1.150 milhões de euros em 2025, um crescimento de 44% face ao valor apresentado em 2024. A subida é explicada pela recuperação nos resultados da EDP Renováveis que passaram de prejuízos de 556 milhões de euros em 2024 para lucros de 216 milhões de euros no ano passado.

Os resultados da EDP em 2025 subiram à boleia das EDP Renováveis que “teve uma excelente performance com um aumento de capacidade instalada de cerca de 2.000 MW (megawatts) ao longo de 2025”, sublinhou o presidente executivo da empresa em declarações ao Observador. O EBITDA, margem operacional bruta, recorrente fixou-se em pouco mais de cinco mil milhões de euros, mais 1% do que o ano passado.

Miguel Stilwell de Andrade indicou que a EDP não constituiu qualquer provisão para acautelar um eventual pagamento de imposto devido pela venda das barragens em 202o, não obstante o Ministério Público ter calculado em 335 milhões de euros os impostos em falta (IRC, IMT e imposto de selo) numa investigação à operação. “Estamos absolutamente convictos de que aquilo não tem razão nenhuma e teremos a nossa oportunidade de provar. E claro que não fizemos nenhuma provisão nas contas”, afirmou o CEO.

https://observador.pt/2025/11/05/edp-vai-ter-de-pagar-impostos-pela-venda-de-seis-barragens-mas-ministerio-publico-diz-nao-ter-havido-fraude-fiscal/

A investigação aberta pelo Ministério Público foi fechada em novembro do ano passado. Apesar de ter afastado a suspeita de evasão fiscal na forma como o negócio de 2.000 milhões de euros foi montado, o Ministério Público com a ajuda da Autoridade Tributária, estimou que deveriam ter sido pagos impostos de 335 milhões de euros.  Mas a liquidação ainda não foi feita. Em janeiro, a diretora-geral da Autoridade Tributária Helena Borges, afirmou que o fisco estava ainda a apurar o valor final, designadamente através da realização de várias inspeções.

2025 foi um bom ano para as redes e para a energia hídrica, com muita chuva, o que permitiu chegar a 2026 com um bom nível margem de armazenamento nas barragens. Já o arranque de 2026 foi negativamente afetado pelas tempestades que assolaram o continente, com particular foco para a Kristin que deitou abaixo mais de 6.000 quilómetros de redes de baixa, média e alta tensão geridas pela participada E-Redes na região centro. A EDP estima em 80 milhões de euros o prejuízo para o grupo,

https://observador.pt/2026/02/25/tempestades-causam-prejuizos-de-80-milhoes-a-edp-e-reposicao-definitiva-das-redes-ainda-vai-demorar-meses-avisa-ceo/

Sobre os resultados consolidados do ano passado, o presidente executivo da elétrica destaca ainda um aumento do nível de procura de energia na Península Ibérica, o que vê como “um sinal positivo” para a empresa e para a economia. Miguel Stilwell de Andrade aponta ainda para uma redução de custos em termos nominais pelo segundo ano consecutivo, o que reflete um “grande esforço de aumento da produtividade” no grupo.

O investimento recuou 23% para 3,7 mil milhões de euros, sobretudo no que toca à expansão da capacidade renovável. As redes foram exceção com o investimento a crescer 37% para os 656 milhões de euros. A EDP anunciou um forte crescimento no investimento em redes para os próximos anos, um plano que deverá ser ainda mais reforçado por causa dos efeitos da depressão Kristin.

Como notas positivas de 2025, o CEO da elétrica sublinhou a redução da dívida em 200 milhões de euros e uma melhoria em mais de 40% no preço das ações que já recuperaram do trambolhão que se seguiu à apresentação do novo plano estratégico e que o gestor classifica como tendo sido “um ajuste técnico”.

Em face destes resultados, o conselho de administração vai propor à assembleia geral um aumento de 2,5% na distribuição de dividendos para 0,205 cêntimos.