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Metrobus arranca no sábado de forma gratuita mas com detalhes a aprimorar

Até ao final de março, o autocarro a hidrogénio será gratuito. O teste demonstrou problemas na partilha de vias, avisos sonoros sem funcionar, mas espera-se que tudo fique operacional em breve.

Maria Rego
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A viagem de teste, feita esta terça-feira, demorou 13 minutos e permitiu ao Metrobus do Porto ligar a Praça do Império e a Casa da Música, ainda que com sinais sonoros a falhar e com parte do trajeto feita fora da via indicada. Sábado, após muito tempo de espera, arranca a fase experimental, que vai durar um mês, entre as 06h00 e as 22h00, e com viagens grátis de 10 em 10 minutos durante a hora de ponta.

Quando o Observador chegou à Praça do Império, o Metrobus era alvo da curiosidade de muitos dos que passavam por uma das sete estações do percurso do veículo a hidrogénio (Casa da Música, Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves, João de Barros e Império). A viagem teste decorreu de forma calma, mas, em alguns troços, a “passadeira vermelha” deixou de ser usada. Um desses momentos, aconteceu na Avenida Marechal Gomes da Costa, zona em que o Metrobus tem de se juntar ao restante tráfego para circular, deixando dúvidas sobre a sua eficácia em horários de maior fluxo de trânsito.

Aos jornalistas, o diretor de exploração da Metro do Porto, João Nuno Aleluia, admitiu que os veículos “vão estar sujeitos às condições do trânsito e que vão ter de viver com elas”, explicando ainda assim que vão recorrer aos semáforos para garantir que não há grandes constrangimentos. “O sistema semafórico vai ajudar-nos a conseguirmos fluir de forma suficientemente eficaz também o trânsito rodoviário, porque no fundo acabamos por condicionar e levar connosco o transito rodoviário que circula na nossa direção”, explicou no final da viagem, que não contou com a presença de nenhum elemento do executivo da Câmara de Gaia.

Este não é o único desafio que este meio de transporte ainda enfrenta, apesar de estar a poucos dias de entrar em funcionamento. Na rotunda da Boavista, o Metrobus também tem de se afastar do trajeto estipulado, um problema que tem causado muita polémica e cuja resolução ainda está a ser estudada. Pelas 11h00 desta terça-feira, numa altura sem trânsito, demorou cerca de três minutos a contornar a rotunda. “A experiência vai-nos indicar as medidas a adotar”, defende João Nuno Aleluia, explicando qual é a solução provisória: “Vamos ter um autocarro a mais, um quinto autocarro, para fazer a regulação do arranque na Avenida da Boavista. Mas, a fase experimental servirá para validar, verificar e testar tudo”.

https://observador.pt/2025/06/11/camara-do-porto-e-stcp-estudam-solucao-para-metrobus-na-rotunda-da-boavista/

Ainda na Boavista, há um outro detalhe que chama a atenção. A longa avenida tornou-se nos últimos tempos – enquanto a obra de 76 milhões de euros sofria atrasos constantes – uma espécie de ciclovia, muito utilizada por quem opta por transportes sustentáveis, não motorizados ou de baixo impacto ambiental. Um cenário que terá de mudar uma vez que, alerta João Nuno Aleluia “não é viável” uma via partilhada entre Metrobus e outros meios. Todavia salienta que, “naturalmente, com o serviço a acontecer, as pessoas vão sair do canal”.

Lá dentro, o veículo tem portas de carregamento USB e USB-C em cada banco e dispõe de zona para bagagens e pranchas de surf. Mas ainda há pormenores a aprimorar, como o aviso sonoro que não está operacional. O diretor de exploração da Metro do Porto explicou que se está “em fase de ligação de todos os sistemas de apoio à exploração”, acrescentando, em jeito de admissão, que, “no primeiro dia, não vão estar todos a funcionar”.

Já no que toca à utilização do transporte por pessoas de mobilidade reduzida, João Nuno Aleluia explicou que “a questão das cadeiras de rodas foi estudada desde o início” e que acesso será feito “pela porta da frente”. “Com o treino, iremos conseguir distâncias de paragem cada vez mais confortáveis e cada vez mais próximas”.

O responsável pela operação do Metrobus, Joaquim Gomes, assegurou que de momento se trabalha nas “afinações finais” e que os responsáveis esperam ter “tudo afinado e a funcionar na perfeição” até ao mês de março.

O metrobus que fez a viagem de teste é um dos cinco veículos que vão fazer este mesmo percurso entre a Casa da Música e a Praça do Império de dez em dez minutos em horas de ponta e de 15 em 15 minutos nas restantes. Durante o período experimenta, será totalmente gratuito para que as pessoas possam testar o transporte. Irão aderir posteriormente? O diretor de exploração da Metro do Porto mostra alguma esperança. “Vamos ver. Tendencialmente os serviços crescem com o tempo e com a experiência. O grande momento de mudança de hábitos de mobilidade é setembro. É a altura em que nos ajustamos em função das escolas e trabalho, portanto diria que em setembro/outubro vamos ter já uma boa visão daquilo que será a atividade efetiva de serviço que temos”, previu.

Trânsito partilhado e paragens distantes: as preocupações dos cidadãos

No final do trajeto, o veículo volta a atrair a atenção dos cidadãos, que parecem divididos sobre a eficácia desta nova opção de mobilidade. Maria Carvalho não é do Porto, mas trabalha ali na zona. Ao Observador, confessa que olha para o Metrobus com algum ceticismo. “Acho que vai causar um bocadinho de transtorno nos momentos em que for partilhado (com outros transportes) porque pode perturbar o trânsito. Já é uma situação complicada no Porto, em geral, uma situação de partilha pode transtornar ainda mais… Esperemos que tenha uma solução rápida”, deixou como desejo. Ainda assim, mesmo apontando defeitos, Maria Carvalho, que não terá necessidade de usar o Metrobus, defende que o novo transporte “acaba por conseguir fazer a ligação a quem venha do metro, por exemplo, na Casa da Música, e que irá deslocar-se com menos transtorno”.

Já Carminda Lopes está ansiosa para experimentar o Metrobus. Admite mesmo que na próxima semana vai “usar para perceber como funciona”. No entanto, também aponta alguns defeitos à obra. “Acho que as paragens estão muito distanciadas umas das outras”, critica em conversa com o Observador. Pelas ruas, conta, há a sensação de que o Metrobus “é uma obra que deve ter custado milhares de euros do estado e que não se vê que vai resolver a situação”. O próximo mês já poderá trazer algumas respostas.

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