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Zelensky diz que Putin não "quebrou" ucranianos ao assinalar 4 anos da invasão da Rússia

No dia em que se cumprem quatro anos do ataque russo, Presidente ucraniano orgulha-se do país ter defendido a independência e soberania e diz que Putin "não alcançou os objetivos".

Agência Lusa
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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta terça-feira que a Rússia não “quebrou os ucranianos” nem triunfou na sua guerra, quatro anos após uma invasão que testou severamente a determinação de Kiev e dos seus aliados.

Além disso, disse Zelensky, a guerra alimentou os receios dos europeus sobre a escalada das ambições de Moscovo.

Numa demonstração de apoio, mais de doze altos responsáveis europeus dirigiram-se à capital ucraniana para assinalar o aniversário sombrio do conflito, que matou dezenas de milhares de pessoas, desestabilizou a vida de milhões de ucranianos e criou instabilidade para além das suas fronteiras.

Zelensky adiantou que o seu país resistiu à ofensiva do exército russo, maior e melhor equipado, que no último ano de combates capturou apenas 0,79% do território ucraniano, segundo o Institute for the Study of War, um grupo de reflexão com sede em Washington. A Rússia detém agora cerca de 20% da Ucrânia.

“Olhando para o início da invasão e refletindo sobre hoje, temos todo o direito de dizer: Defendemos a nossa independência, não perdemos a nossa soberania”, frisou Zelensky nas redes sociais, acrescentando que o Presidente russo, Vladimir Putin, “não alcançou os seus objetivos”.

https://twitter.com/ZelenskyyUa/status/2026183302969774260

“Ele não quebrou os ucranianos; ele não ganhou esta guerra”, sublinhou o chefe de Estado ucraniano.

Apesar da demonstração de desafio, a Ucrânia tem lutado para conter o avanço da Rússia, e a guerra trouxe dificuldades generalizadas para os civis ucranianos.

Os ataques aéreos da Rússia devastaram famílias e privaram os civis de eletricidade e água corrente.

Putin não referiu o aniversário nem disse como decorria a guerra quando falou, esta terça-feira, numa reunião em Moscovo, com altos responsáveis do Serviço Federal de Segurança, ou FSB.

No entanto, disse-lhes que a ameaça de ataques ucranianos em solo russo aumentou.

A Ucrânia tem cada vez mais desdobrado drones de longo alcance que desenvolveu para atacar refinarias de petróleo, depósitos de combustível e centros logísticos militares a mais de 1.000 quilómetros dentro da Rússia.

À medida que o conflito entra no seu quinto ano, um impulso diplomático liderado pelos EUA para pôr fim à maior guerra no continente desde a Segunda Guerra Mundial parece não estar mais próximo de um acordo de paz.

As negociações estão bloqueadas quanto ao que acontecerá com o Donbas, o coração industrial do leste da Ucrânia que as forças russas ocupam na sua maioria, mas que não conseguiram conquistar completamente, e em relação aos termos de um acordo de segurança pós-guerra que Kiev exige, para dissuadir qualquer futura invasão russa.

A Assembleia Geral da ONU pediu esta terça-feira um cessar-fogo imediato e uma paz abrangente na Ucrânia, rejeitando uma tentativa dos EUA de eliminar a linguagem que enfatiza a soberania e a integridade territorial do país.

https://observador.pt/2026/02/24/ucrania-costa-e-von-der-leyen-em-kiev-para-assinalar-quatro-anos-de-guerra/

Washington apoia um cessar-fogo imediato, afirmou a vice-embaixadora dos EUA, Tammy Bruce, antes da votação, mas opôs-se à linguagem que enfatiza a unidade territorial da Ucrânia, porque isso poderia “desviar” o foco das negociações de paz.

A Assembleia Geral, composta por 193 membros, aprovou a redação original por 107 a 12, com os Estados Unidos entre os 51 países que se abstiveram.

Num memorial improvisado na praça central de Kiev, onde milhares de pequenas bandeiras e retratos mostram fotos de soldados caídos, Zelensky disse que gostaria que o Presidente dos EUA, Donald Trump, visitasse e testemunhasse por si mesmo o sofrimento ucraniano.

“Só então se pode realmente compreender do que trata esta guerra”, acrescentou.

Quando mais tarde lhe perguntaram como quatro anos de guerra o tinham mudado, Zelensky disse: “Não tenho tempo para amigos ou amizades.”

Trump, que uma vez prometeu acabar com a guerra um dia, mudou repetidamente o seu tom em relação a Putin e a Zelensky ao longo do último ano: por vezes criticando a posição de negociação do líder ucraniano, enquanto se aproximava do líder russo, e noutras ocasiões atacando Putin pelos pesados bombardeamentos e mostrando-se mais simpático à situação da Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a invasão continuaria em busca dos objetivos de Moscovo.

Estes objetivos incluem uma exigência de que a Ucrânia renuncie à sua tentativa de aderir à NATO, cortar radicalmente o seu exército e ceder vastas extensões de território.

Zelensky disse que esperava uma nova ronda de negociações mediada pelos EUA com a Rússia nos próximos 10 dias.

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