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"Sobrevivente Designado", o escolhido para substutir o Presidente dos EUA se todo o governo morrer durante o discurso do Estado da União

Tem de ter pelo menos 35 anos e fica num local longe do Capitólio. Enquanto o Presidente dos EUA discursa perante o Congresso, há um "Sobrevivente Designado" que vai assegurar continuidade do governo.

Mariana Marques Tiago
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A madrugada desta terça-feira será marcada pelo discurso de Donald Trump sobre o Estado da União. O mundo estará de olhos postos nas palavras do presidente dos EUA e no local, a escutá-lo de perto, estarão todos os membros do Congresso. No entanto, num local secreto e longe do Capitólio, fora estará pelo menos um “Sobrevivente Designado”: uma pessoa especialmente escolhida para dar continuidade à governação do país caso haja um ataque maciço em que todos os membros morram.

A Constituição dos EUA não exige que, por ocasião de eventos como o discurso do Estado da União ou tomadas de posse, seja nomeado um “sobrevivente designado”, de acordo com a revista Time.

A ideia de escolher um “sobrevivente designado” é ter alguém que, em caso de desastre, substitua o Presidente dos EUA. Nesse sentido, é escolhido alguém que se encontra na linha de sucessão presidencial, lê-se na Time. Apesar de não haver uma confirmação oficial, suspeita-se que estas nomeações tenham começado na época da Guerra Fria, porque os EUA temiam um ataque nuclear por parte da União Soviética.

A existência desta figura na política norte-americana (mesmo perante o vazio na Constituição dos EUA), foi até retratada na série “Designated Surviver”, que esteve em exibição entre 2016 e 2019. A série de três temporadas retrata precisamente a nomeação repentina de Tom Kirkman (interpretado por Kiefer Sutherland), um membro muito abaixo na linha de sucessão presidencial, como Presidente dos EUA após um ataque ao Capitólio durante o discurso do Estado da União.

De acordo com a revista Time, normalmente o “sobrevivente designado” é um dos membros do Gabinete do Presidente. No entanto, na Constituição dos EUA não está descrito como é feita a escolha. Ainda assim, acredita-se que a seleção seja feita pelo próprio Presidente ou pelo chefe do seu gabinete.

Há, no entanto, uma condição: o escolhido tem de ser elegível para servir como Presidente, pelo que tem de ter pelo menos 35 anos.

Se inicialmente a ideia era garantir que havia uma espécie de “Presidente” de substituição, após o ataque do 11 de setembro de 2001 este panorama alterou-se. Segundo a revista Time, desde aí também os líderes do Congresso começaram a selecionar legisladores para assumirem esta função. Neste caso, não são escolhidos para, em caso de desastre, substituírem o Presidente, mas sim para garantir a continuidade do poder legislativo.

Foi precisamente pela vontade de garantir que o poder legislativo continua a funcionar que o democrata Mike Thompson anunciou ter sido “selecionado”, pelo próprio partido, como “sobrevivente designado” — motivo pelo qual não poderá marcar presença no local onde o discurso será proferido. O democrata terá, no fundo, a missão de substituir o cargo atualmente assumido por Hakeem Jeffries. Significa isto que, em caso de ataque, Mike Thompson tornar-se-ia líder dos democratas no Congresso.

https://twitter.com/RepThompson/status/2025962609808228436

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Notícia atualizada às 23h45