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No dia em que se assinalam quatros anos da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reuniram-se com Volodymyr Zelensky. No final, o antigo primeiro-ministro de Portugal prestou longas declarações aos canais televisivos do país que liderou — e aproveitou para atirar a Donald Trump (que tem tido “insucesso” em alcançar a paz), deixou claro que a Rússia não pode obter os territórios que reivindica (porque isso seria um “péssimo incentivo”) e colocou nas mãos da Rússia a decisão de parar a guerra.
“O que falta verdadeiramente para chegarmos à paz é a Rússia finalmente decidir que já chega de prosseguir a guerra [com a Ucrânia] e empenhar-se num acordo de paz”, afirmou António Costa aos jornalistas. O responsável pela Comissão Europeia defendeu que a UE tem “colaborado” e “apoiado todos os esforços de paz”, e reconheceu que este foi um inverno “particularmente duro”.
“A Rússia está particularmente focada em destruir equipamentos civis”, entre as quais centrais de energia, sujeitando o povo ucraniano ao frio, disse. Ainda assim, a Ucrânia tem sido “o único dos beligerantes que até agora se envolveu no processo de paz e manifestou disponibilidade para fazer cedências”, fez questão de vincar.
E afirmou ainda que “a Rússia, desde o primeiro dia que continua a fazer exatamente as mesmas exigências. Não há uma manipulação [por parte de Putin]. Até agora houve um relativo insucesso nos esforços do presidente Trump junto do presidente Putin”, criticou Costa. E, reconhecendo que “ninguém deseja mais a paz que os ucranianos e Zelensky”, garantiu que a Ucrânia “poderá sempre contar com a UE”.
Ao longo do encontro desta terça-feira, Volodymyr Zelensky deixou claro que era prioritário definir uma data para a adesão formal da Ucrânia à União Europeia. O presidente ucraniano assegurou que seria possível que este passo fosse dado já no próximo ano, em 2027. Mas António Costa e Ursula von der Leyen deixaram claro, em conferência de imprensa, que definir “datas não é possível”.
Nas declarações aos jornalistas portugueses que Costa prestou depois, o líder do Conselho Europeu optou por deixar a receita para que este conflito, que já se prolonga há 4 anos, termine. “É fundamental que a Rússia se decida a empenhar-se na paz e para isso há duas condições: manter uma pressão elevada sobre a Rússia para a forçar a ir para a mesa das negociações e manter o apoio à Ucrânia para que possa continuar a resistir.”
E a propósito de mesa de negociações, disse, é necessário salvaguardar um aspeto fundamental: “Que a Rússia não obtém, na mesa das negociações, o que não teve capacidade de alcançar em 4 anos na frente de combate.” “Isto é decisivo, porque se a Rússia sai premiada desta guerra, isso é um péssimo incentivo” aos outros países com intenções semelhantes, afirmou .
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