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CDS-PP recusa acordo com Chega para assunção de pelouros em Cascais

O partido garantiu que "nunca" fará um acordo com o Chega. Por sua vez, o presidente da Câmara lembrou que já tinha indicado que iria convidar todos os eleitos para assumirem funções executivas.

Agência Lusa
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O vereador do CDS-PP na Câmara de Cascais, Pedro Morais Soares, assegurou esta terça-feira que o partido “não fez nem nunca fará nenhum acordo com o Chega”, na sequência da integração daquele partido no executivo municipal liderado pelo PSD.

“Respeito a sua decisão, senhor presidente, mas discordo da posição que tomou. Referir e realçar que o CDS não fez, nem nunca fará, nenhum acordo com o Chega, portanto o CDS irá reunir os seus órgãos para analisar a situação“, declarou o vereador centrista Pedro Morais Soares na reunião pública da Câmara de Cascais, que decorreu esta terça-feira de manhã.

O presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes (PSD), decidiu atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega, situação que levou a que os eleitos do PS, que também tinham competências executivas, abdicassem delas.

Na reunião do executivo desta terça-feira, o tema esteve em discussão no Período Antes da Ordem do Dia (PAOD), com tomadas de posição quer do PS, quer também do CDS-PP, que integra a coligação que lidera o município do distrito de Lisboa.

Pelo PS, o vereador socialista João Ruivo justificou a decisão dos socialistas abdicarem dos pelouros que tinham no executivo, argumentando que o acordo estabelecido com o PSD excluía a presença do Chega.

“Foi assumida com transparência desde o primeiro momento do diálogo que esteve subjacente ao entendimento estabelecido. O PS foi claro. Não integraria um executivo municipal em que o Chega tivesse pelouros. Não houve surpresa. Houve uma escolha“, afirmou.

Também na reunião desta manhã , o vereador do Chega João Rodrigues dos Santos sublinhou que o partido foi “legitimamente validado pelo Tribunal Constitucional” e que os eleitores deram um mandato que implica “trabalhar, influenciar decisões e defender ativamente os interesses dos munícipes“.

“Há quem prefira o conforto da oposição permanente, de conversa de café, como é o vosso caso, não é? Eu prefiro a responsabilidade da governação”, salientou.

Já o vereador independente João Maria Jonet criticou a opção do PSD, lembrando que alertou durante a campanha eleitoral para a disponibilidade dos sociais-democratas para “pactuar com o Chega“, considerando que essa solução não respeita os valores democráticos que defende.

https://observador.pt/2026/02/23/psd-fecha-acordo-com-chega-em-cascais-e-ps-rompe/

Numa curta resposta, o presidente da Câmara de Cascais lembrou que durante a campanha indicou que iria convidar todos os eleitos para assumirem funções executivas caso fosse eleito.

“Aquilo que eu disse antes das eleições, durante as eleições e depois das eleições, é de que iria convidar todos os senhores vereadores que foram eleitos para esta Câmara Municipal para trabalhar para bem de Cascais. Foi isso que eu fiz e é isso que eu continuarei a fazer, porque no final do dia o nosso partido é sempre Cascais”, justificou o autarca.

Nuno Piteira Lopes argumentou ainda que o acordo que estava assinado com o PS não era exclusivo e admitia a entrada de outras forças políticas.

Na resposta, o vereador socialista João Ruivo insistiu que o PS sempre deixou claro que não aceitaria partilhar pelouros com o Chega.

A agência Lusa contactou o CDS-PP e a Câmara Municipal de Cascais para obter mais esclarecimentos, mas não obteve resposta até ao momento.

A coligação PSD/CDS-PP perdeu, após seis mandatos seguidos, a maioria absoluta em Cascais nas eleições autárquicas de outubro, com a candidatura Viva Cascais, liderada por Nuno Piteira Lopes, a conseguir para a Câmasra Municipal 30.258 votos (33,84%), com cinco eleitos.

O PS obteve 14.460 votos (16,17%), elegendo João Ruivo e Alexandra Carvalho, e em terceiro lugar ficou a candidatura independente liderada por João Maria Jonet, que conseguiu 13.203 votos (14,77%) e elegeu ainda António Castro Henriques. O Chega obteve 12.954 votos (14,49%) e também conseguiu dois eleitos, Pedro Teodoro dos Santos e João Rodrigues dos Santos.

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