A expectativa era grande, mas a primeira amostra deixou muito a desejar. Muito mudou na Aston Martin ao longo dos últimos meses, ao ponto de a equipa que ficou no sétimo lugar do último Mundial de construtores ser apontada como uma das candidatas a destronar o domínio que foi da McLaren depois de já ter sido da Red Bull. E não era para menos. A Silverstone chegaram nomes importantes e impactantes fora do alcatrão, com destaque para Adrian Newey, chefe de equipa e o “génio” da nova versão do Aston Martin, o AMR26. Contudo, o ano que pode ser de despedida para Fernando Alonso, começou da pior forma, com o motor Honda a perder o comboio da frente nos treinos da pré-temporada — os mais longos de sempre —, realizados no Bahrein.
https://observador.pt/2025/11/28/arrumar-a-casa-para-chegar-a-surpresa-em-2026-adrian-newey-e-o-novo-todo-poderoso-da-aston-martin-na-formula-1/
No que respeita ao monolugar, a mudança significativa nos regulamentos da Fórmula 1, que entra em vigor esta temporada, obrigou as equipas a reinventarem-se e a Aston Martin não foi exceção. Com o melhor desenhador da história da Fórmula 1 a trabalhar na concessão do carro, juntamente com Enrico Cardile, o AMR26 é alimentado por uma unidade motriz RA626H, sendo o primeiro monolugar desenvolvido pela Honda em colaboração com a Aston Martin. Em termos de cor, o AMR26 é bastante parecido com o antecessor, apresentando um acabamento acetinado, uma caixa de ar mais escura e tons de azul claro na asa traseira como principais novidades. Ainda assim, Newey e as instalações mais modernas da atualidade parecem não ser suficientes para colocar a equipa de Silverstone noutro patamar.
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Inicialmente, uma das primeiras dificuldades apresentadas por Alonso e Lance Stroll, que trabalha com o português Nuno Pinto, prendia-se com o chassi do monolugar. Posteriormente, o problema “estendeu-se” para a unidade de potência, que está longe de apresentar a fiabilidade esperada. Certo é que, no Bahrein, os dois Aston Martin correram apenas 2.111 quilómetros, contra os 6.193 da Mercedes, os 6.090 da Ferrari e os 5.048 da Red Bull, terminando a quase quatro segundos de Charles Leclerc, o piloto mais rápido nesta fase (3,982 segundos). No circuito internacional de Manama, o canadiano, filho do milionário Lawrence Stroll, o dono da equipa, foi protagonista de uma das bandeiras vermelhas dos teste, quando perdeu o controlo do carro e teve de se desviar para a gravilha. Seguiu-se um abandono do antigo campeão do mundo, que teve de deixar o seu carro na pista, por este ter sido considerado inseguro, para que os mecânicos o conseguissem retirar rapidamente.
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A machadada final deu-se quando a Honda deu conta de um problema crítico na bateria, que limitou as capacidades do monolugar e levou Stroll a fazer apenas seis voltas ao longo de todo um dia de testes. Já a equipa teve de se retirar antes do previsto, a duas horas e 20 minutos da sessão terminar. “Encontrámos um problema na bateria e os nossos esforços centram-se em solucionar os defeitos. O nosso plano levou a uma rodagem muito limitada, que se deveu à falta de peças”, explicou Shintaro Orihara, diretor-geral da Honda. “A pré-temporada da Aston Martin chegou ao fim com a confirmação de que Stroll não vai competir mais. Fizeram seis voltas hoje. Se conseguirem resolver o problema de fiabilidade, podem pelo menos aspirar a terminar as corridas”, escreveu Antonio Lobato, jornalista espanhol, nas redes sociais, considerando que a equipa não pode perder mais recursos da bateria, algo que pode colocar em risco as próximas corridas e o orçamento, que já é restrito.
Agora, o principal objetivo da Aston Martin é chegar a Melbourne, na Austrália, na melhor forma possível, embora o tempo jogue contra si, já que o primeiro Grande Prémio do ano está marcado para o dia 8 de março. Um dos principais fatores que levou ao cenário atual deriva de um atraso na conceção das peças do novo monolugar. “Nem todas as nossas peças estavam prontas em abril [de 2025]. Começámos atrasados, é verdade. Tínhamos um calendário apertado e dez meses muito ocupados. Estamos cerca de quatro meses atrasados, pelo que tivemos um curto período de investigação e design. O carro só ficou pronto no último minuto. E foi no teste de Barcelona [no final de janeiro]”, justificou Newey, que deu ainda conta que o carro chegou tarde ao túnel de vento, apesar de estar melhor em termos aerodinâmicos.
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Já Fernando Alonso, que tem o seu futuro incerto a partir do final de 2026, não estando descartada a hipótese de terminar a carreira no final desta temporada, considera que a Aston Martin tem “tempo para recuperar”. “Não há nada que não possa ser resolvido. É uma corrida de longo prazo e a segunda parte do campeonato será mais importante. Ainda não temos uma boa compreensão das regulamentações e do que é necessário. Depois de mais de 30 anos do Adrian [Newey] a dominar o desporto, ele não vai esquecer tudo num ano. Não sei onde estamos agora em termos de chassis e de nível de aderência, mas mesmo que não estejamos a 100%, estaremos a 100% em breve porque resolveremos qualquer problema na unidade de potência. Precisamos de dar tempo e entender onde estamos. Se estivermos atrasados, temos de melhorar o mais rápido possível”, revelou o espanhol em declarações ao RacingNews365.
“Precisamos de mais potência. É tão simples quanto isto. Estamos a perder em termos de potência. E também precisamos de melhorar o carro. É uma combinação de fatores. Temos muitas ideias. O problema é do monolugar, de certeza. Todos os problemas vão estar resolvidos em Melbourne? Provavelmente não. É uma época longa, com 24 corridas. Vamos continuar a trabalhar e a tentar trazer o máximo de performance que conseguirmos a cada fim de semana. Quanto ao motor é igual: vamos tentar evoluir ao longo do ano e depois veremos onde conseguimos chegar”, explicou Lance Stroll à imprensa durante as sessões de pré-temporada. O canadiano deu ainda conta de que, à luz das suas previsões, o AMR26 está, nesta altura, com um atraso de quatro segundos e meio em relação ao Ferrari de Leclerc.
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