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Mau tempo: autarca de Almada alerta que "terras ainda estão em movimento" e que perigo continua

Inês de Medeiros diz que terra continua a mover-se em Porto Brandão e Costa da Caparica. Município criou gabinete de apoio para reconstruir vidas das 500 pessoas afetadas.

Agência Lusa
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A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, alerta que os deslizamentos de terras continuam a ocorrer, na sequência do mau tempo das últimas semanas, admitindo que em algumas zonas não será possível as pessoas voltarem a casa.

“É importante que continuem a aceitar e a respeitar as indicações da proteção civil. Agora está sol, mas o perigo ainda não desapareceu”, salienta a autarca, numa mensagem na rede social Facebook, publicada na segunda-feira à noite.

De acordo com a presidente da Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, apesar de a chuva ter parado, o risco ainda existe e os deslizamentos de terra continuam a ocorrer.

A situação, refere, tem estado a ser monitorizada por uma equipa da Faculdade de Ciência e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, que instalou marcadores nas zonas afetadas para saber como é que a terra ainda se está a mover.

Na nota, a autarca deixa uma “palavra especial” para os munícipes afetados pelos deslizamentos de terra por viverem “num sítio onde provavelmente não vai ser possível regressar”.

Para muitas famílias, reconhece a autarca, as dificuldades ainda não passaram, especialmente em Porto Brandão, Azinhaga dos Formozinhos e Costa da Caparica.

Cerca de 500 pessoas foram retiradas desses locais, tendo algumas ficado em casa de familiares ou amigos, enquanto outras foram acolhidas em alojamentos pagos pela autarquia.

“Para todos sei o sofrimento que é deixar uma casa de uma vida e deixar muitas memórias, nunca nos esquecemos dessa dor e estamos convosco solidariamente para que este momento seja o mais breve possível e que possam sarar e voltar a ter esperança neste nosso maravilhoso território”, refere a presidente da Câmara de Almada.

Inês de Medeiros indica ainda que foi criado um gabinete de apoio para obter todos os dados e criar um planeamento de reconstrução das vidas dessas pessoas e assegura que o município está no terreno todos os dias “a fazer tudo para que as vidas possam regressar à normalidade o mais depressa possível” e que “ninguém ficará para trás”.

A autarca adianta também que já se iniciou a limpeza de vias, bem como os trabalhos de desobstrução da rua 1.º de Maio, em Porto Brandão, “para que as famílias retiradas preventivamente possam regressar às suas casas e para que o comércio local, os restaurantes e o terminal fluvial possam retomar a atividade”.

Ainda sem prazo de conclusão, devido à instabilidade das terras, a obra em Porto Brandão irá representar numa primeira fase um investimento municipal estimado em 2,6 milhões de euros.

Desde o início das tempestades que assolaram o território continental desde o final de janeiro e nas primeiras semanas de fevereiro, o concelho de Almada registou vários deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão, tendo sido solicitada a ajuda ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil para análise da situação.

No dia 09, foi realizada uma primeira visita dos técnicos a São João da Caparica, na sequência de um deslizamento de terras que afetou prédios situados junto à arriba fóssil, obrigando à retirada dos moradores.

No relatório elaborado, a que a Lusa teve acesso, é recomendado que o regresso dos moradores aconteça apenas depois de uma inspeção que garanta estarem asseguradas condições de estabilidade da arriba e da estrutura dos edifícios afetados.

No documento, os técnicos indicam ser provável que incidentes semelhantes ocorram no futuro, na sequência de episódios de chuva intensa e contínua, defendendo o estudo de soluções de estabilização definitivas da arriba fóssil “que poderão envolver, entre outras, medidas de drenagem superficial e profunda e de contenção de blocos de rocha, e/ou de minoração dos danos provocados pela sua destabilização, designadamente muros de espera”.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.