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(A) :: O conto de fadas continua (e com o leão no caminho): Bodö/Glimt volta a surpreender com vitória em Milão e vai encontrar Sporting ou City

O conto de fadas continua (e com o leão no caminho): Bodö/Glimt volta a surpreender com vitória em Milão e vai encontrar Sporting ou City

Num jogo de sentido único, o Bodö/Glimt voltou a mostrar toda a sua valia e somou mais uma grande vitória, repetindo um feito que não se via desde Cruijff (1-2, 2-5). Segue-se Lisboa ou Manchester.

Tiago Gama Alexandre
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Chegou o dia em que se ia ficar a saber se o sonho era suficiente para superar a realidade. Há seis dias, o Bodö/Glimt voltou a inscrever o seu nome no álbum de ouro desta Liga dos Campeões e derrotou, em casa, o vicecampeão da última edição, o Inter Milão (3-1). O Estádio Aspmyra, na longínqua cidade de Bodö, transformou-se numa das fortalezas desta Champions, já que, na fase de liga, só a Juventus conseguiu vencer na Noruega, onde o Tottenham empatou e Monaco, Juventus e Manchester City perderam, para além do Atl. Madrid ter sido surpreendido, na sua casa, pelo Glimt. Perante tudo isso, os nerazzurri estavam em claro alerta e, apesar da desvantagem de dois golos, partiam para esta segunda mão com o favoritismo do seu lado, fruto das sete vitórias consecutivas na Serie A.

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“Já sabíamos que não seria fácil, tanto pelas condições do campo, como pelo tempo. Precisávamos de nos adaptar melhor ao contexto do jogo, mas infelizmente não conseguimos fazer isso durante toda a partida. Sabíamos da força dos nossos adversários. O que eles conquistaram na fase de liga não foi por acaso. Empataram em Dortmund, venceram o Man. City e ganharam em Madrid. Sabíamos que nos podiam causar problemas. Em alguns momentos tivemos dificuldades e desperdiçámos algumas oportunidades. Esperamos que amanhã [terça-feira] isso não se repita. Não é uma obrigação, é um dever. Temos de fazer o que sabemos fazer, entrar em campo com confiança e estar cientes de que, se há equipa capaz de dar a volta a esta eliminatória, é a nossa. Não podemos perder o equilíbrio, a confiança e a autoconfiança. Um jogo dura 90, 100, 120 minutos ou talvez até aos penáltis. Não podemos apressar-nos para marcar e depois ficar expostos. Trata-se de gerir os momentos-chave”, lembrou Cristian Chivu na antevisão ao jogo da segunda mão.

“Sintético? O Man. City nem sequer mencionou o campo, não reclamou do sintético… Nós também não estamos habituados a San Siro, mas pensamos noutras coisas. O que os outros fazem não é importante para nós. Aqueles que pensam demasiado no frio e noutras coisas não são espertos. Jogar em San Siro será, de qualquer forma, uma prenda e temos de estar prontos para a receber. Há jogadores que querem vir para cá. Não é uma cidade grande, mas pode-se aprender a jogar futebol. Somos humildes. Não devemos só defender, temos de pensar como se estivesse 0-0 e não recuar demasiado o nosso centro de gravidade. Toda a equipa tem de ajudar na defesa e depois no ataque. Na primeira mão fomos bons a fechar o jogo e melhorámos. Temos uma ideia de futebol forte e intensa. Inspirámo-nos no Liverpool de Jürgen Klopp, de quem recebi elogios nas últimas semanas. Há jogadores que querem vir para cá. Não é uma grande cidade, mas podes aprender a jogar futebol. Somos humildes”, explicou Kjetel Knutsen.

https://twitter.com/Inter/status/2026205459850641713?s=20

Com Ronaldo Nazário presente nas bancadas do Giuseppe Meazza, este jogo contou com outro prisma de análise, que podia ser importante para o futuro imediato do futebol português, já que ia ser daqui que ia sair um dos possíveis adversários do Sporting nos oitavos de final, numa eliminatória que será decidida no Estádio José Alvalade. Para além de italianos ou noruegueses, Benfica e Real Madrid estão no horizonte dos leões. Com Ronaldo Nazário a assistir, Lautaro Martínez, que se lesionou na primeira mão, não recuperou a tempo deste jogo, o que levou Chivu a lançar de início Marcus Thuram, ao lado de Pio Esposito. Nos noruegueses, Ole Didrik Blomberg juntou-se a Jens Petter Hauge e a Kasper Hogh no ataque.

A primeira parte acabou por ser dominada pelo Inter Milão, como se esperava, que teve muitos remates (12), muitos cruzamentos (23), mas pouco conseguiu acertar na baliza de Nikita Haikin. A primeira oportunidade pertenceu a Esposito que, de cabeça, depois de Federico Dimarco ter cruzado, atirou por cima (3′). Pouco depois, num canto, Alessandro Bastoni amorteceu para o remate do ala, à entrada da área, com Haikin a travar o tiro (12′), antes de Thuram aparecer isolado e rematar para fora perante a saída do guarda-redes (14′). Os italianos continuaram perigosos na bola parada e, em novo canto, Davide Frattesi saltou mais alto e obrigou Haikin a mais uma intervenção (28′). A fechar a primeira parte, Piotr Zielinski driblou dois adversários e tentou a remate, só que a bola saiu a rasar o poste (33′), ao passo que, na única oportunidade do Bodö/Glimt, Fredrik Sjovold cruzou e Hakon Evjen cabeceia para defesa de Yann Sommer (36′).

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A tendência do desafio continuou na segunda parte e, contra a corrente, o Bodö/Glimt acabou por marcar, num erro incrível de Manuel Akanji. O suíço falhou o atraso, Blomberg recuperou e, isolado, atirou para defesa de Sommer, só que, na recarga, Hauge encostou para a baliza deserta (58′). Chivu respondeu com uma tripla substituição, com Ange-Yoan Bonny, Andy Diouf e Petar Sucic a entrarem para os lugares de Frattesi, Luis Henrique e Zielinski, mas o golo acabou por trazer uma versão mais ofensiva dos escandinavos, que começaram a jogar no meio-campo nerazzurri. Ainda assim, o Inter Milão teve a sua grande oportunidade até então, com Nicolò Barella a picar para as costas da defesa para o cruzamento atrasado de Dimarco para Akanji que, sozinho no centro da área, rematou cruzado ao poste direito (69′).

Contudo, o Bodö/Glimt voltou a fechar com perigo à área de Sommer, com Hauge a cruzar para Evjen que, depois de receber na passada, concluiu com sucesso mais uma grande jogada norueguesa (72′). Pouco depois, Dimarco cobrou um canto na esquerda, Akanji cabeceou para o segundo poste, onde Bonny apareceu a cortar, quando tentava completar. Contudo, a bola sobrou para Bastoni que, praticamente em cima da linha, encostou para o 1-2 (76′). Já com Andreas Helmersen e Isak Määttä, Carlos Augusto, Denzel Dumfries, Ulrik Saltnes e Haitam Aleesami em campo, o Inter continuou a colecionar cantos e cruzamentos, mas pouco mais conseguiu criar (1-2, 2-5). olhando aos números, desde 1971/72, quando o Ajax de Johan Cruijff venceu a prova pela segunda vez, que uma equipa de fora das big five não conseguia quatro vitórias seguidas frente a formações das cinco principais ligas. Segue-se o Sporting ou o Manchester City.

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