Uma notícia má, outra notícia má, nada de bom para apresentar. A antecâmara da partida do Benfica para Madrid, onde vai defrontar o Real na segunda mão do playoff da Liga dos Campeões com uma desvantagem de 1-0 depois da derrota na Luz, ficou não só marcada pelo comunicado da UEFA a suspender, de uma forma preventiva, Gianluca Prestianni por um jogo mas também pelo arquivamento da queixa colocada após o jogo contra Fede Valverde por agressão a Samuel Dahl. Duas derrotas na “secretaria”, dois comunicados feitos para voltar a realçar todos os pressupostos daquilo que estava em causa na perspetiva do clube da Luz.
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“O Benfica tomou conhecimento da decisão da UEFA de aplicar uma suspensão provisória de um jogo ao seu jogador Gianluca Prestianni, no âmbito da averiguação em curso relativamente ao incidente ocorrido no jogo frente ao Real Madrid. O clube lamenta ficar privado do jogador enquanto o processo está ainda em investigação e irá apelar desta decisão da UEFA, mesmo se dificilmente os prazos em causa terão qualquer efeito prático para o jogo da segunda mão do playoff da Liga dos Campeões”, começou por dizer no primeiro.
“O Benfica reafirma igualmente o seu compromisso inabalável no combate a qualquer forma de racismo ou discriminação, valores que fazem parte da sua identidade histórica e que se refletem na sua ação quotidiana, na sua comunidade global, no trabalho da Fundação Benfica e em figuras maiores da história do Clube, como Eusébio”, acrescentou, ainda a propósito da sanção ao médio ofensivo argentino.
[Ouça aqui a opinião de Lúcio Correia, especialista em Direito do Desporto, na Rádio Observador]
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“O Sport Lisboa e Benfica foi informado pela UEFA do arquivamento da queixa apresentada pelo clube relativamente ao lance envolvendo o jogador do Real Madrid, Federico Valverde. O Benfica lamenta que, perante a evidência das imagens que demonstram a agressão ao jogador do Benfica, Samuel Dahl, a UEFA tenha decidido não avançar com qualquer sanção disciplinar. Trata-se, sem margem para dúvidas, de uma situação de cartão vermelho não sancionada durante a partida nem, com este arquivamento, merecedora de punição posterior”, destacou depois num segundo comunicado sobre o caso do uruguaio.
Apesar dessas decisões, e naquilo que para alguns órgãos foi visto como uma tentativa de “desafiar” a UEFA, o Benfica decidiu levar na comitiva para a capital espanhola Prestianni, que em condições normais não será uma possibilidade para José Mourinho (que estará também fora do banco, por castigo) tendo em conta os prazos de análise do recurso apresentado à medida adotada ao abrigo do artigo 49 do Regulamento de Disciplina do órgão. Ou seja, e perante o cenário em cima da mesa, a UEFA escudou-se nos argumentos de “razões de segurança” e “evitar danos irreparáveis” para deixar o argentino de fora num processo que está ainda a decorrer mas que, nesta fase, deverá apontar para indícios de um ato racista depois de terem sido ouvidas as primeiras testemunhas, incluindo os dois visados, bem como das análises das imagens.
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Foi neste contexto que a comitiva do Benfica deixou esta manhã Lisboa rumo a Madrid, com Rui Costa, líder dos encarnados que esteve na véspera no Pavilhão da Luz junto a vários jogadores do plantel da equipa de futebol a assistir à primeira mão dos quartos da Liga dos Campeões de futsal frente ao Sporting, a tomar uma posição sobre as novidades do caso, abordando também a importância da partida no Bernabéu.
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“É escusado falar da dificuldade elevada deste jogo em inverter um resultado negativo no Bernabéu mas vamos encarar este jogo com a máxima ambição. Temos este caso de Prestianni, que não podemos usá-lo. Metemos um recurso, porque entendemos que nada está provado. Não justifica a ausência do jogador neste jogo. Também esperávamos que a UEFA olhasse para o outro caso na Luz. E entendemos que há uma agressão clara de Valverde e que deveria ter ficado fora deste jogo”, referiu o presidente dos encarnados.
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“Se o Vinícius Jr. mentiu? Eu não estava dentro do campo para saber o que é que foi dito. O que posso dizer é que acredito no meu jogador. Prestianni está a ser crucificado como uma pessoa racista e isso posso garantir que não é. A explicação de o presidente falar ao fim de uma semana tem que ver com um processo que estava em andamento e não fazia sentido falar até haver uma decisão. Esperava que houvesse algo definitivo, acabando por haver apenas esta suspensão provisória. Se falei com o Prestianni? Falámos todos. É evidente que Prestianni não é racista, se fosse não jogaria no Benfica. Embora seja uma situação de jogo é também uma situação humana mas isso não belisca em nada o Benfica como clube antirracismo. O Benfica nunca teria jogadores racistas no seu plantel”, abordou ainda Rui Costa no aeroporto Humberto Delgado, antes de falar também das críticas internacionais que foram sendo feitas também ao clube.
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As críticas baseiam-se em quê? Numa situação de jogo. O Benfica ao longo da sua história tem sido um exemplo de inclusão e não ao racismo. Tem um jogador africano como a sua maior bandeira. Há um incidente em campo que está para ser resolvido e o Benfica tem colaborado em tudo. Todos viram a quantidade de escaramuças que houve dentro de campo. O Benfica nunca se sentirá beliscado em relação à questão do racismo porque é um exemplo social”, salientou.
Por fim, Rui Costa fez também um balanço sobre a prestação dos encarnados na Liga dos Campeões, com as quatro derrotas nas jornadas iniciais que mesmo assim não impediram que a equipa conseguisse avançara para o playoff da competição. “Começámos muito mal nesta prova e quando todos nos colocavam fora, tivemos um final brilhante e como disse anteriormente, lutámos muito para estar aqui. A vitória em casa com o Real Madrid foi brilhante mas agora estamos numa situação difícil, nem podemos esconder isso. Mas as nossas aspirações mantêm-se inabaláveis e tudo faremos para continuar na prova”, concluiu.
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