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PSD fecha acordo com Chega em Cascais e PS rompe

Sociais-democratas e socialistas tinham acordo de governação em Cascais. Ainda assim, Nuno Piteira Lopes decidiu estender coligação ao Chega e o PS decidiu romper e entregar as vereações assumidas.

Miguel Santos Carrapatoso
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Os socialistas abandonaram a coligação com o PSD em Cascais depois de o atual presidente da Câmara Municipal ter celebrado um acordo de governação com o Chega. A decisão foi tomada há instantes depois de o PS ter sido surpreendido pelo anúncio deste acordo em plena Assembleia Municipal. Ao Observador, o socialista João Ruivo aponta o dedo a Piteira Lopes: “O PSD escolheu fazer maioria com Chega e não com o PS”.

“Hoje, para nosso espanto, na Assembleia Municipal, o Chega decidiu anunciar que tem um acordo escrito com o PSD, com o aval do Chega nacional. Sendo coerente, vamos entregar os pelouros. Não consigo perceber. A Câmara Municipal de Cascais tinha estabilidade e a maioria estava garantida”, lamenta João Ruivo.

Entretanto, em comunicado, o PS já reagiu formalmente à decisão de Nuno Piteira Lopes. “Esta decisão resulta de um princípio político claro e publicamente assumido: o PS não integrará um executivo municipal em que o Chega tenha pelouros. Perante a opção tomada pelo PSD em Cascais, o PS não pode, por coerência e responsabilidade, contribuir para um modelo de governação que normalize a presença de uma força política cujas posições são incompatíveis com os valores democráticos e humanistas que o PS sempre defendeu.”

“O PS sublinha que esta posição não é tática nem circunstancial. É uma linha de princípio: a democracia defende-se também nas decisões concretas, na forma como se exerce o poder, com quem e com que limites. O PS continuará a cumprir o seu dever de representação e serviço público, assumindo uma oposição firme, construtiva e próxima das pessoas, e apresentando soluções para os problemas reais do concelho — como a habitação acessível, a mobilidade, a economia com emprego qualificado, a saúde de proximidade, a educação e a cultura com acesso, e uma agenda ambiental consequente”, pode ainda ler-se.

“Cascais não precisa de espetáculo nem de propaganda, e não pode resignar-se a ver o poder municipal normalizado com a entrada do Chega no governo. Precisa de respostas, planeamento e seriedade. É por isso que o PS continuará a trabalhar para que Cascais volte a ser um lugar de quem cá vive, estuda ou trabalha.”

Até aqui, os vereadores socialistas João Ruivo e Alexandra Domingos assumiam, respetivamente, as áreas do Desenvolvimento e Promoção Económica e Licenciamento de Atividades Económicas, e da Captação de Recursos, Projetos Comparticipados e Fundos Comunitários e Emprego e Estratégia de Smart Cities.

Quando celebrou o acordo, Piteira Lopes, eleito em nome da coligação PSD/CDS, disse que o fazia por haver “um alinhamento entre duas forças políticas, a bem de Cascais e de todos os cascalenses”, acrescentado logo a seguir um “para já”. Durante a campanha, em entrevista ao Observador, o sucessor de Carlos Carreiras nunca fechou verdadeiramente a porta ao Chega, dizendo apenas que qualquer coligação ia “depender” nomeadamente “o número de vereadores que cada um dos partidos elegeram. O mais importante é a qualidade dos eleitos”.

Piteira Lopes, que sabia que seria esta a decisão do PS — todos os candidatos a autarcas assinaram um compromisso de honra dizendo que não integrariam órgãos onde o Chega fosse poder —, decidiu assim trocar o apoio de dois vereadores socialistas pelo apoio do eleito pelo partido liderado por André Ventura. João Rodrigues dos Santos vai ser, daqui em diante, vereador com as pastas da Transparência, Anticorrupção e Desporto e um lugar de vogal nas Águas de Cascais.

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