A tensão entre Paris e Washington aumentou esta segunda-feira após um incidente diplomático. O embaixador norte-americano em Paris, Charles Kushner, não compareceu a uma convocatória do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, na sequência dos comentários do governo dos Estados Unidos da América (EUA) pela morte do estudante nacionalista Quentin Deranque, ligado a grupos de direita radical.
O governo francês encarou esta ausência como uma afronta. O Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu um comunicado a condenar a atitude de Charles Kushner. “Face a esta aparente incompreensão dos requisitos básicos da missão de um embaixador que tem a honra de representar o seu país, o ministro [dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot] solicitou que deixasse de ter acesso direto aos membros do governo francês”, atirou a diplomacia de Paris.
Porém, França ainda abriu a porta uma reconciliação com os Estados Unidos. “É claro que continua a ser possível que o embaixador Charles Kushner exerça a missão e se apresente ao Quai d’Orsay [sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês] para que possamos ter as trocas diplomáticas que permitam aplainar os atritos que, inevitavelmente, podem surgir numa relação de amizade com 250 anos”, destacou.
Por sua vez, uma fonte diplomática contou à agência de notícias France-Presse (AFP) que o embaixador se fez representar por um responsável da embaixada dos Estados Unidos, alegando ter compromissos pessoais. No entanto, o governo francês não aceitou esta justificação, sendo que a embaixada norte-americana ainda não comentou a situação.
Charles Kushner foi convocado a pedido de Jean-Noël Barrot, que criticou no domingo os comentários da administração do Presidente, Donald Trump, republicados pela embaixada norte-americana em Paris no X sobre a morte de Quentin Deranque. Para os Estados Unidos, o episódio da morte do jovem revela que o “extremismo violenta de esquerda está a crescer”.
Após estes comentários da embaixada norte-americana, Jean-Noël Barrot recusou “qualquer instrumentalização deste drama para fins políticos”, realçando que França tem nada a aprender “em matéria de violência, em particular” dos Estados Unidos.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também comentou a morte de Quentin Deranque, provocando uma troca de argumentos com o Presidente francês, Emmanuel Macron, que lhe pediu para parar de “comentar o que se passa nos outros países”.
O embaixador norte-americano em França, que assumiu o cargo no verão passado, já havia sido convocado no final de agosto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, depois de críticas consideradas inaceitáveis por Paris, sobre a “ausência de ação suficiente” contra o “antissemitismo de Emmanuel Macron”.
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