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México. Vaga de violência após o assassinato de El Mencho já provocou a morte de mais de 60 pessoas

Problemas eclodiram depois de Oseguera Cervantes ter sido morto no domingo durante uma operação militar no seu estado natal, Jalisco. Presidente Sheinbaum já apelou à calma.

Agência Lusa
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Cátia Rocha
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Pelo menos 25 membros da Guarda Nacional mexicana morreram em seis ataques distintos no estado de Jalisco, após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), anunciou esta segunda-feira o secretário da Segurança, Omar García Harfuch.

Segundo o responsável, a vaga de violência eclodiu depois de Oseguera Cervantes ter sido morto no domingo durante uma operação militar no seu estado natal, Jalisco, quando o Exército tentava capturá-lo.

O Ministério da Defesa mexicano indicou que El Mencho, ferido num tiroteio em Tapalpa, a cerca de duas horas de Guadalajara, morreu durante o transporte aéreo para a Cidade do México.

A Procuradoria-Geral da República do México emitiu um comunicado em que disse que o corpo do líder do cartel foi identificado geneticamente. “Funcionários ministeriais, peritos e da Polícia Federal Ministerial (PFM) viajaram para a cidade de Tapalpa, Jalisco, para recolher, processar e identificar formalmente os corpos de outras pessoas que faleceram no local dos fatos”, é possível ler em comunicado. As autoridades confirmaram que um dos cadáveres é o de El Mencho.

Durante a operação, quatro pessoas morreram no local e outras três, incluindo o líder do cartel, morreram posteriormente devido aos ferimentos. Após a morte do chefe do CJNG, membros do cartel desencadearam bloqueios rodoviários, incendiaram veículos e realizaram ataques armados em vários pontos do país.

Além dos 25 guardas mortos, foram também assassinados um guarda prisional, um agente do Ministério Público estadual e uma mulher não identificada, adiantou Omar García Harfuch, acrescentando que cerca de 30 suspeitos morreram em confrontos em Jalisco e outros quatro no estado vizinho de Michoacán. O balanço das autoridades é a de que tenham morrido um total de 62 pessoas.

As autoridades informaram que mais de 250 barricadas erguidas por cartéis em 20 estados foram entretanto removidas.

De acordo com o secretário da Segurança, Omar García Harfuch, foram registados 85 bloqueios em estradas federais na Baixa Califórnia, Estado do México, Michoacán, Guanajuato, Guerrero, Jalisco, Oaxaca, Sinaloa, Tamaulipas, Veracruz e Zacatecas, escreveu o jornal mexicano El Universal. 

Vários estados suspenderam as aulas e as autoridades locais e diplomáticas recomendaram que a população permanecesse em casa.

A embaixada dos Estados Unidos no México informou que os seus funcionários em oito cidades e no estado de Michoacán permaneceriam nos respetivos locais de trabalho e em regime remoto, aconselhando os cidadãos norte-americanos a adotarem precauções semelhantes.

Em Guadalajara, capital de Jalisco, o movimento regressou gradualmente às ruas na manhã desta segunda-feira, após um domingo marcado por forte paralisação e receio generalizado.

A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, apelou à calma e deverá abordar a situação na sua conferência de imprensa diária.

A Casa Branca confirmou ter prestado apoio de informações à operação que visou El Mencho, considerado um dos maiores traficantes de fentanil do mundo, e elogiou o exército mexicano.

O CJNG é uma das organizações criminosas mais poderosas e de crescimento mais rápido no México, responsável pelo tráfico de fentanil, metanfetamina e cocaína para os Estados Unidos e conhecido por ataques sofisticados contra forças de segurança, incluindo o uso de ‘drones’ armados e minas terrestres.

Analistas alertam que a morte do líder poderá desencadear novas disputas internas e confrontos entre grupos rivais que tentem aproveitar o enfraquecimento do cartel.

Várias companhias aéreas, como a Air Canadá, a Delta e United Airlines cancelaram os voos de e para a cidade mexicana de Puerto Vallarta, em Jalisco, devido à violência. Este domingo, vários turistas que estão naquela zona do México foram aconselhados a manter-se nos resorts devido à violência.

A Amnistia Internacional já emitiu um comunicado em que “expressa a sua profunda preocupação com a escalada de violência em vários pontos” do México, “que gerou riscos graves para a população civil”.

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