Eileen Gu foi uma das protagonistas dos Jogos Olímpicos de inverno que decorreram em Milão-Cortina. Aos 22 anos, a atleta nascida em São Francisco que compete pela China fez títulos, notícias e reportagens, conquistou três medalhas, tornou-se a esquiadora de estilo livre mais bem sucedida a nível olímpico e acrescentou mais uns zeros a uma fortuna que já chega perto dos 20 milhões de euros.
Mas comecemos pelo início. Filha de pai norte-americano e pai chinesa, Eileen Gu nasceu na Califórnia e estudou Relações Internacionais em Stanford, precisamente a universidade para onde a mãe tinha ido formar-se em química e bioquímica décadas antes. Começou a esquiar no Lago Tahoe com apenas três anos, onde a mãe chegou a ser instrutora de esqui para ganhar algum dinheiro e pagar as propinas, e representou naturalmente os EUA nas primeiras competições em que participou.
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Em 2019, porém, mudou de ideias. Anunciou que iria passar a representar a China e que tinha como objetivo “ajudar a inspirar milhões de jovens” e “unir as pessoas, promover a compreensão mútua, criar comunicação e formar amizades entre as nações”. Foi criticada por norte-americanos e chineses, com muita geopolítica pelo meio, e chegou a confessar que não foi fácil regressar às aulas em Stanford depois de tornar pública a decisão. Certo é que, nos Jogos Olímpicos de inverno de Pequim em 2022, Eileen Gu já conquistou uma prata e dois ouros com as cores chinesas.
De lá para cá, a esquiadora tornou-se muito mais do que uma atleta. Construiu uma autêntica personalidade mediática e é também modelo, integrando o catálogo da IMG Models com parcerias com marcas como a Red Bull ou a Porsche. De acordo com a revista Forbes, foi a quarta atleta mais bem paga do mundo no último ano, com a larga maioria dessa receita a ter origem nos contratos publicitários e não no esqui.
Foi com todo este contexto que Eileen Gu surgiu nos Jogos Olímpicos de inverno de Milão-Cortina. Os primeiros dias, porém, não foram um passeio na neve: a chinesa ficou no segundo lugar tanto em big air como em slopestyle e rapidamente foi questionada sobre o facto de ter “perdido os ouros” e não sobre a particularidade de ter alcançado mais duas medalhas olímpicas. A consagração, contudo, acabou por aparecer no halfpipe, onde revalidou o título olímpico alcançado em Pequim e tornou-se então a esquiadora de estilo livre mais condecorada dos Jogos, com seis medalhas.
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O que ninguém sabia era que Eileen Gu estava a viver uma tragédia pessoal enquanto garantia outra alegria profissional. Pouco depois da final que venceu, soube que a avó materna tinha morrido, aproveitando ainda todas as conferências de imprensa de consagração para deixar uma mensagem à família e à mãe.
“Ela foi uma parte fundamental da minha vida durante a minha infância e alguém que admirava profundamente. Era uma lutadora. Há muita gente que se limita a navegar pela vida, mas ela era um barco a vapor. Dominava a vida, agarrou nela e tornou-a no que queria que fosse. Inspirou-me muitíssimo”, começou por dizer, sem conseguir controlar as lágrimas.
“Já estava muito doente na última vez que a vi, antes de vir para os Jogos Olímpicos, e sabia que existia esta possibilidade. Não lhe prometi ganhar, mas prometi-lhe ser valente, como ela também foi. Tudo tem a ver com a promessa que fiz à minha avó. Estou muito feliz por ter conseguido cumpri-la e espero que ela esteja orgulhosa, mas também é um momento muito difícil para mim agora”, atirou.
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