O problema não é novo, mas a utilização continua do navio mais caro dos EUA exponencia a questão. O USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, tem enfrentando problemas nas casas de banho, provocados por falhas na canalização e no sistema de esgoto.
O assunto já tinha sido avançado pelo NPR, em janeiro, quando a embarcação já estava há algum tempo nas Caraíbas, numa altura em que os EUA concentravam a sua atenção no continente americano. Em fevereiro, após a captura de Nicolás Maduro, a tripulação recebeu ordens para navegar para o Médio Oriente.
Em janeiro, quando o porta-aviões ainda estava nas Caraíbas, documentos citados pelo NPR mostravam que estava a crescer o descontentamento entre os tripulantes, frustrados com os erros de desenho que conduziam às falhas constantes das instalações sanitárias.
O pai de um tripulante confirmou ao Wall Street Journal os problemas nas casas de banho do porta-aviões, sem entrar em grandes detalhes. Fonte da Marinha confirmou ao jornal norte-americano que o sistema de esgotos da embarcação que usa tecnologia de vácuo para transportar resíduos em cerca de 650 sanitas tem tido algumas falhas, provocando uma média de um pedido de manutenção por dia. No entanto, a mesma fonte garante que a situação está a ser resolvida e não compromete o sucesso da operação.
Segundo o NPR, o problema já teria sido sinalizado pela Casa Branca em 2020, quando um relatório apontava um mau desenho da infraestrutura como origem do problema que obrigava uma tripulação de 4.600 marinheiros a viver, constantemente, com estas falhas.
Estes problemas terão aumentado entre 2025 e 2026, altura em que o USS Ford foi utilizado de forma mais intensa. “Todos os dias em que a tripulação está no barco, é realizado um apelo para manutenção para reparar ou desentupir uma parte do sistema de esgotos, desde junho de 2023”, lê-se num e-mail a que o NPR teve acesso. “O nosso sistema de esgotos está a ser destruído pelos marinheiros todos os dias”, lê-se noutro e-mail do departamento de engenharia em 2018.
O navio que custou mais de 11 mil milhões de euros está no mar desde junho. Em outubro de 2025, o Pentágono decidiu deslocar o porta-aviões de uma missão agendada no mediterrâneo para as Caraíbas. Após a captura de Maduro, a tripulação soube que iria estender o seu período no mar, tendo sido acionados para o Médio Oriente, onde se mantêm.
A missão prolongada tem gerado alguma contestação de familiares dos marinheiros e dos próprios tripulantes. Em quase um ano de serviço, um marinheiro perdeu o funeral do bisavô, o divórcio da irmã e alguns problemas de saúde do irmão, relatou o pai do tripulante ao Wall Street Journal.
Por esse motivo, muitos marinheiros estarão a enfrentar problemas emocionais e estão a ponderar abandonar a Marinha assim que a missão finalmente terminar, adianta o mesmo jornal.
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