A exclusão do ex-príncipe André da linha de sucessão ao trono do Reino Unido carece ainda da aprovação de uma proposta legislativa formal por parte do Governo de Keir Starmer, mas já tem apoiantes no seio da Commonwealth: a Austrália.
Numa carta enviada ao primeiro-ministro britânico e divulgada esta segunda-feira no jornal The Telegraph, o homólogo australiano, Anthony Albanese, defendeu que as investigações de alegada “conduta indevida no exercício de cargo público” — e de outros possíveis crimes de André Mountbatten-Windsor na sua ligação à rede de tráfico e exploração sexual de menores de Jeffrey Epstein — devem prosseguir e que “a lei deve seguir o seu curso”.
Porém, considerou importante dar já um sinal de afastamento de André em relação à Coroa britânica. “À luz dos recentes acontecimentos relativos a André Mountbatten-Windsor, escrevo para confirmar que o meu governo concordaria com qualquer proposta para removê-lo da linha de sucessão real”, escreveu Anthony Albanese.
Sublinhando que as alegações em torno do irmão do Rei Carlos III “são graves” e que os “australianos levam-nas a sério”, Anthony Albanese defendeu que seja levada a cabo uma “investigação justa, completa e adequada”.
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A posição australiana surge na sequência de vários políticos de diferentes quadrantes no Reino Unido terem defendido na sexta-feira passada a retirada de André da linha de sucessão ao trono.
Embora André Mountbatten-Windsor tenha já perdido o título de príncipe em 2025, permanece no oitavo lugar na linha de sucessão ao Rei Carlos III. À sua frente figuram o príncipe William e os seus três filhos, seguido de Harry e dos seus dois filhos.
Contudo, para afastar definitivamente André do trono é necessário a aprovação de uma lei no Parlamento e a sua ratificação pelos 14 estados da Commonwealth, entre os quais está a Austrália. Nesses 14 países, o Rei Carlos III continua a ser o Chefe de Estado.
A última vez que o Parlamento britânico retirou um membro da família real da linha de sucessão foi durante a crise de abdicação de 1936.
Príncipe William prefere reagir num momento mais sereno
O primeiro candidato à sucessão ao trono do Rei Carlos III, o príncipe William, esteve no domingo na cerimónia dos BAFTA, os prémios britânicos do cinema, e evitou alongar-se em comentários sobre a detenção do tio na semana passada, em função do envolvimento no ‘escândalo Epstein’.
Ao lado da mulher, Kate Middleton, William assumiu, todavia, não estar no momento de maior serenidade, em virtude da polémica que abala a Coroa.
“Preciso de estar bastante calmo e não estou neste momento. Vou guardar para depois”, declarou.
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