A mina de Neves-Corvo, no distrito de Beja, vai contar com o maior parque solar para autoconsumo em Portugal, que permitirá à concessionária reduzir as emissões de dióxido de carbono em mais de 41 mil toneladas anuais.
O projeto, esta segunda-feira anunciado, está a ser desenvolvido pela Boliden Somincor, concessionária da mina situada no concelho alentejano de Castro Verde, em parceria com a EDP e a Greenvolt, e deverá “estar concluído no segundo semestre de 2026”.
A nova Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC), com uma capacidade de 49 megawatts-pico (MWp), vai permitir “acelerar de forma significativa a autonomia e o controlo energético da Boliden Somincor”, explicaram as promotoras do projeto, em comunicado enviado à agência Lusa.
“A central solar vai permitir reduzir a dependência da rede elétrica e aumentar a previsibilidade dos custos energéticos, bem como reduzir as emissões de dióxido de carbono da Boliden Somincor em mais de 41 mil toneladas anuais, contribuindo significativamente para a descarbonização” da empresa mineira, acrescentaram.
A nova unidade, cujo valor do investimento não é revelado, será construída na Herdade de Neves da Graça, cujos terrenos já são propriedade da Boliden Somincor e fazem parte da concessão para exploração mineira.
A central será instalada em parceria pela EDP Comercial e pela Greenvolt Next, estimando-se que ocupe “uma área de cerca de 55 hectares”.
Segundo o comunicado, quando a unidade estiver operacional “vai produzir quase 100 gigawatts/hora (GWh) de energia por ano, contribuindo para a independência energética” da empresa mineira, além de permitir “maior resiliência operacional e controlo direto sobre o consumo de energia” por parte da companhia.
“Este projeto é um grande investimento da Boliden Somincor para a transformação e adaptação das suas práticas, para minimizar o impacto ambiental das nossas operações”, disse Gunnar Nyström, diretor-geral da Boliden Somincor, citado no comunicado.
Segundo o mesmo responsável, o novo parque solar “produzirá o equivalente a um terço” do consumo total anual da mina de Neves-Corvo.
Também citada no comunicado, Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP, lembrou que a empresa pretende “apoiar a descarbonização de todos os setores da economia, assim como das regiões em que se encontram”.
“Podermos contar com um parceiro como a Boliden Somincor para instalarmos este que será o maior projeto de energia solar descentralizada de autoconsumo em Portugal é para a EDP um motivo de orgulho e é prova de que qualquer setor pode fazer parte desta transição para um modelo energético mais eficiente, seguro e resiliente”, destacou.
Por sua vez, João Manso Neto, presidente executivo da Greenvolt, sublinhou tratar-se de um projeto “sem igual em território nacional”, que permitirá à Boliden Somincor “dar passos concretos na descarbonização das suas operações”.
“Este projeto é um exemplo para um setor relevante do nosso país, mas é também um sinal e um estímulo para todos os restantes setores de atividade e para a economia”, acrescentou.
No comunicado, as três empresas revelaram ainda que o projeto do parque solar “começou a ser desenvolvido há mais de um ano”, tendo envolvido “a contratação de cerca de 200 pessoas durante todo o processo, contribuindo para a criação de emprego local e no setor”.
Quando estiver operacional, a nova central solar junto à mina de Neves-Corvo será gerida pela EDP durante 12 anos.
A mina de Neves-Corvo produz, sobretudo, concentrados de cobre e de zinco, assim como prata e chumbo.
A mina alentejana tem como concessionária a Boliden Somincor, depois de ter sido adquirida pela sueca Boliden à Lundin Mining, juntamente com a mina de Zinkgruvan, na Suécia, por cerca de 1,44 mil milhões de euros, num negócio concretizado a 16 de abril de 2025.