(c) 2023 am|dev

(A) :: Mina de Neves-Corvo vai ter maior parque solar para autoconsumo de Portugal

Mina de Neves-Corvo vai ter maior parque solar para autoconsumo de Portugal

Unidade para autoconsumo no Alentejo reduzirá emissões de CO2 em mais de 41 mil toneladas por ano. Central solar ocupará 55 hectares e produzirá um terço do consumo total anual da mina.

Agência Lusa
text

A mina de Neves-Corvo, no distrito de Beja, vai contar com o maior parque solar para autoconsumo em Portugal, que permitirá à concessionária reduzir as emissões de dióxido de carbono em mais de 41 mil toneladas anuais.

O projeto, esta segunda-feira anunciado, está a ser desenvolvido pela Boliden Somincor, concessionária da mina situada no concelho alentejano de Castro Verde, em parceria com a EDP e a Greenvolt, e deverá “estar concluído no segundo semestre de 2026”.

A nova Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC), com uma capacidade de 49 megawatts-pico (MWp), vai permitir “acelerar de forma significativa a autonomia e o controlo energético da Boliden Somincor”, explicaram as promotoras do projeto, em comunicado enviado à agência Lusa.

“A central solar vai permitir reduzir a dependência da rede elétrica e aumentar a previsibilidade dos custos energéticos, bem como reduzir as emissões de dióxido de carbono da Boliden Somincor em mais de 41 mil toneladas anuais, contribuindo significativamente para a descarbonização” da empresa mineira, acrescentaram.

A nova unidade, cujo valor do investimento não é revelado, será construída na Herdade de Neves da Graça, cujos terrenos já são propriedade da Boliden Somincor e fazem parte da concessão para exploração mineira.

A central será instalada em parceria pela EDP Comercial e pela Greenvolt Next, estimando-se que ocupe “uma área de cerca de 55 hectares”.

Segundo o comunicado, quando a unidade estiver operacional “vai produzir quase 100 gigawatts/hora (GWh) de energia por ano, contribuindo para a independência energética” da empresa mineira, além de permitir “maior resiliência operacional e controlo direto sobre o consumo de energia” por parte da companhia.

“Este projeto é um grande investimento da Boliden Somincor para a transformação e adaptação das suas práticas, para minimizar o impacto ambiental das nossas operações”, disse Gunnar Nyström, diretor-geral da Boliden Somincor, citado no comunicado.

Segundo o mesmo responsável, o novo parque solar “produzirá o equivalente a um terço” do consumo total anual da mina de Neves-Corvo.

Também citada no comunicado, Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP, lembrou que a empresa pretende “apoiar a descarbonização de todos os setores da economia, assim como das regiões em que se encontram”.

“Podermos contar com um parceiro como a Boliden Somincor para instalarmos este que será o maior projeto de energia solar descentralizada de autoconsumo em Portugal é para a EDP um motivo de orgulho e é prova de que qualquer setor pode fazer parte desta transição para um modelo energético mais eficiente, seguro e resiliente”, destacou.

Por sua vez, João Manso Neto, presidente executivo da Greenvolt, sublinhou tratar-se de um projeto “sem igual em território nacional”, que permitirá à Boliden Somincor “dar passos concretos na descarbonização das suas operações”.

“Este projeto é um exemplo para um setor relevante do nosso país, mas é também um sinal e um estímulo para todos os restantes setores de atividade e para a economia”, acrescentou.

No comunicado, as três empresas revelaram ainda que o projeto do parque solar “começou a ser desenvolvido há mais de um ano”, tendo envolvido “a contratação de cerca de 200 pessoas durante todo o processo, contribuindo para a criação de emprego local e no setor”.

Quando estiver operacional, a nova central solar junto à mina de Neves-Corvo será gerida pela EDP durante 12 anos.

A mina de Neves-Corvo produz, sobretudo, concentrados de cobre e de zinco, assim como prata e chumbo.

A mina alentejana tem como concessionária a Boliden Somincor, depois de ter sido adquirida pela sueca Boliden à Lundin Mining, juntamente com a mina de Zinkgruvan, na Suécia, por cerca de 1,44 mil milhões de euros, num negócio concretizado a 16 de abril de 2025.