(c) 2023 am|dev

(A) :: Será este sangue derramado o presságio de uma guerra civil?

Será este sangue derramado o presságio de uma guerra civil?

O assassinato de Quentin Deranque é a possível gota de água num país que parece um cocktail Molotov. Esperemos que profecias não se tornem, como as de Cassandra, avisos ignorados até ao choque final.

Jérémy Silvares Jerónimo
text

Vivemos horas que a História gravará com tinta indelével. Diante dos nossos olhos, ainda enevoados por décadas de propaganda que nos prometia o fim da própria História sob a égide do Ocidente, decide-se silenciosamente o nosso destino. Mas enquanto nos demoramos na ilusão da estabilidade, a História acelera, impaciente, começa a fugir-nos, e as nossas elites parecem completamente ultrapassadas. A História surpreende-nos (…) Os períodos de relativa acalmia tendem a fazer-nos esquecer a grande e constante realidade do imprevisto na História, afirmava o historiador Dominique Venner na sua obra L’Imprévu dans l’Histoire, a propósito dos assassinatos políticos que desencadearam tempestades na História mundial. Há alguns meses, escrevi um texto intitulado Tempos de violência política, no qual defendia que o “assassinato político” regressara em força após o homicídio de Charlie Kirk, em 2025, cometido por um militante próximo da extrema-esquerda. Infelizmente, os acontecimentos vieram dar-me razão. Sustentava então que, neste fim de ciclo que vivemos, a fraqueza das elites, aliada a um conjunto de problemáticas sociais, económicas, ecológicas, migratórias e geopolíticas, permitiria o regresso em força da violência política. O recente assassinato de Quentin Denarque, que foi noticiado em Portugal, confirma a minha previsão.

Não tinha intenção de escrever sobre a morte de Quentin Deranque. Além disso, o professor Tiago Moreira de Sá já abordara o tema num artigo de opinião. Contudo, o caso está a assumir proporções significativas, ao ponto de líderes de Estados estrangeiros se pronunciarem. Consequentemente, decidi abordar o assunto por duas razões. Primeiro, li algumas notícias em Portugal cuja informação era parcial. Em segundo lugar, senti repulsa ao ler comentários que se regozijavam com a morte do jovem Quentin Deranque, acusando-o de ser “nazi”.

O facto de existirem pessoas que se alegram com a morte de um jovem de 23 anos, descrito como pacífico, apenas reforça a ideia de que certos militantes da extrema-esquerda transpiram ódio por todos os poros. Consideram-se guardiões da moral, representantes da “facção do bem”, mas revelam pensamentos odiosos.

Ainda mais paradoxal é ver militantes que se opõem à pena de morte para criminosos violentíssimos defenderem, sem hesitação, a morte de jovens inocentes apenas por divergência ideológica. Pergunto: reflectem verdadeiramente sobre o que dizem? Ou terá a inteligência abandonado há muito o espírito dos extremistas de esquerda, deixando no seu lugar apenas o ódio e a intolerância? Embora, no fundo, eu não me admire muito, afinal de contas Che Guevara afirmou que o “ódio era o motor da luta revolucionária” (in Mensaje a la Tricontinental, 1967).

Não vos matam por serem fascistas; chamam-vos fascistas para justificar a vossa morte” (Florence Bergeaud Blacker). A extrema-esquerda não mudou muito desde 1789. É aliás a tese de um excelente livro de Thierry Bouclier, La Gauche ou le Monopole de la violence, de 1789 à nos jours, em que ele analisa 200 anos de violência vermelha. A violência está no ADN dos escritos de autores socialistas, marxistas e anarquistas. A “santa violência”, afirmavam certos anarquistas franceses do século XIX. Não admira: no projecto dos revolucionários estava desde o início a construção de um mundo novo, que visasse o surgimento de um homem novo, livre das “correntes da História”. Ora, para criar esse mundo novo, era necessário destruir por completo o antigo: tabula rasa do passado, até os nomes dos meses deveriam ser alterados. Na passada quinta-feira, um historiador francês recordava as palavras de um deputado revolucionário bretão durante o Terror, que afirmava que se os revolucionários tivessem de exterminar três quartos da população francesa – na altura a França era o país mais populoso do Ocidente, com 25,7 milhões de habitantes, muito mais que o Reino Unido ou os jovens EUA – pouco importaria: o último quarto que sobrevivesse seria composto realmente pelos “puros”.

Ao longo do século XIX, socialistas revolucionários, comunistas, anarco-sindicalistas e outros fanáticos da extrema-esquerda cometeram atentados, assassinatos e sangrentas tentativas de sublevação, como a da Comuna de Paris. Por fim, em 1917, a extrema-esquerda conseguiu, através dos bolcheviques, dominar um país – beneficiando de muita sorte e, sobretudo, da traição de certos generais dos exércitos brancos, como Grigory Semyonov. E que experiência trágica foi: 20 a 30 milhões de mortos provocados pelas péssimas políticas de Estaline bem como pelas suas purgas.

Éric Zemmour resumiu muito bem a situação. Quando um jornalista lhe perguntou se o assassinato de Quentin Denarque era revelador da violência da sociedade, Zemmour respondeu de forma brilhante: “Não, não é revelador de um grau de violência da sociedade. Têm de parar com esta história. É revelador do grau de violência da extrema-esquerda desde há 100 anos, desde a Revolução Comunista Russa. São sempre eles que agridem e matam, e depois admiram-se que haja réplicas. Mas é sempre a mesma coisa desde a Revolução de 1917” (fonte).

De facto, foi a extrema-esquerda quem iniciou as atrocidades contra civis e oficiais durante a Revolução de 1917, provocando uma reacção de aristocratas e cossacos czaristas no Don. Foram os espartakistas e marinheiros vermelhos que iniciaram a matança de oficiais e civis membros de partidos de direita durante a Revolução Alemã de 1918, provocando a criação dos Freikorps pelos soldados e militantes conservadores — caso contrário, a Alemanha teria acabado como a Rússia, numa sangrenta ditadura comunista. Na Itália, foram os comunistas que assassinaram civis e adversários políticos no final da década de 1910 e nos anos 1920, levando uma parte significativa da população a apoiar o Partido Fascista e as suas camisas negras. Em Espanha, como já referi noutro texto, a extrema-esquerda praticou espancamentos, violações e homicídios; após o assassinato de um deputado conservador cristão (José Calvo Sotelo), os nacionalistas espanhóis intervieram, evitando purgas que a esquerda planeava contra oficiais. O mesmo aconteceu na Grécia, durante e após a Segunda Guerra Mundial: os comunistas iniciaram as violências políticas logo em 1944, numa tentativa de golpe de Estado falhada em Dezembro (Dekemvriana), provocando a reacção dos nacionalistas gregos.

A história repete-se há mais de 100 anos: a extrema-esquerda agride, viola e mata; depois, quando surge uma reacção, vem chorar e afirmar que os seus militantes são vítimas da violência dos “mauzinhos” da direita. Um século mais tarde, reencontramos a mesma situação, desta vez em França: militantes antifas da extrema-esquerda (do grupo Jeune Garde) espancaram até à morte um jovem católico de 23 anos, e Jean-Luc Mélenchon teve o descaramento de afirmar que os militantes de esquerda seriam as verdadeiras vítimas de um suposto “perigo fascista”.

Falemos agora do caso Quentin Denarque. Antes de mais, Quentin Denarque não era membro de nenhuma milícia identitária, muito menos neo-nazi, como alguns sem-vergonha chegaram a afirmar. Aproximou-se do grupo Action Française durante algum tempo – extrema-direita contra-revolucionária e monárquica, logo nada a ver com os nacionais-socialistas (extrema-direita revolucionária) – mas nunca foi membro oficial. Era, sobretudo, patriota e um fervoroso católico. Converteu-se recentemente, acabando por converter toda a família, pois quem o conhecia afirmava que irradiava uma energia, uma fé e uma bondade contagiosas. Era membro da Fraternidade Pio X, e adepto da não-violência, facto importante (fonte). Fazia parte de um grupo que levava cobertores e comida aos sem-abrigo e dava-lhes reconforto – que estranho “nazi”, não acham? (fonte) Admirador do modo de vida cavalheiresco, respondeu “presente” quando o grupo de feministas de direita Nemesis solicitou a jovens voluntários que as protegessem das constantes agressões sofridas às mãos de antifas.

 O grupo Nemesis também não é de extrema-direita: defende a democracia e a igualdade entre homens e mulheres, considerando a islamização de certos bairros franceses como um perigo existencial para as mulheres europeias. No dia 13 de Fevereiro, as feministas do Nemesis manifestaram-se pacificamente contra a vinda da eurodeputada islamo-esquerdista Rima Hassan, em frente à Science Po Lyon. Digo bem: pacificamente, apenas brandindo cartazes. Acabaram por ser atacados por cerca de 30 antifas.

No meio da confusão, três dos jovens que vieram proteger as feministas foram cercados e atacados por vinte antifas. Quentin Denarque foi pontapeado e esmurrado, atirado ao chão e pontapeado na cabeça. Quando já se encontrava inanimado, um antifa correu e desferiu-lhe um pontapé na cabeça, num acto de uma cobardia indescritível (vejam os vários vídeos aqui). Quentin Denarque conseguiu levantar-se, andar cerca de 1 km, mas sentiu-se mal; um amigo chamou a ambulância. Chegou em coma ao hospital e faleceu no dia seguinte. O prefeito da polícia declarou que apresentava várias fracturas occipitais e que, mesmo que tivesse chegado mais cedo, não existia tratamento médico capaz de o salvar, dado o estado do seu cérebro. Não foi uma rixa: foi um espancamento em grupo (fonte).

Vários casos ocorridos nos últimos anos, por toda a Europa mostram que os antifas declararam guerra a todos os que não partilham das suas ideias. Em Itália, milhares de antifas atacaram a polícia com violência em Turim, após o fecho de um squat, ferindo cerca de 100 agentes, um dos quais foi espancado por dezenas de antifas com martelos, como mostram imagens e vídeos perturbadores (fonte). Na mesma manifestação, jornalistas do canal RAI foram atacados pelos antifas (fonte). Também naquele país, uma centena de antifas atacaram a polícia em Milão durante os Jogos Olímpicos de Inverno (fonte).

Em 2023, em Budapeste, antifas atacaram supostos membros de grupos de direita que tinham participado num evento nacionalista, espancando vários homens, alguns com mais de 60 anos. Na Alemanha, o grupo antifa Hammerbande atacou várias personalidades de extrema-direita, direita radical e direita moderada entre 2018 e 2023, provocando 35 feridos, alguns graves, sendo que vários membros do grupo foram condenados (fonte). Em Paris, um jovem judeu de 15 anos foi agredido por oito antifas membros da Jeune Garde, o mesmo grupo que assassinou Quentin Denarque, por suspeita de ser membro de um grupo de defesa dos judeus, a Ligue de Défense Juive (fonte). Ataques semelhantes ocorrem no Reino Unido, Espanha, Bélgica e Países Baixos, sem falar da Grécia, onde os antifas chegaram a matar dois militantes do grupo de extrema-direita Aurora Dourada, em 2013.

Olivier Vial, director do CERU, laboratório de ideias universitárias sobre as radicalidades, afirma que, nos últimos anos, a extrema-esquerda — e mesmo a ultra-esquerda (do tipo anarco-sindicalista, extremamente violenta) — conseguiu dominar os campus universitários franceses. Alguns dos grupos antifas são tão extremistas que consideram Jean-Luc Mélenchon como sendo demasiado “moderado” e de “direita”. Segundo Vial, desde o 7 de Outubro de 2023, vários movimentos se radicalizaram, como é o caso do movimento Le Poing Levé. Estes grupos defendem a confrontação com os “inimigos”, apoiam acções violentas, ameaçam outros estudantes e organizaram eventos com figuras polémicas, como o antigo terrorista da Action Directe, Jean-Marc Roullon, apresentado como “prisioneiro político”. Sem falar que, também nos campus franceses, alunos de extrema-esquerda convidaram membros palestinianos do movimento terrorista FPLF.

E os professores? Segundo Olivier Vial, uma parte dos docentes e da direcção das universidades fecha os olhos, considerando que estas situações fazem parte do “folclore universitário” (fonte). Quanto aos professores que se opõem, são ameaçados, cancelados ou expulsos das salas de aula, enquanto os alunos que rejeitam esta violência são insultados e, por vezes, espancados. Os reitores, ao ignorarem estas situações, permitiram que a violência se instalasse nos campus franceses, mesmo quando havia provas de um ambiente tóxico. Olivier Vial conclui afirmando que as autoridades ignoraram o facto de que os grupos violentos de extrema-esquerda e ultra-esquerda seguiram os métodos ensinados pelo investigador Mark Bray, autor americano que afirmava que, se os antifas perseguissem apenas os “filhos” de Hitler e Pétain, rapidamente ficariam sem inimigos. Era necessário que os antifas nomeassem novos alvos, recorrendo ao cancelamento, à destruição de carreiras de pessoas de direita. Ou seja, seguindo o pensamento de Mark Bray, os antifas começaram a “caçar” (na sua linguagem) os “fascistas”: por fascistas, eles entendem todos os que não pensam como eles (fonte).

No momento em que escrevo estas linhas, dos 11 membros antifas detidos pela polícia, sete ficaram em prisão preventiva. São acusados de homicídio voluntário em reunião. Se forem condenados a penas pesadas (caso se confirme a sua culpa), poderá ser que este facto acalme alguns revolucionários? Mas será que irá acalmar mesmo a extrema-esquerda? Ou, pelo contrário, a fanatizar ainda mais, fechando-a numa narrativa de vitimização face à “justiça fascista”?

Habituada, há décadas, a uma certa conivência em França — da justiça, das universidades e dos meios de comunicação —, a extrema-esquerda vê-se, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, confrontada com uma repressão forte da direita. Alguns dos seus membros, tal como animais encurralados, defendem-se com ferocidade. Outros recorrem à mentira. Mathilde Panot, deputada da LFI, pediu ao grupo Nemesis que deixasse de se manifestar à porta dos seus comícios, sob pena de poder “acabar mal” (fonte). Emmanuel Bompard afirma que os militantes da LFI são as verdadeiras vítimas e que o partido não irá despedir o deputado Raphaël Arnaud, militante antifa e fundador da Jeune Garde. Sandrine Rousseau (nascida em 1972) deputada ecologista aliada da LFI, declarou ter sido agredida pela OAS, tornando o caso mediático e gozado a nível nacional — recorde-se que a OAS era um grupo terrorista de extrema-direita fundado no início dos anos 60, durante a guerra na Argélia (os últimos membros fugiram para Espanha e Portugal nos anos 60 e 70).

Quanto a Jean-Luc Mélenchon, adoptou inicialmente uma postura de vítima, para depois assumir uma atitude mais agressiva: não recuar um centímetro tem sido a sua estratégia. Não despedir os antifas do seu partido, não pedir desculpa e, ainda, afirmar que se orgulha de ter trabalhado com a Jeune Garde e que nutre um carinho especial por ele (fonte). Aliás, o canal Cnews relembrou que Méléchon havia dito aos jovens antifas de adoptar medidas mais “impactantes” na luta contra os “fascistas” (fonte).

Este caso está a ter repercussões a nível internacional. Em França, mas também no Reino Unido, na Itália e na Alemanha, figuras da direita apelam para que, finalmente, os antifas sejam, tal como nos EUA, considerados grupos terroristas. Giorgia Meloni homenageou Quentin Denarque e afirmou que a extrema-esquerda tinha criado no Ocidente um “clima de ódio ideológico” (fonte). O governo americano publicou um comunicado afirmando que os antifas também representam um verdadeiro perigo para o país, na sequência do assassinato de Quentin Denarque (fonte).

Emmanuel Macron parece ser dos poucos em França que não percebeu a atmosfera de confrontação social que a extrema-esquerda está a gerar – a menos que a tenha compreendido bem e queira aproveitar-se do caos para se apresentar como salvador, o que não me surpreenderia. A preocupação é legítima e pode ser constatada em vários programas que abordam a possibilidade de uma futura guerra civil em França. O Le Figaro, por exemplo, realizou um debate com dois eminentes intelectuais, Pierre Manent e Marcel Gauchet, que recomendo (fonte).

Num país já fragilizado por uma crise social e económica, por uma criminalidade brutal e pelo perigo islamista, basta uma faísca para que ocorra a explosão. Estamos a 15 meses das eleições presidenciais francesas. Segundo as sondagens, Marine Le Pen passará à segunda volta, sendo que um dos prováveis concorrentes será ninguém menos do que Jean-Luc Mélenchon, líder da LFI. E de acordo com as mesmas sondagens, ela vencerá. Para quem quiser ter um “avant-goût” das presidenciais francesas, relembro as palavras que Jean-Luc Mélenchon terá dito a um antigo membro da LFI sobre o possível resultado das eleições de 2027:  «Ela (Marine Le Pen) poderá ter o Eliseu, mas eu, eu terei a rua» (Elle aura l’Élysée, mais moi, moi j’aurais la rue).

Finalmente, aquele que, na minha opinião, melhor apreendeu a gravidade da situação foi o antigo político e escritor Philippe de Villiers (cujo irmão mais novo foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francesas). Ao abordar a violência da extrema-esquerda, alerta que esta prepara, na realidade, um perigo ainda muito maior. Os antifas são apenas a árvore que oculta uma floresta bem mais assustadora: os Irmãos Muçulmanos, a islamização dos bairros franceses e a imigração massiva de populações que não desejam mais assimilar-se, mas sim “impor” o seu modo de vida. Será daí que advirão os futuros choques civilizacionais. Não, não se trata de uma paranóia minha, nem de uma teoria da conspiração de Philippe de Villiers. É a própria Rima Hassan que o afirma: “Num Estado racista, que relativiza a sua História colonial, ou até a glorifica, o vosso nome, a vossa cor de pele, é política. Num Estado policial, manifestar-se, expressar-se, é político. Só há uma forma de nos libertarmos dessas cadeias: eleger aqueles e aquelas que nos são semelhantes e que falam ao nosso coração, em vez de ao nosso medo” (fonte).

Segundo o jornalista francês Ivan Rioufol, este tipo de discursos de Rima Hassan abre caminho a confrontos futuros: ce sont les pistes d’un affrontement racial, afirma num programa da rádio Europe 1 (fonte). No fundo, o assassinato de Quentin Deranque é apenas a possível gota de água num país que, cada vez mais, parece um cocktail Molotov. Apenas devemos esperar que Philippe de Villiers e Ivan Rioufol se enganem, e que as suas profecias não se tornem, tal como as de Cassandra em Tróia, avisos ignorados até ao instante do choque final.

«Ouvi o discurso de Rima Hassan. Na verdade, ela tinha três objectivos ao ir à universidade Sciences Po Lyon. Primeiro objectivo: fazer passar o Hamas, o ramo palestiniano dos Irmãos Muçulmanos, por um movimento de libertação. (…) Segundo objectivo: transformar os seus ouvintes, os estudantes, em propagandistas junto das populações árabo-muçulmanas, na véspera das eleições autárquicas. E terceiro objectivo, dissimulado mas muito presente: preparar a terceira volta das eleições presidenciais (de 2027). Na verdade, preparar o caos social. Pois Rima Hassan, que conhece bem Mélenchon, sabe que a vitória de Mélenchon é pouco provável, ainda menos desde há oito dias. Mas o que eles querem fazer é esperar pela vitória do Rassemblement National para mergulhar no caos a França e criar uma França das barricadas. Ou seja, ou são as urnas — a crioulização das urnas (através da imigração) — ou é a rua, o apocalipse insurreccional. Ela prepara o apocalipse insurreccional.»

Philippe de Villiers, Face à Philippe de Villiers / 20 février 2026 (CNews)