
A frase
Documentos atribuídos aos chamados arquivos Epstein voltaram a causar revolta ao citarem conversas sobre simular pandemias globais, incluindo menções ao nome de Bill Gates
— Utilizador de Instagram, 07 de fevereiro de 2026
Seria uma informação que teria causado “revolta”. Nas redes sociais, há publicações que alegam que, nos ficheiros do caso Epstein publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano, há conversas sobre “simular pandemias globais” com “menções ao nome de Bill Gates”. Havia mesmo “cenários de crises sanitárias que eram discutidos de forma hipotética anos antes da Covid-19 atingir o planeta”.
Um novo lote de ficheiros de Epstein teria revelado que Bill Gates estava a discutir uma “simulação de pandemia com Jeffrey Epstein”, refere uma publicação nas redes sociais. “E-mails chocantes de Epstein revelam conexões com Bill Gates e discussões sobre simulação de pandemia. Pedidos de dinheiro e escândalos”, alega outro post que foi divulgado recentemente.

Nos milhões de ficheiros divulgados pelas autoridades norte-americanas, há, de facto, várias referências ao nome de Bill Gates. O fundador da Microsoft até se arrependeu de ter ido a alguns jantares com Jeffrey Epstein: “Fui estúpido em passar tempo com ele. Eu sou uma das pessoas que se arrepende de alguma vez o ter conhecido”.
O fundador da Microsoft explicou que é “factualmente verdade” que jantou várias vezes com o milionário norte-americano. Porém, ressalvou que “nunca foi à ilha e nunca conheceu qualquer mulher”. “O foco era que ele [Epstein] conhecia muitas pessoas ricas e estava sempre a dizer que elas poderiam dar dinheiro à saúde global”, justificou Bill Gates.
A tese de que Bill Gates tentou simular uma pandemia com Jeffrey Epstein antes da covid-19 perde já alguma força com este esclarecimento. Contudo, numa pesquisa mais fina, percebe-se que o fundador da Microsoft foi mencionado aos temas da pandemia pelo menos duas vezes.
Em 2015, Bill Gates terá sido convidado para uma “grande conferência internacional” em Genebra organizada pelo think tank International Peace Institute (IPI) com o tema “Preparação para Pandemia: Lições Aprendidas para Respostas Mais Eficazes”. Segundo o site do IPI, esse evento realmente aconteceu a 12 de setembro de 2015, mas não tinha qualquer objetivo de simular qualquer pandemia.
Em vez disso, segundo se lê no site, serviria para “facilitar a discussão das lições aprendidas de experiências passadas que lidaram com pandemias e formas de se preparar mais eficazmente para futuros surtos”. Não há, ainda assim, qualquer menção à presença de Bill Gates — apenas há uma referência que este encontro contribuiu para o trabalho da IPI nas áreas da paz e da saúde, “particularmente em cooperação com a Fundação de Bill e Melinda Gates”, que se dedica à área da saúde pública.
Mais tarde, em 2017, existe outra referência de um email enviado por alguém cujo nome está rasurado para Bill Gates. Na troca de mensagens, são propostos vários trabalhos em áreas como dados de saúde, gastos em saúde nos Estados Unidos da América e neurotecnologia, incluindo-se um ponto sobre “recomendações ou especificações técnicas para a simulação de uma pandemia”.
Como referem as publicações nas redes sociais, “recomendação ou especificações técnicas” poderiam ter servido para dar origem à Covid-19 — que foi a pandemia que “atingiu o planeta” três anos após estes e-mails.
Contudo, por si, a troca de mensagens não comprova que tenha havido uma simulação de uma pandemia e não existe qualquer referência à Covid-19, uma doença desconhecida em 2017. Seria mais provável, tendo em conta o encadeamento do e-mail enviado a Bill Gates, que se tratasse de um projeto científico que serviria como uma ferramenta de modelação e preparação no âmbito da saúde pública — e não como um plano para criar uma pandemia real.
Conclusão
Não é possível inferir que Bill Gates e Jeffrey Epstein tenham discutido a simulação de uma pandemia e muito menos a da Covid-19. Nos ficheiros do caso Epstein, que são apontados como fonte, não há nenhuma prova que isso tenha efetivamente acontecido: há apenas menções a um projeto científico sobre simulação de uma pandemia (que não se sabe se foi avante e que teria como bases pandemias passadas) e a uma conferência sobre saúde pública em Genebra. O fundador da Microsoft também assegura que apenas teve contacto com o empresário norte-americano em jantares e negou qualquer envolvimento mais próximo com ele.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.