O prazo ainda está a decorrer, mas o Pentágono não perdeu tempo. Donald Trunp deu, na quinta-feira, quinze dias para o Irão chegar a um “acordo [nuclear] significativo”, caso contrário, “coisas más vão acontecer” ameaçou o Presidente dos Estados Unidos (EUA). Quando o líder norte-americano falou, já Washington tinha enviado uma “enorme armada” para a região que não deixou de aumentar nos últimos dias: cerca de metade da disponibilidade aérea do país estará no Médio Oriente, preparada para a eventual ordem de Trump atacar o Irão.
This represents 40-50% of the deployable US air power in the world. Think air power on the order of the 1991 and 2003 Iraq war. And growing. Never has the US deployed this much force against a potential enemy and not launched strikes. pic.twitter.com/NLPIOEyeUs
— Robert A. Pape (@ProfessorPape) February 21, 2026
Robert A. Pape, professor de Ciência Política da Universidade de Chicago e especialista em assuntos de segurança, avançou que os EUA já destacaram “40 a 50% do seu poder aéreo” mobilizável para a região. Vários meios de comunicação social, como o The New York Times, a CNN Internacional, o Financial Times e a BBC têm confirmado, com recurso a imagens satélite, essa movimentação significativa tanto de poder naval quanto aéreo.
A dimensão deste mobilização, defendem os especialistas, é apenas equiparável às ações militares de 1991 (antes do início da Guerra do Golfo) e de 2003 (antes da invasão ao Iraque). Neste sentido, Pape deixa um aviso: “Nunca os EUA mobilizaram tantas forças contra um potencial inimigo sem lançar ataques”.
O think-tank Center of Strategic and International Studies vai no mesmo sentido: a frota naval atualmente mobilizada pelos EUA para a região é a maior alguma vez destacada no Médio Oriente desde que cinco grupos de ataque de porta-aviões foram enviados para o início da invasão do Iraque em 2003. Dos 51 navios da marinha dos EUA que realizam operações no mar, 18 — ou seja, 35% — estão no Médio Oriente.
Mas afinal, que meios já foram deslocados para o Médio Oriente?
https://twitter.com/PauloCruzJCO/status/2025969720847990793
Porta-aviões USS Abraham Lincoln
O porta-aviões USS Abraham Lincoln, da classe Nimitz, a maior e mais avançada até à construção do USSGerald R. Ford é um dos meios militares presente na região. De propulsão nuclear, tem capacidade para albergar até 90 aeronaves, mas costuma carregar entre 65 caças e helicópteros. Tem entre os seus sistemas de defesa mísseis para abater outros mísseis provenientes de ameaças áreas e navais, canhões rotativos de 20mm, dispositivos para atrair e desviar torpedos e contramedidas para debelar ataques eletrónicos.
Este navio foi movimentado do oceano Pacífico para o Mar Arábico no último mês e, segundo as imagens satélite, está a apenas 678 quilómetros a sul da costa iraniana. Segundo a CNN, esta embarcação lidera o Carrier Strike Group 3, composto por três contratorpedeiros da classe Arleigh Burke (USS O’Kane, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Spruance) e leva uma frota aérea que inclui caças F/A-18E Super Hornet e F-35C Lightning II, caças de combate eletrónico EA-18G Growler, aviões de reconhecimento Grumman E-2 Hawkeye e helicópteros Sea Hawk dos modelos MH-60R e MH-60S.

Porta-aviões USS Gerald R. Ford
Fabricado em 2017, um outro porta-aviões, o USS Gerald R.Forde, o mais avançado do mundo e o modelo para a próxima geração deste tipo de embarcações faz parte dos recursos militares mobilizados. É mais eficiente, requer menos tripulantes e pode carregar mais aeronaves que a geração anterior de porta-aviões, além de contar com sistemas eletrónicos de topo. Têm também mais armas defensivas, incluindo sistemas de metralhadoras Mark 38.
USS Gerald R. Ford aircraft carrier arrives at Souda Bay on the island of Crete, Greece, February 23, 2026. REUTERS/Stelios Misinas pic.twitter.com/1wVMm4lwKg
— Idrees Ali (@idreesali114) February 23, 2026
Depois de ter estado em missão ao largo da Venezuela em 2025, foi mobilizado para o Médio Oriente, encontrando-se neste momento no mar Mediterrâneo, em Creta, onde os EUA têm uma base naval. Tal como o USS Abraham Lincoln, encontra-se acompanhado de três contratorpedeiros (USS Bainbridge, USS Mahan e USS Winston S. Churchill) e uma frota aérea muito similar à do seu congénere, com a distinção de carregar também cargueiros C-2A Greyhound.
Contratorpedeiros Arleigh Burke
Praticamente todos os contratorpedeiros (ou destroyers, como são conhecidos em inglês) que os EUA destacaram para um potencial conflito com o Irão são da classe Arleigh Burke, um nível abaixo dos Zumwalt mais recentes.
Contratorpedeiros velozes com sistemas de mísseis guiados e com capacidade de interceção de projéteis balísticos, estas embarcações têm um cariz multifuncional, podendo transportar e lançar mísseis cruzeiro Tomahawk capazes de atingir alvos terrestres, mas também de assumir funções defensivas contra ameaças aéreas e navais, incluindo submarinos.
Aos seis contratorpedeiros já mencionados como fazendo parte da escolta dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, foram também detetados pelo menos um no Mar Vermelho, dois no Estreito de Ormuz, um a sul da costa iraniana e outros dois no Mediterrâneo. Segundo apurou o NYT junto de um oficial norte-americano, há ainda outra embarcação destas a dirigir-se para a região, perfazendo um total de 13 mobilizadas para este potencial conflito.
Navios de combate litoral Independence
Os navios de combate Independence, especializados em combate costeiro, equipados para assumir funções desde ataques a outras pequenas embarcações e submarinos e desminagem também estão em prontidão para um possível ataque ao Irão. Têm ainda a capacidade de acolher dois helicópteros.
Há pelo menos três destas embarcações dos EUA presentes no golfo Pérsico, encontrando-se posicionados entre a base naval do Bahrein e o Estreito de Ormuz.
Caças F-35, F-15E, F-16 e A-10
Os F-35 (ou F-35 Lightning II) ou tratam-se dos caças mais avançados do mundo, com a capacidade de manterem-se indetectáveis perante os radares inimigos e capazes de assumir funções de combate aéreo contra outras aeronaves, mas também de realizar bombardeamentos. Têm ainda funções de reconhecimento e de combate eletrónico.
Os F-15E (ou F-15E Strike Eagle) são mais velozes e mais poderosos mas menos versáteis que os F-35, não tendo as mesmas capacidades de camuflagem. A sua função é ofensiva, podendo atacar alvos no ar, mas dispondo de capacidades de armamento mais poderosas para ataques em terra. Em comparação, os F-16 são mais pequenos e mais ágeis, tendo como principal função combate aéreo e apoio aéreo aproximado.

Por fim, os A-10 são aviões destinados ao ataque terrestre, tendo como principal função dar apoio a tropas terrestres ao atacar veículos blindados e tanques inimigos.
De acordo com o Financial Times, nas últimas semanas foram movimentados muitos caças para a base de Muwaffaq Salti, na Jordânia, contabilizando-se o alocamento de pelo menos 60 aeronaves que incluem os F-35, os F-15E e os A-10. Já a base de Al Kharj, na Arábia Saudita, tem sido o destino dos caças F-16.
Pela contagem do jornal britânico, além de mais de 90 aeronaves de ataque presentes nos dois porta-aviões destacados para o potencial conflito, foram destacados pelo menos 3o F-35, pelo menos 30 F-16, pelo menos 24 F-15E e pelo menos 12 A-10.
Outras aeronaves
Entre as capacidades ofensivas aéreas dos EUA, somam-se ainda a presença de cinco drones MQ-9 Reaper na base jordana de Muwaffaq Salti, noticia o NYT. Estes têm capacidades de reconhecimento e vigilância, mas também de realizar ataques cirúrgicos.
Além disso, o mesmo jornal refere que os bombardeiros de longo alcance dos EUA estão em estado de alerta mais elevado do que o habitual. Estes estão estacionados em território norte-americano, mas são capazes de atingir alvos no Irão. Além disso, vários aviões de operações especiais, vigilância e reabastecimento têm sido enviados para a base militar de Diego Garcia, no Oceano Índico, que contém um aeródromo de destacamento avançado para bombardeiros furtivos B-2 de longo alcance.
É ainda de destacar que Washington mobilizou vários meios aéreos de apoio para a região, entre eles pelo menos duas E-3 Sentry, aeronaves de Sistema Aéreo de Alerta e Controle, essenciais para alertar quanto à aproximação de forças inimigas ou mísseis e facilitar comunicações no campo de batalha.
A estes somam-se várias aeronaves de reabastecimento e transporte KC-135 e KC-46, cargueiros C-17 e C-15, aeronaves de reconhecimento marítimo P-8 Poseidon e drones de reconhecimento MQ-4 Triton.
Sistemas Patriot e THAAD
Os primeiros tornaram-se bem conhecidos do público europeu pelo seu papel fulcral na defesa da Ucrânia. Tratam-se de sistemas móveis de mísseis superfície-ar (SAM), destinados a defesa antiaérea, sendo eficazes contra aeronaves, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos de curto alcance. Já os THAAD assumem uma função mais especializada, sendo sistemas semelhantes mas destinados a intercetar mísseis balísticos de curto a médio alcance a altas altitudes.
De acordo com o NYT, o Pentágono enviou mais sistemas Patriot e THAAD para as bases dos EUA no Médio Oriente com o intuito de proteger as suas tropas de potenciais ataques retaliatórios por parte do Irão.
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