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(A) :: Luís Neves assume "maior honra" de passar a ser "mais um elemento" da GNR, da PSP e da Proteção Civil. "Fui sempre um servidor público"

Luís Neves assume "maior honra" de passar a ser "mais um elemento" da GNR, da PSP e da Proteção Civil. "Fui sempre um servidor público"

Para o novo ministro da Administração Interna, o passado ligado à investigação criminal não pesou no momento de aceitar o convite. "Senti-me tranquilo". Luís Neves quer trabalhar "com todos".

Miguel Pinheiro Correia
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“Fui sempre um servidor público”. Sem o peso de um passado ligado à Polícia Judiciária, Luís Neves tomou posse como ministro da Administração Interna e assumiu a maior “honra” e a “maior satisfação” por “passar a ser mais um elemento da GNR, da PSP, da Proteção Civil, da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária” e de “todos quantos estão sob a tutela da Administração Interna”.

Rodeado pela equipa de secretários de Estado (que se mantém, sem alterações, da anterior ministra), o antigo Diretor Nacional da PJ diz que vai continuar a “trabalhar” com a equipa, como sempre fez em cargos anteriores. “Em todos os momentos da minha vida em que liderei gente fantástica, disse-lhes sempre para não serem taticistas, para ousarem pensar, para ousarem fazer, para ousarem agir, sempre em prol do interesse público e das pessoas”.

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Antes, o ministro fez o juramento sob o olhar atento do Presidente da República e do primeiro-ministro. No final, já depois da tomada de posse dos anteriores Secretários de Estado, Luís Neves foi felicitado por Marcelo Rebelo de Sousa (que poderá ter empossado esta segunda-feira, pela última vez, um ministro) e Luís Montenegro, que escolheu o Diretor Nacional da PJ como o seu terceiro governante com esta pasta — depois de Margarida Blasco e de Maria Lúcia Amaral.

O recém-empossado ministro diz que sentiu um apelo dada a grande “exigência” da pasta que tem agora em mãos, lembrando que estaria a cerca de um ano de “terminar” no cargo de Diretor Nacional da PJ. “Decidi abraçar este novo projeto. É sempre uma decisão difícil, não só pela minha carreira e a minha vida na recuperação da instituição da PJ, e sobretudo pelos desafios que a área da Administração Interna colocam e colocarão sempre”.

Depois de Marcelo e Montenegro, o novo ministro foi cumprimentado pelos restantes membros que compõem o Executivo. Ao seu lado, estiveram sempre Telmo Correia (Secretário de Estado da Administração Interna), Paulo Simões Ribeiro (Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna) e Rui Rocha (o único dos três que só surgiu nas funções governativas com Maria Lúcia Amaral, quando assumiu a pasta de Secretário de Estado da Proteção Civil).

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“Aceitei com muito ânimo” e sem reservas quanto ao passado na PJ. “O Diretor Nacional da PJ não investiga ninguém”

O passado ligado à investigação criminal não passou ao lado das perguntas dos jornalistas. Luís Neves, no entanto, foi perentório e justificou que este contexto não lhe ofereceu reservas. “Aceitei com muito ânimo, ciente do papel que tive, ciente do papel que tenho e da ‘estanquização’ do cargo que agora assumo (sic.)”. Questionado diretamente sobre a investigação arquivada a Luís Montenegro, o novo ministro foi ainda mais sucinto, sem passar ao lado da pergunta: “O Diretor Nacional da PJ não investiga ninguém. O papel do diretor da PJ é organizar é prover meios para uma instituição”. “Senti-me completamente tranquilo relativamente à minha informação”.

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Tal como diz ter feito no passado, Luís Neves quer continuar a trabalhar “no sentido de dotar as instituições” e os seus elementos “dos melhores meios possíveis”. “Trabalhar na Administração Interna é trabalhar na prevenção, na antecipação, na proatividade” e com “espírito aberto de cooperação, colaboração e coordenação em todas as áreas”.

No final da conferência de imprensa, o ministro disse que conhecia “os anseios e as dificuldades das pessoas”, pelo que conta “com todos os autarcas” e com todo “o poder local” para, “juntos”, “levar por diante a missão hoje assumida”. “Eu sou um homem da Beira Baixa, tenho uma costela alentejana”, disse, justificando o seu conhecimento profundo do Interior do País.

“Todas as propostas que sejam positivas, serão abraçadas e tidas em conta; as propostas que não estejam nesse patamar, serão discutidas; as propostas que violem a minha consciência, naturalmente serão afastadas”, rematou.