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(A) :: Punch, o macaco bebé que esgotou o stock da IKEA, já tem uma memecoin e que os irmãos Tate querem comprar

Punch, o macaco bebé que esgotou o stock da IKEA, já tem uma memecoin e que os irmãos Tate querem comprar

Punch e o seu orangotango cor-de-laranja estão a atrair multidões ao zoo japonês enquanto o boneco se esgota na Ikea. Já há uma memecoin, um donativo e uma oferta de compra dos irmãos Tate.

Marta Ramos
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O pequeno macaco Punch não só comoveu o mundo como acabou por catapultar um sucesso de vendas em várias lojas IKEA, chegando mesmo ao famoso late night-show de Stephen Colbert ao mesmo tempo que recebeu um donativo de 100 mil dólares de um empresário de criptomoedas e uma memecoin. E chamou a atenção dos irmãos Tate que o querem comprar.

As imagens do macaco-japonês com cerca de sete meses do jardim zoológico de Ichiwaka a enroscar-se num orangotango laranja de peluche com olhos esbugalhados que arrastava para todo o lado teve vários efeitos. Um deles foi comercial. A “dupla” tornou-se um fenómeno não só pelos milhões de visualizações e likes nas redes sociais, como também pelo aumento significativo das vendas do peluche –Djungelskog –, confirmou a marca sueca IKEA ao Washington Post.

Lojas no Japão, Estados Unidos (EUA) e Austrália, por exemplo, estão com o boneco completamente esgotado. Nenhuma das 12 lojas existentes no Japão tem o orangotango que se tornou num objecto de conforto para Punch. Nos EUA apenas seis das 55 tem o peluche em stock (limitado) e na Austrália, metade das lojas (5) também não o tem disponível para compra. Mas, Javier Quiñones, gerente comercial do Grupo Ingka do IKEA, citado também no Washington Post, procurou tranquilizar os fãs garantindo que a empresa está a fazer os possíveis para que “o brinquedo esteja de volta em stock o mais rapidamente possível”. E lembra que embora Djungelskog “seja, desde há muito, um dos mais procurados nos vários mercados”, “a história vinda do Japão está a criar um carinho extra [pelo peluche]”.

https://www.youtube.com/watch?v=-GcFUOW8yYs&t=87s

A marca sueca aproveitou o fenómeno para reforçar o seu marketing, com a sucursal da Suíça a fazer um post enternecedor em que se vê um dos seus peluches em formato de macaco – numa representação do bebé Punch – a abraçar o peluche em forma de orangotango, com a legenda a dizer: “Por vezes, a família é quem encontramos pelo caminho”.

O orangotango foi estrategicamente oferecido a Punch pelos funcionários do zoo quando um visitante os alertou para o facto de o macaco bebé ter sido abandonado pela mãe logo após o nascimento. Isto porque as crias dos macacos‑japoneses precisam normalmente de se agarrar às mães para ganhar força muscular e para terem uma sensação de segurança, disse o tratador Kosuke Shikano, citado pela imprensa japonesa como o Japan Times. Ora, Punch não tinha a quem se agarrar, precisava de uma ajuda rápida, continuou Shikano. Os tratadores experimentaram toalhas enroladas, tecidos que imitassem o toque da mãe e outros bonecos, mas nada resultava. Até que surgiu a ideia do orangotango.

“Este boneco de peluche tem pelo relativamente comprido e vários sítios onde é fácil agarrar”, disse Shikano. “Pensámos que a sua semelhança com um macaco poderia ajudar o Punch a integrar‑se no grupo mais tarde, e foi por isso que o escolhemos”, acrescentou.

https://observador.pt/2026/02/18/punch-o-macaco-bebe-que-foi-abandonado-pela-mae-encontrou-conforto-num-peluche-e-tornou-se-viral/

Punch parece até ter alcançado um nível de estrelato cobiçado por muitos: a sua história chegou aos late-night shows americanos, especificamente ao The Late Show com Stephen Colbert. O apresentador e comediante no seu monólogo brincou com o abandono da cria comentando que a “mãe disse que ia comprar um cacho de bananas e nunca mais voltou” num trocadilho com a expressão comummente usada para referir o abandono familiar. E terminou referindo que “por apenas $19,99, todos podemos receber o conforto que precisamos”.

https://youtu.be/YbhR1PrwQ84?si=c3yKTy9rRJVI0ShQ&t=524

Justin Sun, empresário chinês de criptomoedas, também não passou ao lado do fenómeno Punch. O fundador da Tron, plataforma ligada a criptoativos, anunciou um donativo de 100 mil dólares (mais de 84 mil euros) para garantir o seu habitat e apoiar o seu crescimento. Ao mesmo tempo, nomeou Punch embaixador da HTX, bolsa de criptomoedas de que é dono.

https://twitter.com/justinsuntron/status/2024768536325877977

Mas a presença do macaco-japonês no mercado das criptomoedas não se fica por aqui — já foi mesmo criada uma memecoin Punch que, na sexta-feira, tinha uma capitalização de 27 milhões de dólares (mais de 22 milhões de euros), noticia a Yahoo Finance. O valor deste token é mais simbólico do que outra coisa, ressalva, no entanto, a Bittime.

Também os irmãos Tate se interessaram por Punch. Tristan disse que tanto ele quanto Andrew o queriam comprar. Ofereceu no X 250 mil dólares (220 mil euros) e garantiu que não estava a brincar.

https://twitter.com/TateTheTalisman/status/2024593512532939254

A ideia dos Tate chocou alguns internautas.“Nem pensar. Isso nem sequer tem graça como piada”, escreveu uma pessoa. “Podemos lançar uma petição para garantir que isto não acontece??!”, apelou outra enquanto uma terceira ia mais longe numa alusão aos processos judiciais em que os irmão são acusados de violação e outros crimes sexuais: “Então estás a tentar comprá‑lo para o afastar dos bullies… só para ir viver com bullies??? Pois, não”.

https://twitter.com/Besciai/status/2024692346596786455

As razões que poderão ter levado a mãe a abandonar Punch

Para além do interesse mediático e do aumento de vendas, as imagens de Punch e a “Ora-mama” (como chamou a equipa do zoo ao boneco de peluche) reacenderam o debate sobre o abandono das crias por parte das mães. Este comportamento pode ser explicado por certas circunstâncias, como “idade, saúde e inexperiência” disse Alison Behie, primatóloga da Universidade Nacional da Austrália, ao jornal britânico The Guardian.

O tratador de Punch pensa que a mãe o rejeitou devido a uma onda de calor extremo em julho, quando ele nasceu, uma hipótese que se encaixa bem no que a especialista disse ao jornal britânico. “Em ambientes onde a sobrevivência é ameaçada por fatores externos, as mães podem dar prioridade à sua própria saúde e reprodução futura, em vez de continuar a cuidar de um bebé cuja saúde pode ser comprometida por essas condições ambientais”, adiantou.

Pode ter sido ainda outro fator. “Punch era o primogénito, e a inexperiência da mãe certamente desempenhou um papel central na sua atitude”, considera Behie.

Sem a ligação maternal, Punch pode não desenvolver as respostas adequadas de subordinação que regulam a vida social destes macacos, que têm hierarquias matrilineares rígidas, avisa  Alison Behie. E isso pode ter consequências duradouras na sua integração futura na vida adulta.

Mas para já, as notícias são animadoras. Punch está a evoluir bem, como se pode ver pelos relatos de progresso que o zoo vai fazendo na rede social X.

No passado domingo, foi filmado a andar, supostamente, pela primeira vez com apenas as patas traseiras, enternecendo ainda mais os utilizadores das redes sociais que rapidamente manifestaram a sua adoração com comentários como “a cada dia que passa, gosto mais deste macaquinho” ou “está a crescer tão rápido” ou ainda, num tom mais cómico, “os outros macacos gostavam de ser tão inteligentes como ele”.

https://twitter.com/Yoda4ever/status/2025604005964267793

Por outro lado, Punch está a integrar-se no grupo, já esteve a ser “catado” por outros macacos adultos (ato de limpar o pelo, afastando parasitas) no que é tido por especialistas como um gesto fundamental no processo de socialização e integração entre os pares.

https://twitter.com/ichikawa_zoo/status/2025498126325612595

Aliás, Alison Behie referiu que o comportamento dos outros macacos em relação a Punch “não é bullying nem qualquer comportamento anormal, mas sim uma interação social normal”. E o mesmo tinha feito o  jardim zoológico de Ichiwaka, num comunicado publicado na rede social X, no dia 20 de fevereiro.

A instituição garantiu que os gestos aparentemente agressivos de rejeição de Punch por parte dos outros macacos são normais e expectáveis dentro das dinâmicas de socialização e de integração no grupo, salientando que isto é um processo de aprendizagem.

https://twitter.com/ichikawa_zoo/status/2024750066951766466

Entretanto o jardim zoológico tem-se desdobrado em pedidos de desculpas pelas longuíssimas filas que se têm formado para entrar no recinto com a enorme afluência de visitantes que querem ver Punch e o seu companheiro orangotango. A espera chega a alcançar as duas horas com o zoo a pedir às pessoas para abreviarem as suas visitas tendo limitado a dez minutos, o tempo no parque dos macacos.

https://twitter.com/ichikawa_zoo/status/2025009094114115792

https://twitter.com/ichikawa_zoo/status/2025425361971147233

[Apesar de um mandado de captura europeu, Gregorian Bivolaru está clandestino em Paris. Lá, o guru continua a receber discípulas para “iniciações secretas”. Ouça o quinto e penúltimo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto]

Texto editado por Dulce Neto