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Governo gasta 11 mil euros em serviços de maquilhagem e cabeleireiro para garantir "qualidade de imagem" dos ministros

Contrato celebrado entre o Governo e a GlitterGlobe LDA contempla 50 sessões de maquilhagem durante um ano — cada uma custará 230 euros ao Estado. Governo quer "garantir a qualidade de imagem".

Miguel Pinheiro Correia
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O Governo, através da Secretaria-Geral do Governo (SGG), celebrou um contrato em regime de ajuste direto para a “aquisição de serviços de maquilhagem e cabeleireiro para os membros dos gabinetes ministeriais nas conferências de imprensa”. O acordo, noticiado pelo Correio da Manhã e disponível para consulta no portal da contratação pública, custará 11.520 euros aos cofres do Estado, por um ano de serviços.

“O contrato tem por objeto a aquisição de serviços de maquilhagem e cabeleireiro para a Secretaria-Geral do Governo, de forma a garantir a qualidade de imagem dos membros do Governo nas Conferências de Imprensa”, lê-se no contrato autorizado a 4 de dezembro por Carlos Costa Neves, adjudicado a 30 de dezembro e assinado na última quinta-feira — três dias depois de ter sido tornado público um contrato celebrado entre a mesma secretaria e a Sport TV (no mesmo dia, Luís Montenegro acabaria por ordenar uma redução dos custos com este serviço).

https://observador.pt/2026/02/16/luis-montenegro-ordena-reducao-de-oito-para-duas-ligacoes-a-sporttv-apos-polemica-com-gastos/

A empresa contratada, a GlitterGlobe LDA (com sede em Leiria), prestará serviços de maquilhagem/desmaquilhagem a homens e mulheres, bem como “serviços de cabeleireiro” para mulheres. “Prevê-se a realização de 50 serviços durante 1 ano, a serem prestados semanalmente”, ou seja, cada uma destas sessões custará 230,40 euros aos cofres do Estado. Em cada serviço, lê-se no contrato, poderão ser maquilhados entre um a quatro membros do Governo.

“A indicação da hora e local será transmitida com 24 horas de antecedência caso o serviço se realize em Lisboa e 48 horas de antecedência caso se realize em qualquer outro local”. Uma vez que o trabalho contempla “serviços de desmaquilhagem”, as funções só terminam “por indicação da Divisão de Proximidade do Governo e Relações-Públicas da Secretaria-Geral do Governo”.

Ao contrário do contrato celebrado entre o Governo e a Sport TV, que já estava acordado “pelo menos, desde 2017”, este é o primeiro contrato celebrado com a GlitterGlobe.

https://observador.pt/2025/10/29/secretaria-geral-do-governo-ja-tem-315-pessoas-fruto-das-primeiras-fusoes-e-extincoes/

A Secretaria-Geral do Governo nasceu da fusão de diferentes secretarias-gerais e somava, em outubro, 315 pessoas. “Na secretaria-geral do Governo continuamos a fusão de oito secretarias-gerais (…) criando uma secretaria-geral do Governo única, central, que serve todo o Governo”, chegou a explicar o ministro da Presidência no Parlamento. “Apoio, estudo e preparação da decisão política e legislativa, acompanhamento e monitorização da execução da ação governativa e apoio à comunicação institucional”, acrescentou António Leitão Amaro, que anunciou que, este ano, a secretaria-geral iria crescer “com a extinção das demais secretarias-gerais, já em curso a do ministério das Finanças e do ministério da Educação, a realizar no próximo ano Trabalho, Justiça (…) e Saúde que se realizarão a seguir”.

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A secretaria-geral é liderada por Carlos Costa Neves, ex-ministro e ex-deputado do PSD que foi amplamente elogiado por Luís Montenegro quando tomou posse. “É caso para dizer que Carlos Costa Neves, nesta ocasião, está a pagar para trabalhar, visto que terá um rendimento inferior nesta função do que aquele que teria se não aqui estivesse.” Costa Neves foi o segundo nome indicado pelo executivo para este cargo. Inicialmente, em dezembro, o Governo anunciou o ex-administrador do Banco de Portugal Hélder Rosalino para a posição. No entanto, o antigo secretário de Estado acabou por desistir do cargo três dias depois, após uma polémica pública sobre o vencimento que iria ter nesta nova função, na qual iria manter o salário de origem,  de cerca de 15.000 euros.

https://observador.pt/2025/01/14/carlos-costa-neves-toma-posse-como-secretario-geral-do-governo-acredito-no-sucesso-da-missao/