Era a cruz carregada por todos aqueles que fecham as jornadas. Este domingo, às 20h30 e no momento em que ouviu o apito inicial no Dragão, o FC Porto já sabia que Sporting e Benfica tinham vencido os respetivos desafios no dia anterior — ou seja, já sabiam que estavam obrigados a vencer também para segurar as vantagens para leões e encarnados na liderança do Campeonato.
A semana da equipa de Francesco Farioli foi limpa, sem competições europeias devido ao apuramento direto para os oitavos de final da Liga Europa e com tempo para respirar depois de uma fase complexa em que os dragões perderam com o Casa Pia e empataram com o Sporting, somando duas jornadas sem ganhar pela primeira vez esta temporada. Contra o Rio Ave, no Dragão, a ideia natural do FC Porto passava por dar continuidade ao triunfo de há uma semana com o Nacional e não tremer.
Ficha de jogo
FC Porto-Rio Ave, 1-0
23.ª jornada da Primeira Liga
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: David Silva (AF Porto)
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Pablo Rosario, Zaidu, Victor Froholdt (Terem Moffi, 85′), Alan Varela, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 65′), Pepê (Borja Sainz, 75′), Deniz Gül (Seko Fofana, 75′), Oskar Pietuszewski (William Gomes, 65)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Dominik Prpic, Gabriel Brás, Francisco Moura
Treinador: Francesco Farioli
Rio Ave: Ennio van der Gouw, Andreas Ntoi (João Graça, 88′), Diogo Bezerra, Jalen Blesa, Marious Vrousai (Antonios Papakanellos, 83′), Dario Spikic (João Tomé, 65′), Jakub Brabec, Gustavo Mancha, Tamás Nikitscher (Ryan Guilherme, 83′), Omar Richards, Olinho (Karem Zoabi, 65′)
Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro, Nelson Abbey, Pancho Petrasso, Georgios Liavas
Treinador: Sotiris Silaidopoulos
Golos: Victor Froholdt (22′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Omar Richards (90+2′), a Alberto Costa (90+2′), a João Graça (90+2′), a Karem Zoabi (90+6′), a Alan Varela (90+7′)
“Já tivemos uma má experiência com o Casa Pia, que também não estava bem, e depois aconteceu o que aconteceu. Mas amanhã não conta o passado e o que importa é o que fazemos no campo. Esperamos algumas mudanças depois de terem jogado com três defesas contra o Moreirense, como o treinador já tinha feito noutras experiências no passado. Estamos preparados para as várias possibilidades e isso é o mais importante. Adversário frágil? Não fazemos esse cálculo. No futebol não é a camisola que ganha o jogo. Vou dizer o óbvio, mas o jogo começa 0-0 e vamos ter de dar o nosso melhor e mostrar a nossa força dentro de campo”, explicou o treinador italiano na antevisão da partida.
No Dragão, Francesco Farioli não contava com Thiago Silva, que sofreu um problema no joelho durante a semana e juntou-se a Kiwior, Martim Fernandes e Samu no boletim clínico, e apostou em Pablo Rosario ao lado de Bednarek no eixo defensivo. Deniz Gül voltava a ser a referência ofensiva, apoiado por Pepê e Oskar Pietuszewski, enquanto que Gabri Veiga era titular em detrimento de Rodrigo Mora. Do outro lado, num Rio Ave que vinha de cinco derrotas consecutivas, Sotiris Silaidopoulos não tinha o castigado Tamble Monteiro e lançava Olinho no ataque.
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De forma expectável, o FC Porto assumiu as principais responsabilidades do jogo desde o início e demonstrava alguma facilidade para entrar no último terço do Rio Ave, ainda que sem grande assertividade no momento da definição ou da finalização. Victor Froholdt teve o primeiro remate da partida, por cima e na sequência de um canto (7′), e Gabri Veiga, com um pontapé algo acrobático e também desenquadrado (10′), deu o mote para algo que seria característico na primeira parte os dragões: os remates de longe.
Ainda assim e ultrapassada essa fase inicial em que o FC Porto dominou de forma mais clara, o Rio Ave não abdicava de tentar esticar a equipa e conseguia fazê-lo essencialmente a partir de Diogo Bezerra, sempre muito veloz, e Olinho, muito disponível. O avançado alemão cabeceou por cima após cruzamento na direita (12′) e rematou ao lado pouco depois (20′), tornando-se o protagonista do ataque vilacondense.
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Foi nesta fase, porém, que o FC Porto acabou mesmo por abrir o marcador. Oskar Pietuszewski acelerou na esquerda, deixou um adversário para trás e foi até à linha de fundo para cruzar atrasado para a área, onde Victor Froholdt apareceu a desviar de primeira (22′). Os dragões cresceram com o golo, aproveitando também alguma desilusão por parte dos vilacondenses, e Gabri Veiga ainda poderia ter aumentado a vantagem com um remate em jeito que acertou em cheio no poste (33′).
A equipa de Sotiris Silaidopoulos voltou a crescer nos últimos minutos da primeira parte, com Diogo Bezerra a assustar Diogo Costa com um remate/cruzamento que o guarda-redes português só defendeu à segunda (44′), e os dragões mantinham a aposta na meia-distância e ainda viram Alan Varela falhar o alvo por pouco (38′). Ao intervalo, ainda assim, o FC Porto estava a vencer o Rio Ave no Dragão.
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Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o FC Porto voltou do balneário praticamente a marcar, com Deniz Gül a finalizar uma boa jogada coletiva, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Oskar Pietuszewski num momento anterior (47′). O Rio Ave parecia querer manter a mesma atitude do primeiro tempo, com as linhas algo subidas e uma capacidade razoável para chegar ao último terço contrário, e os dragões continuavam sem conseguir dominar por completo as ocorrências.
Com o passar dos minutos, porém, os vilacondenses foram afundando e perdendo índices físicos e competitivos. A equipa de Francesco Farioli aproveitou e subiu no terreno, intensificando a pressão alta e a velocidade de todos os procedimentos, com Froholdt a ficar muito perto de bisar num lance em que acertou no poste após cruzamento de Deniz Gül na esquerda (61′).
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O treinador italiano mexeu pela primeira vez já depois da hora de jogo, lançando Rodrigo Mora e William Gomes, e os dragões pareciam querer quebrar novamente o ritmo para atrair o adversário, trocar a bola em zona confortável e depois explorar a profundidade e o eventual espaço que pudesse aparecer nas costas da defesa dos vilacondenses. Borja Sainz e Seko Fofana entraram já à beira do último quarto de hora, com Mora a assumir o papel de falso ‘9’, Terem Moffi ocupou esse espaço nos derradeiros instantes e já nada mudou até ao fim.
Apesar de nunca ter conseguido fechar o jogo e de ter mantido tudo em aberto até ao apito final, com Mora a acertar ainda no poste nos últimos minutos (89′), o FC Porto venceu o Rio Ave no Dragão e garantiu a manutenção das distâncias para Sporting e Benfica. Numa exibição novamente muito abaixo daquilo que os dragões já mostraram esta temporada, valeu a eficácia de Victor Froholdt para assegurar mais um balão de oxigénio para uma equipa de Francesco Farioli que continua a tentar reencontrar-se com a sua melhor versão.
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