Na primeira semifinal do Festival da Canção 2026, que aconteceu este sábado à noite, foram estes os cinco escolhidos: Nunca Mates o Mandarim, com Fumo; Marquise por Chuva; Dinis Mota e Jurei; Evaya com Sprint e André Amaro graças a Dá-me a tua mão.
Os quatro primeiros foram escolhidos entre os votos dos jurados e do público (50% para cada), e o quinto escolhido unicamente pelos votos do público. O júri desta edição é constituído por Lena D’Água, Diana Vilarinho, Joana Espadinha, Tó Cruz e o jornalista Mário Rui Vieira.
A cerimónia, transmitida pela RTP a partir dos Estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, Oeiras, foi apresentada por Vasco Palmeirim e sem grandes rodeios. As oito canções a concurso nesta primeira semifinal desfilaram rapidamente, com apenas uma alteração na posição no alinhamento da canção Sprint, de Evaya, que à conta de um problema técnico passou do terceiro para o último lugar na sequência de apresentações.
Além dos temas a concurso, em palco esteve também Júlio Resende, ao piano, e Paulo Lapa, na voz, para recordar algumas das canções que Carlos do Carmo (1939-2021) interpretou há 50 anos, numa edição em que o festival assumiu a designação Uma Canção para a Europa. Nesse ano de 1976, a RTP decidiu convidar o cantor a dar voz a todas as canções a concurso. A homenagem de Júlio Resende percorreu, assim, alguns desses temas, culminando com Estrela Da Tarde, canção com poema de Ary dos Santos, que na altura ficou em 6º lugar (foi com Uma flor de verde Pinho, que Carlos do Carmo representou Portugal na Eurovisão nesse ano).
https://www.youtube.com/watch?v=JFXxR42SoP0
Houve ainda tempo para uma atuação de Luca Argel com Nani Medeiros e Karla da Silva. Juntos, os artistas brasileiros propuseram uma viagem até ao Brasil dos anos 1960, numa revisitação dos festivais de música popular brasileira, concursos com semelhanças várias com o Festival da Canção. Os cantores percorreram temas de Chico Buarque, Tom Zé ou Rita Lee.
https://www.youtube.com/watch?v=VoacBBPje8k
A segunda semifinal, que acontece no próximo sábado, 28 de fevereiro, vai apurar os restantes cinco finalistas ao Festival da Canção. Serão 10 no total os que vão, no dia 7 de março, concorrer para representar Portugal no 70.º Festival Eurovisão da Canção, marcado para maio, em Viena, Áustria. Se Portugal chegará lá é, no entanto, ainda uma incógnita, pois muitos participantes do concurso anunciaram em dezembro a recusa em representar o país, em protesto contra a participação de Israel na Eurovisão. Desta primeira semifinal, por exemplo, só André Amaro não renunciou a uma hipotética participação no evento europeu.
Dos 16 temas a concurso neste 60.º Festival da Canção, oito resultaram de convites feitos pela RTP, seis foram escolhidos de entre as submissões livres, um foi escolhido pelos vencedores do ano passado (no caso, os NAPA, que designaram o tema dos Nunca Mates o Mandarim) e outro chegou via “prova de acesso”, uma novidade que resulta de uma parceria do festival com instituições de ensino artístico.
Estas são as cinco canções já apuradas para a final:
“Fumo”
Nunca Mates o Mandarim
https://www.youtube.com/watch?v=F3p31nziXSw
Os Nunca Mates o Mandarim chegam ao festival a convite dos NAPA, vencedores da edição de 2025, com a canção Fumo. João Amorim (voz), João Cabral Campello (bateria) e Manuel Dinis (guitarra) são três portuenses que integram a banda de indie-pop-rock que lançou o primeiro álbum em 2026, Bola de Bilhar.
“Chuva”
Marquise
https://www.youtube.com/watch?v=pPHCiLC_3FM
A banda de rock do Porto composta por Mafalda Rodrigues, Miguel Azevedo, Miguel Pereira e Matias Ferreira tem dado nas vidas desde que editou Ela Caiu, o seu álbum de estreia, em 2025. “A forma como tomaram o circuito de assalto e começaram a surgir nos radares da cena alternativa já levou alguns a considerá-los “a próxima grande cena” do rock nacional”, resumia o Observador, há um ano.
“Jurei”
Dinis Mota
https://www.youtube.com/watch?v=2mYU8-dXC_4
Dinis Mota aterrou no Festival da Canção através da prova de acesso, uma nova iniciativa do certame em colaboração com instituições de ensino. O jovem de 23 anos natural de Aveiro é estudante do Mestrado de Artes e Tecnologias do Som na ESMAE do Porto e, como revelou este sábado, foi desafiado por um professor a participar.
“Sprint”
Evaya
https://www.youtube.com/watch?v=Ot7SvwCpBho
Pese embora as dificuldades técnicas, o pop electrónico de Evaya (nome artístico de Beatriz) convenceu. A jovem de Poceirão, no concelho de Palmela, foi uma das artistas convidadas pela RTP a participar nesta edição do Festival da Canção, dois anos depois de se ter estreado com o álbum Abaixo das Raízes Deste Jardim (2024).
“Dá-me a tua mão”
André Amaro
https://www.youtube.com/watch?v=5mQMjICfJnE
Também convidado pela RTP, André Amaro chega à final via voto do público — que este ano pode ser feito não só por chamada telefónica, mas também online. O cantor nascido na Aldeia do Bispo, concelho do Sabugal, não se está a estrear nos concursos: como integrante do grupo Sangre Ibérico chegou à final do programa Got Talent Portugal, em 2016. Mas desde 2019 que André Amaro apostou numa carreira a solo, num território entre o fado e o flamenco.