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Vinícius pode não ter medo, mas joga numa equipa com muitos temerários: Real Madrid perde e pode sair da liderança

No intervalo da eliminatória contra o Benfica e depois da polémica na Luz, Real foi sempre curto e perdeu com o Osasuna em Pamplona (2-1). Vinícius foi assobiado antes e durante o jogo e ainda marcou.

Mariana Fernandes
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Só passaram uns dias, mas o assunto dominou a atualidade nacional e internacional de tal maneira que parece que já passou uma autêntica eternidade. O instante entre Vinícius e Gianluca Prestianni no Estádio da Luz tornou-se tema nos jornais, nas televisões e nas rádios, nos programas de desporto mas também nos de política, originou reações do governo brasileiro e um processo de contra-ordenação da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto. De repente, a meio de uma eliminatória, estava criada uma das principais histórias da temporada. 

Em Espanha, e principalmente no universo do Real Madrid, a posição foi clara: apoiar Vinícius acima de tudo e sem reservas, recordando que o avançado brasileiro tem sido um alvo de insultos racistas por parte de jogadores e adeptos adversários desde há vários anos. Logo depois do apito final na Luz, a meio da semana, Kylian Mbappé, Eduardo Camavinga e Tchouaméni apressaram-se a respaldar o colega de equipa, com Álvaro Arbeloa a ser tudo menos imparcial na conferência de imprensa. Uma postura que, aliás, decidiu manter.

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Isto porque, no meio de toda a polémica e antes da receção ao Benfica na próxima quarta-feira e a contar para a segunda mão do playoff da Liga dos Campeões, o Real Madrid voltava a jogar este sábado e contra o Osasuna. E o treinador merengue, mais do que sobre o facto de poder manter a liderança da La Liga à frente do Barcelona, foi naturalmente questionado sobre o impacto dos últimos dias no clube, no balneário e no próprio Vinícius.

“Ficou triste, como todos, e muito indignado. É um ato racista que não queremos que se repita, não tem lugar no nosso desporto. Temos uma grande oportunidade para não deixar isto passar. Acho que fui claro, o importante é lutar contra estes atos, é inaceitável. Não vamos consentir nem tolerar. Sair de campo? Se fosse essa a decisão do Vinícius, se ele dissesse para irmos embora, íamos todos para dentro. O Vinícius está a decidir jogos, a marcar golos fantásticos, a carregar a equipa às costas. E não tem medo. Ele consegue passar por situações como a do outro dia e voltar ao campo. Todos nós já recebemos insultos, infelizmente, mas nunca me insultaram pela minha cor de pele, não sei se seria capaz de voltar ao campo como ele fez”, explicou Arbeloa, que defendeu ainda que Prestianni deve ser castigado pela UEFA.

Ora, tal como o próprio treinador antecipou desde logo na conferência de imprensa, Vinícius era titular este sábado contra o Osasuna, mantendo a dupla com Mbappé na frente de ataque do Real Madrid. Dani Carvajal era titular na direita da defesa, em detrimento de Trent Alexander-Arnold, enquanto que Raúl Asencio aparecia ao lado de David Alaba no eixo defensivo, com Rüdiger a começar no banco e Dean Huijsen lesionado. Do outro lado, Alessio Lisci tinha o ex-Sporting Valentin Rosier como lateral-direito.

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Ainda assim, e mesmo sem que Vinícius tenha medo, não foi preciso esperar muito para perceber que Pamplona também não seria um destino fácil para o brasileiro. Depois de já ter sido vaiado quando saiu do autocarro para entrar no estádio, o avançado foi muito assobiado pelos adeptos do Osasuna assim que tocou na bola, num aspeto que se manteve mais ou menos intenso ao longo de todo o jogo.

Dentro de campo, o Osasuna surpreendeu e abriu o marcador ainda na primeira parte, com Ante Budimir a converter uma grande penalidade depois de Courtois ter feito falta sobre o avançado no interior da grande área do Real Madrid (38′), num lance que só foi assinalado com recurso ao VAR e que inicialmente até deu cartão amarelo por simulação ao croata. Ao intervalo, os merengues estavam a perder e a assinar uma exibição muito pobre em Pamplona, sem qualquer tipo de capacidade para contornar a organização defensiva do adversário.

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Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e os minutos foram passando sem que nada mudasse — incluindo a exibição do Real Madrid, que se mantinha algo constrangedora. Álvaro Arbeloa mexeu pela primeira vez já depois da hora de jogo, lançando Alexander-Arnold e Brahim Díaz, e o quase inevitável aconteceu mesmo: Fede Valverde acelerou na esquerda e cruzou tenso para a área, onde Vinícius fugiu à marcação para desviar de primeira e empatar (73′).

Arbeloa trocou Valverde por Gonzalo García para o último quarto de hora, mas o destino do jogo não podia mesmo ser invertido: num lance que foi inicialmente anulado por fora de jogo e depois validado pelo VAR, Raúl García sentou Raúl Asencio para bater Courtois, recuperando a vantagem (90′). No intervalo da eliminatória contra o Benfica para a Liga dos Campeões, o Real Madrid perdeu com o Osasuna e pode mesmo deixar fugir a liderança da La Liga para o Barcelona se os catalães vencerem o Levante este domingo. Vinícius pode não ter medo, mas continua a jogar numa equipa de temerários.

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