A partir de dada altura, a cada temporada e em todas as temporadas, as equipas que estão nas competições europeias deixam de ter semanas limpas — ou seja, semanas sem mais do que um jogo e com vários dias consecutivos para treinar, preparar o desafio seguinte e recuperar física e mentalmente. É um luxo raro de que o Sporting beneficiou nos últimos dias, por mérito próprio e por ter escapado ao playoff da Liga dos Campeões, e que não tem sido uma realidade nos meses mais recentes.
Ora, praticamente uma semana depois da vitória tangencial em Alvalade contra o Famalicão, o Sporting deslocava-se até Moreira de Cónegos para defrontar o sempre complexo Moreirense. Para além de terem descansado durante a semana, os leões contavam ainda com o facto de jogarem mais de 24 horas antes de o FC Porto receber o Rio Ave no Dragão — logo, com a possibilidade de pressionar os dragões com um triunfo que permitiria ficar à condição a um ponto da liderança do Campeonato.
Ficha de jogo
Moreirense-Sporting, 0-3
23.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos
Árbitro: Bruno Costa (AF Viana do Castelo)
Moreirense: André Ferreira, Cédric Teguia, Stjepanovic (Afonso Assis, 80′), Kiko Bondoso (Nile John, 64′), Alanzinho, Álvaro Martínez, Rodrigo Alonso (Landerson, 64′), Maracás, Gilberto Batista, Dinis Pinto (Leandro Santos, 80′), Yan Maranhão (Luís Hemir, 70′)
Suplentes não utilizados: Mika, Kevyn, Francisco Domingues, Jimi Gower
Treinador: Vasco Botelho da Costa
Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda (Vagiannidis, 78′), Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo, Hjulmand, Morita (Daniel Bragança, 64′), Luis Guilherme (João Simões, 82′), Trincão, Geny Catamo (Faye, 78′), Luis Suárez (Ioannidis, 78′)
Suplentes não utilizados: João Virgínia, Flávio Gonçalves, Eduardo Quaresma, Ricardo Mangas
Treinador: Rui Borges
Golos: Trincão (52′), Geny Catamo (56), Luis Suárez (75′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Diomande (38′), a Rodrigo Alonso (55′)
Na conferência de imprensa de antevisão da partida, porém, Rui Borges foi obrigado a puxar a fita atrás para ainda comentar o comunicado do FC Porto, no início da semana, em que os dragões o acusaram de ter “aprendido rápido” a utilizar o tablet do banco de suplentes: uma referência ao facto de o treinador ter dito que não viu o lance da grande penalidade contra o Santa Clara, na Taça de Portugal, mas ter visto a falta sobre Maxi Araújo que anulou o golo do Famalicão em Alvalade. E o técnico, de forma algo surpreendente, respondeu com muita ironia à mistura.
“Cresci nos anos 80, a brincar na rua, com a minha mãe a chamar-me na varanda para ir comer a sopa às 21h30, sem ‘tablets’ ou novas tecnologias. Com muito boa educação. Depois, se calhar, o FC Porto tem razão… Em termos de ‘tablets’ e televisões está à frente de todos os outros”, disse Rui Borges, provocando alguns sorrisos na sala de imprensa e recordando a televisão que o árbitro Fábio Veríssimo encontrou no balneário, no Dragão, durante a receção do FC Porto ao Sp. Braga.
Assim e já com Luis Suárez nas opções, depois de o avançado colombiano ter cumprido castigo contra o Famalicão, Rui Borges não contava agora com Pedro Gonçalves, que também viu o quinto cartão amarelo e estava suspenso. Geny Catamo regressava assim ao onze inicial, com Luis Guilherme na esquerda e Trincão atrás de Suárez, enquanto que Ioannidis já estava no banco de suplentes. Do outro lado, num Moreirense que continua a perseguir Sp. Braga e Gil Vicente, Vasco Botelho da Costa não tinha Diogo Travassos, lateral-direito que está emprestado pelos leões.
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O Sporting entrou muito melhor e asfixiou o Moreirense durante o quarto de hora inicial, atuando quase por inteiro no meio-campo contrário sem permitir sequer posse de bola à equipa de Moreira de Cónegos. Trincão teve a primeira grande oportunidade do jogo, ao aparecer na cara de André Ferreira depois de uma assistência de calcanhar de Luis Suárez (8′), e tanto Geny Catamo (9′) como Luis Guilherme (14′) ensaiaram remates que acabaram por não ter consequências.
O mesmo Trincão voltou a ficar perto de marcar com um cabeceamento que André Ferreira defendeu, na sequência de um cruzamento de Maxi Araújo na esquerda (15′), mas a verdade é que esse lance acabou por marcar uma quebra de intensidade na exibição leonina. O Sporting tirou o pé do acelerador, baixou as linhas e deixou o Moreirense respirar, com a equipa de Vasco Botelho da Costa a aproveitar para chegar pela primeira vez à grande área contrária através de um remate de Rodrigo Alonso que Rui Silva encaixou (22′).
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O jogo arrastou-se até à meia-hora, sem lances relevantes ou especial interesse, e o Sporting não conseguia materializar o facto de ser visivelmente melhor do que o Moreirense. Os leões atacavam essencialmente pela esquerda, com Luis Guilherme a ter mais protagonismo do que Geny Catamo em toda a primeira parte, mas pecavam na finalização ou na última definição, esbarrando consecutivamente na organização defensiva contrária. Pelo meio, os minhotos aproveitavam para causar alguns calafrios do outro lado, com Dinis Pinto a cabecear por cima após livre na direita (39′).
O conjunto leonino recuperou a assertividade e o domínio nos últimos minutos do primeiro tempo e poderia mesmo ter marcado em várias ocasiões já à beira dos descontos ou dentro dos minutos adicionais: Luis Guilherme rematou ao lado de fora de área (44′), Luis Suárez atirou fraco e também falhou o alvo (45+1′) e o mesmo Luis Suárez disparou rasteiro e de primeira após cruzamento na esquerda, mas novamente ao lado (45+2′). Ao intervalo, Moreirense e Sporting estavam ainda empatados sem golos em Moreira de Cónegos.
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Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o Sporting voltou a entrar melhor, com André Ferreira a ter de se aplicar para intercetar um cruzamento perigoso de Trincão logo nos instantes iniciais (49′) e Hjulmand a rematar contra um adversário na área logo a seguir (52′). Pouco depois, o que já parecia inevitável aconteceu mesmo: na sequência de uma recuperação de bola em zona adiantada, Luis Guilherme abriu em Maxi Araújo na esquerda e o uruguaio cruzou atrasado, com Trincão a aparecer para rematar de primeira e em jeito para abrir o marcador (52′).
Menos de cinco minutos depois, os leões fizeram o que raramente têm feito nas últimas jornadas: fecharam o jogo. Geny Catamo recebeu na direita, puxou para dentro e atirou de pé esquerdo e de fora de área, em jeito, sem qualquer hipótese para André Ferreira (56′). Rui Borges mexeu pouco depois da hora de jogo, trocando Morita por Daniel Bragança, e Vasco Botelho da Costa impulsionou a reação da equipa com as entradas de Nile John e Landerson, sendo que o primeiro acertou na trave instantes depois de entrar (65′).
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Os leões procuravam gerir o resultado através da qualidade de Daniel Bragança, apesar de terem quebrado demasiado o ritmo depois do segundo golo, e acabaram mesmo por conseguir arrumar o assunto à entrada para o último quarto de hora: canto na direita, bola desviada ao primeiro poste e Luis Suárez, ao segundo, dominou para atirar cruzado e aumentar a vantagem (75′). Vagiannidis, Faye, João Simões e Ioannidis entraram pouco depois, com o avançado grego a regressar aos relvados depois de quase dois meses de ausência, mas já nada mudou até ao fim.
O Sporting venceu o Moreirense em Moreira de Cónegos, manteve a distância de três pontos para o Benfica e ficou à condição a um ponto da liderança do FC Porto, que só entra em campo este domingo. Depois de vários jogos em que os leões não conseguiram fechar resultados, desperdiçaram muitas oportunidades e demonstraram uma eficácia preocupante, Trincão levou a chave e a equipa de Rui Borges lembrou-se finalmente de usar o cadeado.
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