Miguel Oliveira nunca interpretou a saída do MotoGP e a entrada nas Superbikes como uma despromoção. Encarou o novo capítulo como um desafio, uma nova oportunidade de provar tudo o que vale e o porquê de ter estado durante sete anos consecutivos na categoria rainha do motociclismo. E a verdade é que bastaram as primeiras horas para ficar claro que o piloto português não é apenas mais um.
O Superbike World Championship, o Campeonato do Mundo de Superbikes, arrancou este fim de semana em Phillip Island, na Austrália. Miguel Oliveira estreou-se pela BMW na categoria com um 10.º lugar nos treinos livres de sexta-feira e a verdade é que o semblante do português, embora não totalmente satisfeito com a prestação, parecia transparecer uma sensação de maior plenitude e leveza — um contraste total com as últimas duas épocas no MotoGP, onde entre quedas, lesões e muitos azares nada pareceu correr bem ao piloto natural de Almada.
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Ainda assim, já este sábado, na chamada Superpole que serve de qualificação para a Corrida 1 do fim de semana, o azar deixou bem claro que não pretende deixar Miguel Oliveira tão depressa: o piloto português caiu logo na primeira volta lançada e não teve a possibilidade de registar qualquer tempo, garantindo desde logo que iria arrancar no 21.º e último lugar da grelha. Este aspeto, na verdade, é uma das principais diferenças entre o MotoGP e as Superbikes, já que os pilotos só têm uma mota à disposição — ou seja, em caso de queda aparatosa e com danos na mota, não é possível repará-la a tempo de voltar à pista e não existe uma suplente, o que significa que a qualificação fica desde logo por aí.
Ainda assim, a qualificação na Austrália permitiu confirmar um dado curioso. Miguel Oliveira foi um dos pilotos com mais tempo de antena na transmissão oficial, sendo filmado durante largos minutos e com direito a muito protagonismo, o que deixa claro que o piloto português é desde já um dos principais nomes da categoria onde acabou de se estrear. Algo que, mais uma vez, também é uma das grandes diferenças que poderá desde já sentir em relação ao MotoGP.
Ora, a arrancar na última posição na estreia nas Superbikes, Miguel Oliveira repetiu algo em que se tinha tornado especialista nos últimos anos — corridas de autêntica remontada, começando muito atrás e conquistando posições sucessivamente para subir na classificação. O piloto da BMW ultrapassou três adversários logo na primeira curva, ganhou mais três posições de forma célere e a seis voltas do fim entrou no top 10 na sequência do espanhol Xavi Vierge, da Yamaha. Até ao fim das 22 voltas, ainda conseguiu alcançar mais dois lugares e cruzou a meta em oitavo lugar, a mais de 20 segundos do vencedor Nicolò Bulega, italiano da Ducati que partiu da pole-position e que é o principal favorito à conquista do Campeonato do Mundo.
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“Foi certamente difícil. Foi uma pena cair na primeira volta da qualificação, porque isso provavelmente deve ter-me custado um melhor resultado ao longo do fim de semana. Puxei um pouco mais pela frente e caí, levantei a mota e tentei ir para a pista novamente, mas um pequeno problema eletrónico não me permitiu voltar a ligar a mota. Por isso, para mim acabou ali e tinha uma tarde longa pela frente. Decidi trazer o máximo que conseguisse, com ultrapassagens limpas, subir na classificação, tentar ver o meu ritmo e também conhecer a mota ao mesmo tempo com o passar das voltas. ‘Feedback’ positivo, boa informação para o futuro e vamos trabalhar a partir daqui, ver o que amanhã nos traz”, começou por dizer o piloto português, que conquistou os primeiros oito pontos da temporada.
“Foi uma corrida rápida. Quer dizer, não estava verdadeiramente a contar as voltas e quando dei por mim já só faltavam seis voltas para o fim. Aí pensei ‘ok, tenho de dar ainda mais e tentar ganhar mais posições’. Pensava que a corrida ainda estava numa fase bastante inicial. Pilotos rápidos, batalhas duras, sim, foi divertido”, acrescentou.
O Campeonato do Mundo de Superbikes é composto por 12 etapas, sendo que cada fim de semana conta com duas corridas e uma espécie de sprint, de apenas 10 voltas, que também atribui pontos. Ou seja, o fim de semana de Miguel Oliveira vai continuar já este domingo, com o piloto português a tentar ficar dentro dos nove primeiros da sprint, para pontuar, e fazer ainda melhor do que um oitavo lugar na Corrida 2.