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(A) :: Lagos viu a força de um suspeito cada vez mais acostumado a vencer: Paul Magnier bisa na última chegada ao sprint da Volta ao Algarve

Lagos viu a força de um suspeito cada vez mais acostumado a vencer: Paul Magnier bisa na última chegada ao sprint da Volta ao Algarve

A última chegada ao sprint da Volta ao Algarve voltou a ser dominada por Magnier, que deu mais uma lição aos rivais depois de ter esperado pelo momento certo. Ayuso lidera antes da decisão no Malhão.

Tiago Gama Alexandre
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O contrarrelógio de Vilamoura não resolveu as contas, mas voltou a servir para afinar os tempos na classificação geral. Sem a camisola amarela, por autorização da organização e da União Ciclista Internacional (UCI), Juan Ayuso (Lidl-Trek) voou nos menos de 20 quilómetros de esforço contra o cronómetro e esteve muito perto de bater o especialista Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) que, ainda assim, voltou a dominar a especialidade e estreou-se a vencer na nova temporada. A par do espanhol, Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), que atuou sem a camisola da juventude, teve uma terceira etapa de grande nível, apesar de ter perdido sete segundos. João Almeida (UAE Team Emirates-XRG), por seu turno, protagonizou o resultado menos bom da jornada, partindo para o fim de semana a 44 segundos da liderança.

https://observador.pt/2026/02/20/no-dia-do-refinamento-filippo-voltou-a-esmagar-todos-italiano-vence-contrarrelogio-a-frente-do-foguete-ayuso-almeida-perdeu-tempo/

“Ter a referência do tempo do Jakob [Söderqvist] foi muito importante. Sabia durante todo o percurso o tempo que estava a fazer comparado com o Jakob, o que me ajudou a perceber que estava a fazer um bom crono. Faltaram-me seis segundos. Custa sempre perder, mas quando perdes para um dos melhores do mundo é ok. Ver quão forte ele [Paul Seixas] foi hoje, quão forte foi ontem [quinta-feira]… penso que no último dia vai-me colocar sob pressão. As diferenças de tempo são muito curtas. Está a demonstrar que vai ser um dos melhores ciclistas do mundo. Almeida? Já é uma distância um pouco mais difícil de recuperar faltando apenas um dia difícil. Mas a Emirates tem uma equipa muito forte, de certeza que vão tentar algo. Conversámos com a organização e com a UCI e entenderam que para nós era importante sair com os fatos de contrarrelógio, porque as equipas investem muito dinheiro e tempo para criar um fato rápido. Para que houvesse igualdade de condições entre todos, deram-nos permissão”, explicou o líder da geral.

“Foi um contrarrelógio muito bom, fiz o meu melhor. Penso que me saí muito bem, mas os outros foram mais rápidos. Esperava perder algum tempo, mas não tanto. Parabéns a ele [Ayuso], penso que está em ótima forma. Vou fazer o melhor, talvez tentar atacar no último dia”, explicou, por seu turno, o português antes de uma etapa que voltou a ser talhada para o sprinters, no regresso à Avenida dos Descobrimentos de Lagos, local que, há um ano, foi protagonista pelos piores motivos, depois de um erro da organização ter levado grande parte do pelotão para o lado errado da estrada, impossibilitando os ciclistas de sprintar. No lado certo, Ganna foi, inicialmente, o vencedor, antes de a organização ter anulado a etapa.

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Sem Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step), que abandonou a competição por estar doente, as equipas portuguesas voltaram a ser protagonistas da fuga da jornada, à exceção da Efapel. Noah Campos (Tavira-Crédito Agrícola), Diogo Pinto e Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car), João Silva (Feira dos Sofás-Boavista), Viacheslav Ivanov e Fábio Costa (Feirense-Beeceler), Tomas Contte (Aviludo-Louletano-Loulé), Gonçalo Carvalho (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua) e Rubén Fernández (Anicolor-Campicarn) aguentaram até aos últimos 35 quilómetros, passando pela única subida categorizada do dia, em Nave, onde Contte cimentou a liderança da camisola azul, bem como pelo quilómetro de ouro. Na primeira passagem pela meta, Campos, João Silva (Boavista) e Nunes tentaram nova fuga ao grupo, que acabou anulada já dentro dos últimos 30 quilómetros.

Na aproximação à fase final, Darren Rafferty (EF Education-EasyPost) distraiu-se e caiu com algum estrondo, embora numa zona de vegetação, o que amorteceu ligeiramente o impacto. Esse incidente quebrou o pelotão, que se prontificou a baixar o ritmo. A seis quilómetros de Lagos aconteceu nova queda no grupo, que afetou um grande número de corredores, em particular Johannes Staune-Mittet (Decathlon) e Harrison Wood (Feirense), que ficaram em pior estado. Com Tudor, Emirates e Lidl a liderarem a aproximação à meta, Marijn van den Berg (EF Education) tratou de lançar o sprint para Noah Hobbs, mas Tim Torn Teutenberg (Lidl) e Jordi Meeus (Red Bull-Bora-hansgrohe) responderam de pronto. Contudo, com mais um lançamento perfeito, Paul Magnier (Soudal) ultrapassou os rivais e somou mais uma vitória nesta Volta ao Algarve, a 26.ª da sua carreira.

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Meeus ficou no segundo lugar, com Oded Kogut (NSN) a completar o pódio. Destaque ainda para Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) que, apesar de ter voltado a ficar aquém de um bom resultado, terminou no décimo lugar e chegou ao 200.º top 10 da sua carreira. Santiago Mesa (Anicolor), no oitavo posto, foi o melhor ciclista das equipas portuguesas, ao passo que o melhor português foi Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA), no 13.º. Na classificação geral continua tudo na mesma, com Juan Ayuso a partir para a etapa final, com dupla passagem no Alto do Malhão, com sete segundos de vantagem para Paul Seixas, 44 para João Almeida, 57 para Kévin Vauquelin (Ineos) e 1.01 minutos para Thymen Arensman (Ineos).

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