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Seedance 2.0: a aplicação de Inteligência Artificial irmã do TikTok cria "arrepio na espinha" em Hollywood

Nova aplicação da ByteDance, que detém o TikTok, consegue criar vídeos realistas com som e imagem integrados. Estúdios de Hollywood enviaram avisos por violação de propriedade intelectual à empresa.

Madalena Moreira
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Brad Pitt tem uma camisa castanha e o cabelo loiro, curto. Tom Cruise veste uma camisola justa preta. Os dois lutam, trocam murros e pontapés num terraço destruído, um corpo no chão perto das duas estrelas de cinema. Ao fundo, vê-se uma cidade e o pôr do sol por trás. O vídeo tem apenas 15 segundos, mas está recheado de detalhes, de som, imagem e movimento. E foi gerado por Inteligência Artificial (IA).

Para alcançar este resultado — de um vídeo que já se tornou viral — foi preciso apenas fazer um breve pedido na aplicação Seedance 2.0. Como muitas outras aplicações de IA, a Seedance pode gerar vídeos com apenas um simples pedido de texto. Porém, esta aplicação da chinesa ByteDance, que também detém o TikTok, fez soar os alertas em Hollywood.

Em causa está a qualidade impressionante dos vídeos, que combinam texto, imagem e som num único sistema bem integrado, analisam especialistas em IA à BBC. A aplicação foi lançada em junho do ano passado, mas esta característica é mais recente, fruto de uma segunda versão atualizada que permite obter resultados muito mais realistas como os da luta Pitt-Cruise. Nas redes sociais, multiplicam-se outros vídeos feitos na Seedance: um fim alternativo de Guerra dos Tronos ou Stranger Things ou cenas de batalha entre os super-heróis Wolverine e Batman.

Depois de, em 2023, os sindicatos dos atores e argumentistas de Hollywood terem travado uma luta contra os estúdios que colocou mesmo a maior indústria cinematográfica do mundo em suspenso, devido às greves, o medo da IA faz-se novamente sentir. “Para todos nós que trabalhamos na indústria e dedicámos as nossas carreiras e vidas a isto, acho que é horrorizante. Consigo ver isto a custar trabalhos“, afirmou ao New York Times, Rhett Reese que trabalhou no guião dos filmes da série de super-heróis Deadpool e que diz ter sentido “um arrepio na espinha” ao ver estes vídeos.

O tema também foi abordado pelo ator oscarizado Matthew McConaughey, durante um evento da Variety e da CNN na Universidade do Texas em que conversou com Timothée Chalamet. “[A IA] vai-se tornar tão boa que nem vamos notar a diferença. Essa é uma shidas grandes questões neste momento: a questão da realidade. É mais turvo do que nunca — de uma maneira entusiasmante, mas também assustadora“, ponderou o ator norte-americano.

Contudo, além dos debates éticos e artísticos à volta da utilização de IA, a ascensão da Seedance também fez surgir uma sucessão de questões legais, sobre direitos de autor e propriedade intelectual. Na passada sexta-feira, a Disney enviou um aviso formal à ByteDance, que acusava de “sequestrar as personagens da Disney através da reprodução, distribuição e criação de trabalhos derivativos que incluem essas personagens”. A carta, assinada pelo representante legal David Singer e citada pelo Axios, aponta diretamente exemplos de personagens “sequestradas” como o Homem-Aranha, Darth Vader e o Yoda Bebé (Grogu).

No dia seguinte, a Paramount juntou-se à Disney, acusando a ByteDance de ter utilizado, sem permissão, personagens que estão protegidas por direitos de autor, relata o LA Times que teve acesso à carta. Posteriormente, a Netflix e a Warner Bros. Discovery também se juntaram ao coro de críticas. A primeira acusa a empresa chinesa de “tratar PI [propriedade intelectual] valiosa como clip art de domínio público” e cita utilizações indevidas de elementos de música, cenários e personagens das séries Squid Game e Bridgerton e do filme As Guerreiras do K-Pop. Já a Warner s. cita violações dos direitos de autor de personagens dos universos Harry Potter, Senhor dos Anéis e Batman.

Confrontada com as críticas de artistas e os ultimatos legais dos estúdios que os empregam, a ByteDance disse ter “ouvido as preocupações” e “respeitar os direitos de propriedade intelectual”. “Estamos a tomar medidas para reforçar as atuais salvaguardas enquanto trabalhamos para evitar a utilização não autorizada da propriedade intelectual e da imagem dos utilizadores”, afirmou a empresa num comunicado enviado à CNBC.

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