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NASA admite perigo de vida a astronautas que ficaram presos durante nove meses no espaço

"Temos de assumir os nossos erros e garantir que eles nunca se repitam", reforça administrador da NASA, que garante haver uma "responsabilização da liderança", por "combinação de falhas na Starliner".

Manuel Carvalho
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“Para realizar missões que mudam o mundo, precisamos de ser transparentes tanto sobre os nossos sucessos como sobre as nossas falhas.” Butch Wilmore e Suni Williams, os astronautas que estiveram presos no espaço, a bordo da nave Boeing CST-100 Starliner, entre junho de 2024 e março de 2025, correram perigo de vida depois da nave em que seguiam ter perdido força nos seus propulsores, revela um relatório divulgado pela NASA esta quinta-feira, numa conferência de imprensa onde o administrador da agência, Jared Isaacman, esteve presente.

“Temos de assumir os nossos erros e garantir que eles nunca se repitam”, reforçou Isaacman, citado pela própria agência espacial norte-americana, dizendo que o erro que deixou os dois astronautas cerca 286 dias no espaço — mais 272 dias que os 14, no máximo, inicialmente planeados para Wilmore e Williams estarem na Estação Espacial Internacional — é um “acidente de Tipo A”. Os acidentes de tipo A são considerados os mais graves pela agência aeroespacial, numa escala de A a D. Neste tipo de acidentes, os tripulantes incorrem no risco de sofrer uma lesão fatal ou de ficarem com “incapacidade total permanente”.

A Starliner foi lançada em 5 de junho de 2024 e embora tenha sido construída pela Boeing, declara Isaacman, a “NASA aceitou-a”. O administrador garante ainda a “responsabilização da liderança da agência para que situações como estas nunca mais aconteçam”. Só em março de 2025, a bordo da Crew-9 da SpaceX, de Elon Musk, os dois astronautas voltaram à Terra, tendo a Starliner voltado antes, em setembro de 2024, mas sem os seus tripulantes. Ambos os astronautas aposentaram-se pouco tempo depois do seu regresso à Terra.

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“Os investigadores identificaram uma combinação de falhas de hardware, lacunas de qualificação, erros de liderança e problemas que criaram condições de risco incompatíveis com os padrões de segurança de voos espaciais tripulados”, lê-se na notícia publicada no site oficial da NASA, que “aceitará este relatório como o final”.

A “NASA e a Boeing têm trabalhado em conjunto desde o retorno da Starliner, há 18 meses, para identificar e solucionar os desafios encontrados durante a missão, e o trabalho de investigação das causas técnicas continua”, revelou a agência.

Este relatório surge numa altura em que a NASA está a preparar a missão Artemis, que vai levar humanos para orbitar a Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, com data de lançamento prevista para dia 6 de março. O novo megafoguetão, chamado SLS, também tem tido problemas, como fugas de hidrogénio  e falhas no escudo que protege a nave de calor intenso, refere a Sky News.

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