A Polícia Metropolitana britânica vai alargar a investigação em torno do ex-príncipe André e anunciou que questionou antigos e atuais agentes que trabalharam na sua proteção, com vista a obter possíveis informações relacionadas com os factos divulgados sobre a sua ligação a Jeffrey Epstein.
“Foi-lhes pedido que ponderassem cuidadosamente se algo que tenham visto ou ouvido durante esse período de serviço possa ser relevante para as nossas investigações em curso e que partilhassem qualquer informação que nos possa ajudar”, refere o comunicado da força policial britânica, também conhecida pela antiga denominação Scotland Yard.
Numa investigação paralela àquela que está a ser conduzida pela polícia de Thames Valley sobre alegada má conduta de André Mountbatten-Windsor no exercício de cargos públicos, a Polícia Metropolitana destacou também que está a procurar mais dados sobre uma eventual utilização dos aeroportos de Londres nos crimes associados à rede de tráfico e abuso sexual de menores do falecido empresário americano.
“Após a divulgação de milhões de documentos judiciais relacionados com Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, tomámos conhecimento da sugestão de que os aeroportos de Londres podem ter sido utilizados para facilitar o tráfico de seres humanos e a exploração sexual. Estamos a avaliar esta informação e a procurar ativamente mais detalhes junto dos nossos parceiros das forças policiais, incluindo os dos Estados Unidos”, lê-se na nota divulgada.
Nesse sentido, há mais cinco forças de segurança a verificar a veracidade das alegações sobre o uso de aeroportos londrinos e se justificam uma investigação criminal. Em causa nas atuais suspeitas estarão os aeroportos de Heathrow, Biggin Hill e RAF Northolt, entre outros. Ao todo estão envolvidas oito forças diferentes na investigação das ligações de André Mountbatten-Windsor com Jeffrey Epstein, cuja coordenação está a cargo do Conselho Nacional de Chefes de Polícia (NPCC).
Entretanto, a movimentação e o entra e sai de carros da polícia nos portões do Windsor Great Park, a cerca de 100 metros do Royal Lodge, prosseguiu esta sexta-feira, depois de na passada quinta-feira o ex-príncipe André ter sido detido pela polícia britânica para interrogatório e as autoridades terem realizado buscas, tanto na casa que está a ocupar há cerca de duas semanas em Sandringham como na mansão de 30 quartos onde viveu por mais de 20 anos.
O irmão de Carlos III regressou a Wood Farm, a sua atual residência em Norfolk, pelas 21h30 de quinta-feira, depois de ter ficado detido por quase 12 horas para interrogatório. Ao longo do dia, viaturas da polícia foram vistas a chegar tanto na casa de cinco quartos em Sandringham como na propriedade da coroa em Windsor. E nesta sexta-feira as buscas no Royal Lodge continuam. De acordo com a BBC, carros foram vistos a sair pelos portões de Windsor logo ao amanhecer, pelas 6h25. Já entre as 7h e as 8h foram vários os veículos não identificados a entrarem — e pelo menos dois deles eram conduzidos por agentes da polícia de Thames Valley, responsável pela investigação.
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No comunicado mais recente divulgado pelas autoridades, pelas 19h30 da última quinta-feira, quando André foi libertado sob investigação, a polícia informou que as buscas em Norfolk estavam concluídas, mas não menciona a propriedade em Berkshire, onde fica Windsor. De acordo com a imprensa britânica, os trabalhos no Royal Lodge devem durar pelo menos até segunda-feira.
Isso porque, além da procura por documentos e informações contidas em computadores e outros aparelhos eletrónicos do antigo duque de Iorque, os agentes precisam armazenar, identificar e organizar todas as provas. Já em Sandringham, a presença policial é considerável esta sexta-feira, mas deve-se principalmente ao aparato de imprensa que se montou em frente à casa do ex-príncipe.
André é suspeito de má conduta no exercício de cargos públicos, um crime que implica “abuso ou negligência grave e intencional do poder ou das responsabilidades do cargo público exercido”. O crime é punível com pena máxima de prisão perpétua e só pode ser julgado por acusação formal.
A 9 de fevereiro a polícia de Thames Valley já havia informado que estava a analisar as alegações de que André passou informações confidenciais a Jeffrey Epstein quando ocupou o cargo de Representante Especial do Reino Unido para Comércio e Investimento Internacional, entre 2001 e 2011. Nesta altura, o filho de Isabel II viajou em nome do Governo britânico para vários países e esteve em contacto direto com membros seniores de governos além de empresários em todo o mundo. De acordo com a BBC, o grupo anti-monarquista Republic apresentou uma queixa-crime contra o ex-príncipe com base nos documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano.
(Artigo atualizado às 23h45)